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A Coragem da Mãe

·12 min de leitura

Era uma vez uma família de Patos, que vivia numa Aldeia pequena onde todos conheciam todos e eram amigos de todos.

O pai Pato trabalhava na pesca para sustentar a sua família que tanto amava e a mãe Pato trabalhava no hospital para cuidar dos pacientes da Aldeia. Era uma família bondosa, que estava sempre disposta a ajudar quem precisasse.

Certo dia, a mãe Pato chegou em casa muito feliz e anunciou aos membros da família que estava esperando um Patinho, então a felicidade se espalhou por toda Aldeia e várias famílias foram convidadas para a festa do grande acontecimento. Afinal, tinha sido dito pelos Deuses que aquele seria o novo Rei da Aldeia e nele estava depositada a esperança para oferecer uma vida ainda melhor e mais tranqüila aos membros da comunidade.

Infelizmente, as Aldeias viviam um período muito difícil por conta da guerra que ficava cada vez mais feroz e muitos morriam todos os dias. Esta situação provocou medo e tirou esperança de todos que viviam nas Aldeias. A mãe Pato, vencida pelo medo, decidiu não mais ter o Patinho que tanto esperava e se acreditava ser o grande Rei para uma Aldeia mais forte e mais segura, pois percebeu que a guerra certamente não deixaria isso acontecer e caso precisassem fugir para outras Aldeias sem guerra, seria difícil fazê-lo no estado em que ela se encontrava.

Sem pensar muito e nem consultar o pai Pato, começou a fazer tudo que podia para que perdesse o Patinho. Alguns meses depois, ela já não sentia os movimentos do Patinho, então foi correndo para o hospital e contou ao médico o que vinha fazendo para perder o Patinho. O médico examinou a mãe Pato e disse que ela tinha perdido o Patinho. O pai Pato e todos da Aldeia ficaram muito tristes com a terrível notícia, mas minutos depois a mãe Pato começou a sentir algumas dores estranhas e, repentinamente, ainda na sala do médico, nasceu o Patinho, o qual foi dado o nome de Matondo.

O médico ficou surpreso, pois Matondo nasceu alguns meses antes do tempo, mas era uma criança de aparência forte, embora pudesse ter alguns problemas por consequência do que a sua mãe havia tomado para que ele não nascesse. A família Pato e toda Aldeia de Matondo, mais uma vez, voltou a sorrir, apesar da guerra que estava cada vez mais feroz e, naquele momento, muito próxima deles. O pai de Matondo estava fazendo planos para fugir com sua família, mas era uma família grande e a mãe Pato ainda estava no hospital, muito fraca e sem condições físicas para andar mais de mil quilômetros a pé. A mãe Pato sabia que seria quase impossível fugirem todos juntos, mas o pai Pato não concordava com isso e tal fato, por muitas vezes, causava discussão entre eles. Certo dia, ainda no hospital, a mãe Pato mandou chamar o pai Pato e pediu que ele levasse Matondo para casa e mandasse o resto das crianças para uma festa em casa de sua irmã. Sem entender nada, o pai Pato fez tudo como pediu a mãe Pato, mas antes de sair do quarto ela fez-lhe prometer de salvar a vida de Matondo fugindo e depois vindo buscar o resto da família. Depois disso se abraçaram fortemente, choraram e fizeram juras de amor. No fundo, mãe Pato sabia que aquele poderia ser o último encontro com o seu amado marido, contudo o jovem Rei precisava ser salvo e seguir seu destino.

Mas, como esperar que o pobre menino resistisse à falta de sua mãe, a falta do leite materno, do carinho, do afeto, do calor e de toda a ternura que liga os filhos às suas mães? Será que o jovem Rei sobreviveria a tantas dificuldades? Será que valia a pena correr tantos riscos, mesmo não tendo certeza de nada? Será que era o certo? Parecia que a família Pato não tinha muitas opções, era triste toda situação que eles viviam, mas era igualmente necessário tentar a fuga para outro lugar.

Contrariado, o pai Pato e o pequeno Rei, que só tinha poucas semanas de vida, juntamente com outros milhares, seguiram um longo e penoso caminho em que muitos morreram de doenças, fome, sede, envenenamento de cobras e ataques de leões. Milagrosamente, pai Pato e Matondo chegaram vivos ao seu destino, mas o cansaço e o abatimento físico eram visíveis. Infelizmente, muitos amigos da família de Matondo acabaram ficando pelo meio do caminho. Nesta nova Aldeia, que na verdade era uma grande cidade com o nome de “Leões Indomáveis”, foram recebidos pelos Marfins, os quais cuidavam da saúde dos Patos e todos que precisassem. Os Marfins levaram as mães Pato, os pais Pato, com seus respectivos bebês Pato para um lugar estranho e muito grande, onde havia pássaros enormes.

