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'Corona trip' de Bolsonaro aos EUA custou R$ 2 milhões aos cofres públicos; veja gastos detalhados

(ZAK BENNETT/AFP via Getty Images)

Por André Duarte

A viagem da comitiva do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) aos Estados Unidos no início de março deste ano custou mais de R$ 2 milhões aos cofres públicos. É o que apontam dados da Presidência da República e do Ministério das Relações Exteriores (MRE) obtidos pelo Fiquem Sabendo por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).

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A viagem durou quatro dias (entre os dias 7 e 10) incluiu um jantar de Bolsonaro com o presidente dos EUA, Donald Trump, no resort de Mar-a-Lago, no sul da Flórida, de propriedade de Trump. Vinte e três integrantes da comitiva do presidente brasileiro foram diagnosticados com a Covid-19 após retornarem ao Brasil. 

Mais no Fiquem Sabendo:

Testaram positivo para o novo coronavírus nomes como o secretário de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, e os ministros Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Bento Albuquerque (Minas e Energia).

Em entrevista à jornalista britânica Christiane Amanpour, da CNN americana, Luiz Henrique Mandetta, então já na condição de ex-ministro da Saúde, classificou a visita da equipe de Bolsonaro à Flórida como uma “corona trip” (viagem do coronavírus). A entrevista foi ao ar no dia 13 de maio, pouco menos de um mês após a demissão de Mandetta. 

Fiquem Sabendo

Detalhamento dos gastos

De acordo com informações enviadas pela Presidência da República e pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), o custo total com diárias, hospedagens, despesas aeroportuárias, seguro viagem e aquisição de chips de celular chegou a U$ 337 mil, o que equivale a pouco mais de R$ 1,7 milhão na cotação atual. Além das despesas com a comitiva, o MRE informou que houve um gasto adicional de R$ 344 mil com diárias e passagens de servidores da pasta.

A missão internacional contou com um grupo de 20 autoridades e convidados, além de 90 auxiliares que atuaram nas equipes de segurança, cerimonial, comunicação e Coordenação Geral de Transporte Aéreo (CGTA). O grupo designado pelo presidente para compor a comitiva oficial contou com quatro ministros, dois deputados federais, dois senadores, um governador e dois intérpretes.

Na lista de duas dezenas de nomes da comitiva publicada no Diário Oficial da União, apenas três convidados constam como “sem ônus” para o governo: o deputado federal Daniel Freitas (PSL/SC), o cônsul-geral do Brasil em Miami, João Mendes Pereira, e a primeira-dama Michelle Bolsonaro. Os demais integrantes não tiveram as despesas divulgadas.

Diárias em dólar

Quase metade do custo da viagem foi desembolsada com o pagamento de diárias de servidores, sendo a grande maioria militares. Os participantes receberam entre quatro a doze diárias, que são pagas em dólar, mas nenhum deles recebeu o valor integral da indenização. Isso porque a legislação determina o pagamento de metade da diária nos dias de deslocamento ao exterior ou de retorno ao Brasil. 

Nos demais dias de missão, os integrantes da comitiva receberam o equivalente a 70% de cada diária, que é o percentual máximo concedido aos servidores em viagens do presidente ao exterior, “quando o pagamento das despesas cobrir apenas as relativas à pousada”. Foi o que ocorreu com o ministro Augusto Heleno, que recebeu US$ 1.426 por percentuais entre 50% e 70% de cinco diárias. 

Segunda despesa mais cara, a hospedagem custou U$ 78,4 mil (cerca de R$ 437 mil). Os dólares foram drenados para o pagamento de diárias em quatro hotéis: Hilton Miami Downtown (US$ 22,8 mil), Miami Marriott Biscayne Bay (US$ 26,2 mil), Hilton Singer Island Oceanfront/Palm Beaches Resort: (US$ 9 mil) e Hampton Inn South Jacksonville (US$ 20.3 mil). A Presidência da República, no entanto, não informou os nomes dos servidores ou dos convidados hospedados, tampouco enviou o detalhamento da quantidade de diárias em cada hotel.

O terceiro item mais caro do roteiro presidencial foi o custeio com “despesas aeroportuárias”, que consumiram US$ 67,4 mil (cerca de R$ 376 mil) dos cofres da União. A Presidência informou que este campo de gastos diz respeito a “taxas cobradas pelo aeroporto, comissária aérea, serviços de aluguel de equipamentos com escada, limpeza, etc”.

Em resposta ao pedido de informação, a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) alegou que os detalhes dos custos aeroportuários estão sob sigilo legal: “Em Miami foi de US$ 50.548,76, e em Jacksonville foi de US$ 16.825,43, sendo que o detalhamento dos gastos está protegido por sigilo, conforme disposto no art. 24, § 2º da Lei 12.527, de 18 de novembro de 2011”, alegou o órgão.

Escalada de valores

As contas da empreitada diplomática de Bolsonaro na Flórida mostram que a viagem de quatro dias foi a mais cara entre todas as comitivas internacionais da atual gestão. Um comparativo entre os gastos das missões presidenciais ao exterior revela que a visita oficial aos Estados Unidos custou o dobro de uma viagem anterior de 19 dias a cinco países. 

O roteiro percorrido em outubro de 2019 com escalas no Japão, China, Emirados Árabes Unidos, Catar e Arábia Saudita foi o mais longo desde a posse, e custou R$ 1 milhão, segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo.  

Outro conjunto de dados obtido pelo Fiquem Sabendo por meio da Lei de Acesso à Informação aponta que, entre janeiro e 23 de setembro de 2019, a Presidência desembolsou R$ 1,2 milhão por outras nove viagens internacionais. A ida a Osaka, no Japão, para o encontro de cúpula do G-20 foi a segunda maior despesa daquele ano, custando R$ 331 mil à Presidência em 16 dias. A ida a Davos (Suíça) para o encontro do Fórum Econômico Mundial, gerou gastos de R$ 278 mil.

Mais de dois meses após a viagem de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos, o presidente americano, Donald  Trump, anunciou a proibição de entrada de viajantes vindos do Brasil após a escalada de infecções e mortes por coronavírus. A decisão foi divulgada no último dia 24 de maio: “Não quero que as pessoas venham aqui e infectem o nosso povo”, declarou Trump.

Gastos da comitiva presidencial nos EUA:

Despesas Aeroportuárias

US$ 67.474,19 (R$ 376.094,39)

Hospedagem:

US$ 78.479 (R$ 437.434,10)

Diárias: 

US$ 184.518 (R$ 1.028.484,88)

Seguro Viagem

US$ 6.938,80 (R$ 35.606,45)

Chips de celular

US$ 505,35 (R$ 2.593,20)

Total

US$ 337.815,34 (R$ 1.733.499,42) 

Diárias e passagens de servidores do MRE:

Miami 

R$ 141,902.32 

Jacksonville

R$ 202.520,20 

Total 

R$ 344.422.52

*Cotação do dia 04/06 

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