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Coronavírus ainda não impactou indústria brasileira, diz IBGE

Bruno Villas Bôas

Produção avançou 0,9% em janeiro e ficou acima das projeções dos analistas O novo coronavírus pode impactar a indústria brasileira via insumos importados e pelo desaquecimento do comércio internacional, mas nenhum desses efeitos foram vistos nos indicadores do setor referentes ao mês de janeiro, disse nesta terça-feira André Macedo, gerente de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF) mostrou crescimento de 0,9% do setor em janeiro, ante dezembro, pela série com ajuste sazonal. O resultado foi puxado pela produção de máquinas e equipamentos, além de veículos automotores, superando a mediana das projeções de analistas do mercado, de alta de 0,7% no mês.

“A princípio, os resultados não parecem ter efeito disso [coronavírus]. Sabemos que pode trazer consequências para a parte dos insumos para abastecer a produção de bens finais domésticos, além do impacto sobre o comércio internacional. Mas não temos ideia se isso vai aparecer já nos indicadores de fevereiro, a serem divulgados em abril” disse Macedo.

Ele lembrou que as notícias apontam para problemas de insumos em setores como farmacêutico e de eletroeletrônicos. “Setores estão se movimentando sobre quais empresas têm sido influenciada. Pesquisas qualitativas estão buscando isso”, acrescentou o pesquisador, durante entrevista coletiva na sede do IBGE, no Rio.

O primeiro alerta sobre coronavírus foi recebido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 31 de dezembro de 2019. Em 11 de janeiro, ocorreu a primeira morta pelo vírus. No fim do mês, a China estendeu as férias de Ano Novo até fevereiro.

Cautela

Sobre o resultado acima do esperado em janeiro, Macedo disse que os números precisam ser visto com cuidado, levando em conta a base de comparação baixa e o resultado ainda negativo em 0,5% da média móvel trimestral.

“O crescimento ocorre após o setor ter desacelerado no fim do ano passado. Então, precisa ser relativizado por ter uma base de comparação depreciada. É preciso ter cautela, o resultado não é definidor de uma trajetória do setor”, disse o pesquisador, durante entrevista coletiva no Rio.

Conforme divulgado pelo IBGE nesta terça-feira, 17 das 24 atividades da indústria cresceram na passagem de dezembro para janeiro. Para Macedo, essa disseminação positiva também reflete o fraco desempenho do setor em novembro e dezembro, quando havia acumulado baixa de 2,4%.

Ele lembra que a produção de veículos automotores recuou por três meses consecutivos, de outubro a dezembro, acumulando baixa de 9,8%. Com a alta de 4% em janeiro, o saldo do setor permanece negativo em 6,2%. O mesmo vale para a metalurgia: havia recuado 9,5% e agora acumula perda de 4%.