Nesta altura, Matondo já tinha 16 meses e se maravilhava com tudo que via, mas o pai Pato era consumido pela dor de não saber como estaria a mãe Pato e os outros filhos que deixou para trás, mas nada poderia fazer para ajudá-los. Enquanto Matondo brincava com outras crianças, o pai Pato encontrou o Pombo Mensageiro, que era muito seu amigo nos tempos idos. Foi uma grande alegria para o pai Pato reencontrar seu velho amigo e, principalmente, saber que estava bem de saúde, apesar de ter tido uma asa quebrada ao tentar fugir de uma Mukunza faminta.

A Pomba não trazia boas notícias para o seu amigo. Disse ao pai Pato que o hospital onde a mãe Pato estava internada, a fim de que fosse curada das seqüelas do nascimento de Matondo, havia sido bombardeado pelos Lusos, não restando sobreviventes. Por alguns segundos, pai Pato ficou sem palavras, as lágrimas escorriam sem parar, o seu coração se encheu de profunda dor e tristeza pela morte da mãe Pato, a qual ele tanto amava. Agora, nem sabia se os seus outros filhos estavam em vida ou não. O único consolo era ter Matondo ao seu lado, mas saber que o jovem Rei agora era órfão de mãe e não teria os seus irmãos para que crescessem juntos, como acontece em qualquer família, partia o triste coração do pai Pato.

Depois de ficarem algumas semanas na terra dos Leões Indomáveis, os refugiados foram levados pelos grandes pássaros para outro lugar melhor, numa viagem longínqua que levou horas, mas para o pai Pato parecia que se tinham passado séculos. Finalmente, eles chegam na terra das Grandes Águias e o grupo foi separado novamente, mas desta vez, o grupo foi dividido em pequenos grupinhos, cada qual enviado a várias cidades diferentes. Pai pato e Matondo foram alojados em uma casa com outras cinco famílias e não era fácil viver nesta nova cidade, porque se falava uma língua diferente e encontrar emprego era difícil, para Patos de Ébano.

Depois de alguns meses, pai Pato achou um emprego e logo se mudou para uma nova casa, onde poderia viver somente com Matondo, que nesta época já freqüentava uma creche que era exclusiva para Patos de Ébano. Não havia nada de bom naquela creche, mas era a única que pai Pato poderia pagar. O lugar estava rodeado de vários pontos de drogas e não era raro as tias irem drogadas para cuidar dos seus pequenos alunos. A situação estava complicada e, aos poucos, pai Pato foi se entregando à bebida e acabou perdendo a guarda do jovem Rei que completava cinco anos de vida e de muito pouca alegria.

Os Marfins da Águia Branca levaram Matondo para uma creche especial, onde ele poderia viver com outras pessoas que haviam perdido seus pais, mas o lugar era muito difícil e Matondo sofreu muito com a falta do pai Pato e por isso chorava todos dias. Apesar de muita tristeza e dor que todos passavam naquele lugar terrível, o jovem Rei tinha encontrado um amigo e juntos viveram muitos momentos bons e ruins naquela creche, a qual já não mais servia para as suas idades, mas ainda assim tinham de lá permanecer por falta de opção.

Matondo tinha 10 anos e o seu amigo Xá tinha 14 anos, ambos eram ótimos alunos, mas precisavam de uma verdadeira escola e não uma creche. Certo dia, enquanto Matondo e Xá dormiam, os Dragões atearam fogo ao redor da Creche. Muitos morreram queimados, mas a grande tristeza mesmo foi a morte de Xá. Era um Pato muito especial, afinal de contas tinha se tornado o amigo do grande Rei, que sofreu queimaduras no rosto e parte das costas e acabou ficando cego por seis meses, mas surpreendentemente sobreviveu às fortes queimaduras criminosas.

Quando soube que havia perdido o seu amigo ou irmão como o considerava, parecia que o mundo tinha desabado para o jovem Rei. Eram muitas perdas para serem administradas, sem criar problemas ou envolvimento com coisas erradas. Matondo tinha apenas 10 anos e já tinha perdido a mãe quando tinha apenas dezesseis meses de vida, perdeu contato com o pai Pato quando tinha cinco anos, perdeu seu amigo Xá, com quem convivera por cinco anos e, apesar de todo sofrimento que passou na Creche, agora tinha acabado de perdê-lo também.

Foram momentos terríveis, mas de alguma forma Matondo, que agora morava na rua, não era mais o mesmo: se tornara agressivo, descrente da vida, frieza no coração, desconfiança nos olhos e sem nenhum sorriso nos lábios como antes. Com o frio do inverno, sentia falta da pobreza e dos maus tratos da Creche, mas sabia que precisava encarar uma outra realidade, a realidade da violência das ruas, a realidade da sobrevivência e da luta pelo pão. Mas, por onde começar? Estava sujo e sem roupa decente: aliás, as roupas tinham sido doadas e não correspondiam ao tamanho do jovem Rei, que agora não tinha mais nenhuma majestade de espírito em seu coração, no qual só reservava dor e muito sofrimento. Era um simples Pato correndo sérios riscos de cair na panela de alguém ou acabar por cima de uma churrasqueira de final de semana.

