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Coronavírus continua ameaçando reativação do consumo nos EUA

Por Delphine TOUITOU
O presidente dos EUA, Donald Trump, fala durante um evento para celebrar os caminhoneiros americanos na Casa Branca em 16 de abril de 2020, em Washington, DC.

Os americanos recuperaram seu apetite tradicional pelo consumo em maio, mas a maior economia do mundo está longe de se recuperar do impacto que a pandemia de coronavírus causou nas compras.

Os gastos do consumidor doméstico aumentaram 8,2%, um recorde por um mês. O consumo foi estimulado por ajuda oficial, anunciou o Departamento do Trabalho nesta sexta-feira.

Para a economia, é um fato positivo, pois o consumo é o principal motor de crescimento dos Estados Unidos: representa cerca de 70% do PIB.

"Mas não se engane, a recuperação foi parcial e amplamente apoiada pela injeção maciça de reativação (de fundos) em abril", resumiram Gregory Daco e Lydia Boussour, economistas da Oxford Economics, em nota.

O Congresso adotou um plano de US$ 2 bilhões em ajuda emergencial chamado CARES Act, no final de março, para mitigar o impacto da crise para empresas e trabalhadores americanos vulneráveis.

Além dos seguros-desemprego, algumas famílias de baixa renda receberam cheques do governo.

Embora os gastos das famílias em maio tenham aumentado, permanecem 11% abaixo dos níveis anteriores à crise, observaram economistas.

A incerteza é grande sobre como os americanos reagirão em termos de consumo, à medida que a pandemia volta a ganhar terreno no oeste e no sul do país.

Os Estados Unidos estão testando cada vez mais (mais de 640.000 na quinta-feira, de acordo com o Covid Tracking Project), mas o número de casos confirmados vem aumentando a um ritmo crescente por várias semanas, o que alimenta a hipótese de um ressurgimento da pandemia conforme avançam as medidas de desconfinamento.

Califórnia, Arizona, Texas e Flórida, estados altamente populosos, estão no centro dessa recuperação da curva de contágio.

Na sexta-feira, o governador do Texas decidiu ordenar o fechamento dos bares ao meio-dia após registrar um aumento nos casos.

Este é um duro golpe para a reativação econômica. O medo do consumidor aparece nas pesquisas sobre a confiança das famílias.

- Confiança reduzida -

A confiança do consumidor nos Estados Unidos melhorou menos do que os analistas esperavam em junho, em um cenário de ressurgimento da pandemia, de acordo com a estimativa final da Universidade de Michigan divulgada nesta sexta-feira.

O índice geral ficou em 78,1 pontos, ante 72,3 pontos em maio. Os analistas esperavam 78,8.

Essa melhora ocorreu principalmente na primeira metade do mês antes de os contágios ressurgirem com mais força.

Os americanos acreditam que o crescimento futuro está estreitamente ligado ao progresso na contenção do vírus, disse Richard Curtin, economista-chefe responsável pela pesquisa da Universidade de Michigan, em comunicado.

Embora "a rápida reabertura da economia tenha restaurado empregos e renda, ocorreu ao preço provável de um pequeno aumento na disseminação do vírus", resumiu.

Curtin pediu ao governo medidas adicionais "para aliviar as dificuldades financeiras".

A pesquisa também mostrou uma erosão da confiança nas políticas econômicas do governo, que caiu "para o nível mais baixo desde que Donald Trump tomou posse", em janeiro de 2017.