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Coreógrafa Lia Rodrigues estreia em Paris novo espetáculo produzido na Maré

·2 min de leitura

O espetáculo de dança "Encantado", de Lia Rodrigues, encerra a programação imaginada pela coreógrafa brasileira para o Festival de Outono de Paris. O espetáculo estreou na quarta-feira (1°) no Teatro de Chaillot da capital francesa, depois de nove meses intensos de criação, durante a pandemia.

Em cena, onze bailarinos da companhia de Lia Rodrigues, sediada no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, e de onde são originários vários dançarinos.

“Eu fico encantada pelo fato de poder fazer um trabalho de dança no Brasil hoje. A gente tem um presidente genocida, que tem um projeto de destruição não só do meio ambiente como da cultura e de todas as instituições democráticas no Brasil. Então eu acho que é muito importante falar que a gente conseguiu montar um projeto de dança dentro do Centro de Artes da Maré”, conta a coreógrafa.

Para ela, o espetáculo é uma forma de resistência ao atual governo brasileiro. “Eu acho que a gente pode ligar a festa à resistência. A festa no Brasil tem um significado muito forte”, diz Lia, sobre o espetáculo, em que os bailarinos se cobrem um a um com cobertores que são oferecidos aos moradores de rua do Rio de Janeiro, “principalmente agora, com o aumento gigantesco da pobreza”.

Lia explica que "Encantado" são entidades da cosmogonia afro-ameríndia: “São seres que ficam entre o céu e a terra, habitam lugares da natureza.”

Lia Rodrigues é uma embaixadora da dança contemporânea brasileira na França. O Festival de Outono, o tradicional evento de artes plásticas, dança, teatro e música de Paris, a homenageou nesta 50ª edição dedicando uma programação especial à coreógrafa brasileira.

“Este retrato coletivo é o mais parecido com o jeito que eu penso a vida”, finaliza Lia Rodrigues.


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