Desesperado pela fome, pelo sofrimento e pela vida que levava nas ruas, Matondo estava exausto e caiu num sono profundo. Desta vez, não era um sono comum, porque Matondo sonhava com os anjos, com as estrelas e com as fadas, era tudo muito mágico. Durante o seu sonho, ouviu uma voz suave e aveludada dizendo:

“– Não desista! Não mate o seu coração bondoso e carinhoso! Levante-se e logo saberás o que fazer. Deixarás de ser um Pato qualquer; farei de ti um homem, assim terás mais chances”.

Matondo, ainda dormindo, acreditava que a voz parecia com a de Xá, mas como, se ele estava morto?

Ao acordar, Matondo tinha sido magicamente transformado num jovem moço, bonito, forte e mais alegre, mas estava em um outro lugar, em um outro país com um outro idioma. As pessoas o chamavam de Ori.

Ori, que já foi Pato, teve nome de Matondo e agora era homem, tinha uma namorada bela e encantadora, cujo nome era Amour Noir. Ele não conseguia entender o que tinha acontecido com ele, pois tudo lhe estava muito confuso. Parecia que tinha saltado etapas de sua história, parecia que antes de ter chegado até ali, havia etapas que antecediam a tudo isso, mas como saber e por onde começar? Será que deveria dar continuidade à vida que encontrou ou deveria, antes de tudo, entender o seu passado e descobrir os elementos que lá ficaram e, talvez assim, entender o seu presente?

Amour não parecia se preocupar muito com o passado de Ori, mas sabia que mais tarde ele teria que descobrir a sua história da qual ela já fazia parte. Foi assim que, em um belo dia de sol, enquanto Amour, Ori e seus amigos curtiam a praia, chegou uma nuvem, a qual encobriu Ori e com o desaparecimento da nuvem também desapareceu o jovem Ori, sem deixar nenhum rastro. Amour e os seus amigos não acreditavam no que os seus olhos viam, mas a verdade é que a nuvem jamais devolveu Ori.

Depois de vários meses, Amour Noir sonha com Ori, o qual lhe fez um pedido emocionado:

“– Diga se realmente me amas. Se assim sentires, terás que procurar por Kianda, para que ela possa me devolver a ti. Isso tem que ser rápido ou serei transformado em uma concha de ouro.”

Amour Noir, neste momento, lhe respondeu:

“– Mas como farei isto, se não conheço Kianda e nem sei onde encontrá-la?”

Então, Ori lhe entregou um ovo de Pata e uma vara mágica, que desapareceria assim que ela quebrasse o ovo mágico, mas se ela quebrasse um outro ovo que não o mágico, então a vara perderia a sua mágica. Por isso, pediu que ela quebrasse o ovo mágico ao amanhecer, em um único toque, desde que mais ninguém pudesse ver o ovo do Patinho mágico.

Mas, ao ir para casa, Amour Noir encontrou-se com algumas amigas que a convidaram para beber um pouco de saquê. Amour Noir acabou bebendo mais do que devia e quando chegou em casa, colocou o ovo que salvaria a vida do seu grande amor na geladeira, junto com tantos outros ovos de pata. Ao amanhecer, acordou desesperada e foi direto para a geladeira, a fim de pegar o ovo e quebrá-lo com a vara mágica, num único toque, mas ao abrir a geladeira encontrou vários ovos de pata. Confusa e com medo do tempo, pegou o primeiro ovo e quebrou com a vara mágica.

O que será que aconteceu com Ori, será que foi salvo pelo amor de Amour Noir que, por ter bebido, ficou confusa e não sabia escolher o ovo certo? Será que deu tudo certo, será que eles viveram juntos para sempre? Será que ela se transformou num ovo?

Acho que o tempo há de revelar o que aconteceu com Ori e o seu grande amor pela Amour Noir.

Na escolha individual de um candidato, há milhões que são afetados de forma positiva ou negativa. Uma escolha consciente e sóbria é o mínimo que se espera de um cidadão.

GLOSSÁRIO:

  • Ori: cabeça (língua Yuruba, falada na Nigéria pelo povo Yuruba).

  • Xá: guarda, guardião, anjo da guarda (Yuruba, falada na Nigéria pelo Yuruba).

  • Kianda: sereia (Kimbundu, falada em Angola pelo povo Kimbundu).

  • Matondo: obrigado (Kikongo, falada em Angola pelo povo Kikongo).

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