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Coronavírus: conheça a empresa pioneira em testes para diagnóstico

Wagner Wakka

Uma empresa da Alemanha é uma das poucas cuja produção cresceu em meio à pandemia de COVID-19. Chamada TIB Molbiol Syntheselabor GmbH, ou somente TIB, ela é uma das responsáveis por prover ao mundo o kit utilizado para testar suspeitos do novo coronavírus. 

A empresa começou a fazer o produto antes da bomba explodir. Após a virada de ano, Olfter Landt, o médico líder da companhia, começou a acompanhar o problema na China. Depois de consultar amigos e realizar pesquisas na área, desenvolveu o kit que poderia ajudar a testar para a doença.

O pequeno pacote é vendido por € 160 (perto de R$ 880), mas pode ser usado para testar até 100 pessoas. O kit vem com uma ampola e um elemento que causa a reação em cadeia de polimerase. Com ele, os técnicos de laboratório pegam uma amostra da saliva do paciente e adicionam o reagente, detectando quando houver código genético do novo coronavírus presente no material.

Para garantir que as propriedades do teste estão mantidas, o pacote também traz uma amostra sinteticamente reproduzida do material genético do SARS-CoV-2. Ou seja, o técnico adiciona o elemento em ambas amostras (sintética e do paciente) e, se ambas reagirem da mesma forma, há confirmação da doença. O resultado geralmente sai dentro de poucas horas. 

Kit de teste para COVID-19 (Foto: Reprodução/Bloomberg)

Existem outros métodos de detecção, mas este é o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pois é possível descobrir a doença antes da manifestação dos sintomas. O que as empresas agora estão buscando é uma forma de teste que os pacientes podem fazer consigo mesmos, em casa. 

Com o boom de demanda, o laboratório passou a operar no limite, com turnos de 12 a 14 horas. No total, a companhia já produziu, desde janeiro, 40 mil kits para o novo coronavírus, o que equivalem a 4 milhões de testes. Com isso, a TIB viu sua receita triplicar em fevereiro, na comparação com o ano passado. 

A empresa fechou uma parceria com a Roche, gigante do setor farmacêutico, para distribuir os pacotes. Por conta da demanda, o laboratório do TIB está ampliando seu espaço. O principal problema, no entanto, está em embalar e enviar o produto. Por este motivo, o laboratório contratou estagiários para ajudar a fazer o processo e enviar o maior número possível de testes. 

A expectativa é de que a demanda cresça ainda mais com o descontrole da doença. Só no Brasil, espera-se que a COVID-19 se espalhe em progressão geométrica, atingindo números da casa das dezenas de milhares dentro de poucos meses.

Até o momento, segundo a OMS, são mais de 70 confirmados no Brasil, já com transmissão local, ou seja, de pessoas que não viajaram para países com surto da doença. Até o momento, não há registros de mortes. O número total de infectados já passa de 125 mil pessoas, com 4.600 mortes em todo o mundo. 


Fonte: Canaltech

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