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Parceria Corinthians e Immortals 'acertou em cheio' no Free Fire

Jogadores do Corinthians comemoram o título mundial no Free Fire (Divulgação)

No último fim de semana, o Corinthians conquistou seu segundo título seguido no Free Fire com cerca de dois meses de operação no game. Após ganhar o campeonato brasileiro, o Timão levou o Mundial no Rio de Janeiro em um final emocionante, ultrapassando os russos da Sbornaya ChR apenas na última queda.

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Tudo isso acontece pouco menos de dois meses após o Corinthians entrar no Free Fire através de uma parceria - joint venture (JV) - com a Immortals Gaming Club (IGC), um dos principais nomes da atualidade no mercado de esports. A IGC já é uma velha conhecida dos fãs brasileiros, já que é detentora das escalações brasileiras de Counter-Strike: Global Offensive e Rainbow Six Siege que operam sob o banner tão famoso do MIBR, além de ter assumido o controle da Gamers Club, a principal plataforma de CS:GO do Brasil.

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Após o título mundial do Corinthians no Free Fire, o Yahoo Esportes teve a oportunidade de conversar com o CEO da IGC, Ari Segal, sobre a parceria com o Timão e o investimento da Immortals no desenvolvimento dos esports no Brasil.

Como funciona a parceria entre Corinthians e Immortals?

A contribuição primária de cada parte é que o Corinthians contribui com a sua marca e a Immortals entra com seu expertise em operações e infraestrutura para os esports. A combinação dessas duas coisas explica porque achamos compatibilidade de produto e mercado tão rápido. Todo mundo no Brasil e na América do Sul conhece o Corinthians, mas ele não é conhecido por trabalhar com esports. Todo mundo que está nos esportes conhece Immortals, IGC e MIBR, mas nenhuma dessas marcas é tão pesada, principalmente em São Paulo, quanto o Corinthians. Quando você pega uma grande marca e uma grande operação, colocando elas com um jogo que tem um momento como o Free Fire, você pode chegar em algo muito especial.

Vocês pensam em ter mais escalações nesta parceria?

Isso é uma JV que não é específica para um jogo, mas para cobrir as ambições do Corinthians Esports no mercado atual. Ao passar do tempo, esperamos ter mais escalações competindo com o escudo do Corinthians. Mas devo dizer que o crescimento do Corinthians Free Fire excedeu todas as expectativas que tínhamos, e as vezes é melhor seguir o momento de uma nave espacial do que pensar em lançar foguetes adicionais. Se verificarmos a página de YouTube do Corinthians Free Fire, ela ganhou cerca de 90 mil inscritos em cinco dias. Saiu de 400 mil inscritos para quase 500 mil em três dias. Quando fechamos a JV, colocamos um alvo de ter uma página com 500 mi inscritos em um ano. Nós vamos alcançar esse objetivo em quatro semanas. Ao passar do tempo, esperamos ter mais times, mas vimos que acertamos em cheio com o Free Fire e queremos dar a atenção e o cuidado necessário neste tempo.

Dois títulos em um curto espaço de tempo ajuda, né?

Sim, ajuda. Nós amamos títulos! 

Quando a IGC adquiriu o elenco de Counter-Strike brasileiro, o então CEO Noah Winston disse que investiria no desenvolvimento do mercado no Brasil. Como a IGC avalia o investimento até o momento?

Nós adquirimos o elenco de Counter-Strike em junho ou julho do último ano. Em dezembro de 2018, nós adquirimos a Gamers Club. Se você pensar, a GC é uma grande estrutura dentro da marca da MIBR. Ter esses dois assets e a combinação deles nos faz pensar que colocamos energia e damos apoio ao crescimento dos esports no Brasil e na América do Sul, não só no Counter-Strike. Onde estamos nesse processo. No fim do ano, a Gamers Club terá mais de um jogo. A plataforma já expandiu para mais locais e mais idiomas. No momento, a GC está empregando cerca de 100 pessoas, todas relativamente jovens e brasileiras em vagas técnicas com salários altos. E com o crescimento da GC, não temos nenhuma intenção de tirar a sede de Sorocaba. Desde então nós também entramos no Rainbow Six com a marca MIBR. Estamos trabalhando com mais parcerias com marcas e empresas brasileiras, então estamos empolgados e continuamos nosso esforço para ajudar no crescimento dos games no Brasil.

Na matéria original sobre a JV, publicada pela ESPN Brasil, havia um rumor de que a equipe de Rainbow Six poderia passar a representar o Corinthians. Existe essa possibilidade?

MIBR é a maior marca de Counter-Strike do mundo e a maior marca de esporte da América do Sul, segundo dados que obtivemos. Por mais que estejamos empolgados com a marca Corinthians, as pessoas dividem suas torcidas entre Corinthians, Flamengo e outros times, mas todos podem torcer pelo MIBR. Pensamos no MIBR como um misto entre um time e uma seleção. Mesmo o R6, acho improvável que façamos um rebrand. Mas quando adquirimos o MIBR, não achávamos que iriamos adquirir a Gamers Club ou o Draft5 ou que entraríamos em uma JV com o Corinthians. Acho que um dos motivos que nos fizeram crescer com sucesso em diferentes dimensões é que por mais que tenhamos uma visão de mercado e uma estratégia, nos mantemos flexíveis durante o processo.

Você acha que o sucesso dessa parceria pode mostrar o caminho para mais equipes de esportes “tradicionais” entrarem nos esports?

Eu não sei. A parte empolgante dos games é que é algo global. E se o mundo inteiro é a seu quadro, então não há um limite para o número de equipes de esportes tradicionais que passam ter a ideia de entrar neste mundo e que a marca deles seja boa para isso, mas que eles não têm a parte operacional. Por outro lado, o momento tem revelado que as barreiras que colocamos entre diferentes tipos de conteúdos estão diminuindo cada vez mais. Ser uma marca de Counter-Strike, de Rainbow Six ou de futebol tem menos importância do que o fato de você ser uma marca que se identifica com o público. Acho que uma marca ligada a música pode ser tão inclinada a entrar nos esports quanto uma marca esportiva. Entrar nos esports é importante para tentar se conectar com um público demográfico. Com certeza acho que esta não é a última forma de JV, mas não imagino que seja limitada a parceiros ligados ao esporte e ao futebol. 

Para fechar, existe um problema caso esta parceria queira ter um time de League of Legends (a IGC adquiriu a empresa dona da Optic Gaming, ficando com uma vaga na NA LCS). Vocês já pensaram em alguma solução para o problema?

Hoje, digo que é improvável que exista um time de League of Legends com a marca do Corinthians e operado pela IGC. Mas existem inúmeras formas para que esta parceria evolua e diversas formas de evolução do ecossistema. Manter dialogo aberto com o nosso parceiro Corinthians, manter os desenvolvedores  cientes do que estamos fazendo e assegurando que estamos seguindo as regras criadas por eles, além de ter uma conversa aberta com a Riot Games para entender como podemos ajudar o ecossistema. É neste ponto em que estamos neste momento, mas cheque comigo novamente em alguns meses para uma atualização.

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