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Coronavírus: impacto no turismo dura até 2021, segundo especialistas

Jader Lazarini
Coronavírus: impacto no turismo dura até 2021, segundo especialistas

Enquanto as expectativas do mercado no início desta semana eram de que o coronavírus (Covid-19) havia desacelerado em novos casos, a implementação de uma nova metodologia fez com que o número de mortes e infectados aumentasse. Além disso, segundo especialistas, o efeito pode durar até 2021.

Foram reportadas 254 novas mortes e um aumento de 15.152 infecções apenas na última quarta-feira (12). Dessa forma, o coronavírus já matou mais de 1,4 mil e atingiu quase 60 mil pessoas em pouco mais de dois meses. A alteração no método de pesquisa vem do diagnóstico no epicentro da doença, na província de Hubei, em detrimento dos resultados dos exames laboratoriais mais demorados.

Segundo o banco estadunidense J.P. Morgan, o Produto Interno Bruto (PIB) da China, que antes deveria ser de 4,9% no primeiro trimestre deste ano, deverá ser de 1%, devido ao impacto da doença.

Além disso, de acordo com dados do Conselho Mundial de Viagens e Turismo, o PIB do continente asiático, em 2017, recebia a contribuição de U$ 884 milhões somente do segmento de viagens de lazer e negócios.

No entanto, com o número de casos confirmados em crescimento, agentes de viagens, operadores e hoteleiros deverão ter os próximos meses de crise econômica provocada pela epidemia, com efeitos a longo prazo que podem durar até o ano que vem.

“O número de cancelamentos de viagens, não apenas para a China, mas para todo o continente asiático, cresce todos os dias”, disse Jack Ezon, criador e sócio-gerente da agência de viagens de luxo Embark Beyond.

Chris Nassetta, presidente da rede Hilton, afirmou a investidores na última terça-feira (11) que espera que o impacto da epidemia dure de seis a 12 meses: “Três a seis meses de escalada e impacto do surto e outros três a seis de recuperação”, afirmou. O CEO estimou que o custo para sua empresa poderia ficar entre US$ 25 milhões e US$ 50 milhões.

Coronavírus altera os planos dos clientes

Os especialistas justificam dizendo que quando se trata de viagens de lazer, a maior questão trata-se da localidade do destino ou até mesmo o calendário de férias escolares.

“Você pode viajar pelo norte da Ásia o ano todo, mas o Sudeste Asiático é muito mais desafiador”, disse Catherine Heald, cofundadora e CEO da Remote Lands, especialista em viagens com foco na Ásia, segundo reportou o site "Infomoney".

Veja também: Coronavírus: metodologia muda e número de mortes pela epidemia cresce

“Graças às monções e temperaturas muito quentes na maior parte da região”, que duram aproximadamente de março a setembro, “as pessoas não pensam em remarcar até o outono”, afirmou a empresária.

Aqui no Brasil, a incerteza também paira sobre os operadores de turismo. As ações da CVC (CVCB3) já apresentaram uma desvalorização de 22,65% na B3. Nesta sexta-feira (14), por volta das 12h40, os papéis estavam sendo negociadas a R$ 33,34.

Além disso, na última quinta-feira, a American Airlines informou que ampliou o prazo de suspensão de voos para Hong Kong e China para 23 e 24 de abril por conta do coronavírus. Outras companhias fizeram o mesmo, como a British Airways, United, Air Canada.