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Coronavírus: Apple estaria recusando apps que não sejam de instituições de saúde

Claudio Yuge

Para combater a desinformação, a Apple já vinha estabelecendo regras mais rígidas e proativas contra apps que forneçam informações sobre o novo coronavírus (SARS-CoV-2) e, agora, segundo quatro desenvolvedores ouvidos pela CNBC, a companhia estaria rejeitando a distribuição, na App Store, de utilitários que abordam a ameaça sem o aval oficial de uma agência médica ou autoridade pública de saúde.

A Apple informou a um desenvolvedor que todos os aplicativos relacionados à doença COVID-19 devem ser publicados por uma organização de saúde que seja reconhecida, como as governamentais, por exemplo. Outro programador recebeu um e-mail dizendo: "Aplicativos com informações sobre as dados médicos atuais precisam ser enviados por uma instituição reconhecida".

Um dos únicos apps sobre o coronavírus disponível na App Store é o oficial do SUS (Captura de Tela: Canaltech/Patricia Gnipper)

A companhia cita a diretriz 5.2.1 da App Store, que afirma que "os aplicativos devem ser enviados pela pessoa ou entidade legal que possui ou licenciou a propriedade intelectual e outros direitos relevantes". Na quarta-feira (4), a Apple atualizou as regras da loja digital para incluir um novo parágrafo nesta diretiz, que exige dos apps associados a campos "altamente regulamentados" o envio do cadastro via uma "entidade legal que fornece os serviços, e não por um desenvolvedor individual".

O maior critério para a negação incide na origem, e não o conteúdo, pois alguns aplicativos recusados traziam apenas informações publicamente disponíveis e de fontes estabelecidas, a exemplo da Organização Mundial da Saúde (OMS). Um fonte próxima da Maçã diz que os editores da App Store avaliam os softwares com base em onde os dados de integridade de um título vêm, e se o autor está associado a uma organização confiável.

App Store traz poucos apps sobre o coronavírus

Atualmente, uma pesquisa pela palavra-chave de "coronavírus" na App Store fornece pouquíssimos resultados, trazendo como primeiro da lista um aplicativo do Sistema Único de Saúde (SUS) criado pelo Governo brasileiro. Já o HealthLynked COVID-19 Tracker, que incorpora dados da OMS, do site de estatísticas em tempo real Worldometer e da Universidade Johns Hopkins, é o principal resultado ao procurar por "COVID-19". Buscando pelo nome oficial do vírus ("SARS-CoV-2") não há resultados.

(Captura de tela: Canaltech/Patricia Gnipper)

Os passos da Apple para limitar a disseminação de desinformação em sua loja de aplicativos seguem iniciativas semelhantes da Amazon, Google, Facebook e Twitter. Por exemplo, a Google Play proíbe a distribuição de apps "capitalizados sobre um desastre natural", e as pesquisas por títulos relacionados ao coronavírus não vêm trazendo resultados.

O Facebook e o Twitter instituíram proibições gerais de anúncios enganosos de saúde, enquanto a Amazon disse, na semana passada, que está monitorando a seção de buscas de sua loja — mas a varejista vem sofrendo com a execução dessa atividade, pois inúmeras listagens estariam exibindo preços inflacionados em vários itens cotidianos, como desinfetante para as mãos, por exemplo.


Fonte: Canaltech

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