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Coronavírus deixa mais de mil mortos e OMS considera grave ameaça mundial

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Homem em rua deserta em Wangfujing (Pequeim), em 10 de fevereiro

O novo coronavírus já matou mais de mil pessoas na China continental, e o fato de ultrapassar esta barreira simbólica levou a OMS a alertar para a "ameaça muito séria" que a epidemia representa para o mundo.

A primeira morte devido ao vírus, que apareceu em dezembro na cidade chinesa de Wuhan (centro), foi anunciada em 11 de janeiro. Desde então, a epidemia matou 1.016 pessoas na China continental, de acordo com um balanço oficial divulgado nesta terça-feira.

Nas últimas 24 horas, as autoridades de saúde chinesas anunciaram 108 mortes. É o balanço diário mais elevado desde que a epidemia surgiu.

No entanto, e como aconteceu na semana passada, o número diário de contaminados (2.478 nas últimas 24 horas) diminuiu em relação à segunda-feira. No total, desde o início do surto, mais de 42.000 infectados foram contabilizados.

"Com 99% dos casos na China (a epidemia) continua sendo uma emergência real para este país, mas também é uma ameaça muito séria para o resto do mundo", alertou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na abertura de uma reunião de cerca de 400 cientistas em Genebra destinada a deter a epidemia.

No final da tarde, Tedros estimou que há uma "chance realista de parar" a disseminação do novo coronavírus e anunciou que, a partir de agora, será oficialmente chamado "COVID-19".

"Se investirmos agora (...), temos uma chance realista de interromper esta epidemia", disse o diretor-geral.

O novo nome foi escolhido por ser "fácil de pronunciar", mas sem referência "estigmatizante" a um país, ou população, em particular, explicou.

A transcrição oficial da OMS coloca todas as letras maiúsculas.

Na abertura da conferência, Tedros pediu a todos os países que mostrem "solidariedade" compartilhando as informações que possuem, algo essencial para o avanço da pesquisa científica.

Ele também observou que "os vírus pode ter consequências mais poderosas do que qualquer ato terrorista".

Na quinta-feira em Bruxelas, os ministros da Saúde europeus também se reunirão para tentar coordenar uma estratégia comum para aliviar a epidemia.

E a OMS enviou uma missão à China, liderada por Bruce Aylward, especialista na luta contra o ebola.

- Paralisação -

Fora da China continental, o vírus já matou duas pessoas, uma nas Filipinas e uma em Hong Kong. Mais de 400 casos de contaminação foram confirmados em 30 países e territórios.

A OMS está especialmente preocupada com o caso de um britânico que nunca esteve na China e que foi contaminado pelo novo coronavírus em Singapura. Ele então o transmitiu a vários compatriotas durante uma estadia na França, antes de ser diagnosticado no Reino Unido.

No total, o homem contaminou acidentalmente pelo menos 11 pessoas: cinco delas hospitalizadas na França, outras cinco no Reino Unido e um homem de 46 anos hospitalizado na ilha espanhola de Maiorca, onde reside.

Nesta terça-feira, foi anunciado que este britânico, apelidado de "superpropagador", estava "totalmente curado".

Até agora, a maioria dos casos positivos no exterior foi de pessoas que estiveram em Wuhan, o epicentro da epidemia.

Na Ásia, milhares de viajantes e tripulantes estão confinados e, dois cruzeiros. Ao menos 135 casos de contaminação foram confirmados no "Diamond Princess", em quarentena na costa do Japão. São passageiros de várias nacionalidades, incluindo um argentino.

Em Hong Kong, mais de 100 pessoas foram evacuadas nesta terça de um prédio de 35 andares depois da descoberta de dois casos em dois andares diferentes. As autoridades locais se perguntam se a transmissão foi possível através da canalização do edifício.

Wuhan e sua província Hubei permanecem isoladas do mundo e as medidas de confinamento não param de aumentam. A partir de agora, as pessoas com febre não poderão ir a hospitais fora de seu bairro e todos os conjuntos habitacionais têm regras rígidas de entrada e saída.

Em outras grandes cidades da China, dezenas de milhões de pessoas também devem respeitar rígidas regras de confinamento que as impedem de trabalhar, estudar ou fazer compras normalmente.

Toda a China está em grande parte paralisada, apesar do feriado de Ano Novo Lunar ter terminado oficialmente e todos terem voltado ao trabalho na segunda-feira.

No entanto, os estudantes ainda estão de férias e as empresas convidam seus funcionários a trabalhar de casa.

Na segunda-feira, o presidente Xi Jinping medidas para limitar o contágio "ainda mais rigorosas". Pela primeira vez, o presidente apareceu na televisão usando uma máscara protetora enquanto visitava um hospital.

Nesta terça, a televisão estatal anunciou que os dois principais responsáveis pela saúde em Hubei foram demitidos.

As autoridades locais foram criticadas por terem demorado a reagir e silenciarem aqueles que alertaram sobre o perigo do novo coronavírus. Foi o caso de Li Wenliang, um médico de 34 anos que morreu na sexta-feira, uma morte que provocou uma onda de críticas e pedidos de liberdade de expressão na China.