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Copom considerou alta de juros na decisão passada, diz ata da reunião

LARISSA GARCIA
·5 minuto de leitura

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Alguns membros do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, consideraram subir a taxa básica de juros (Selic) já na reunião da última quarta-feira (20) alegando preocupação com o risco inflacionário. A maioria, no entanto, decidiu esperar a publicação de indicadores econômicos mais recentes para definir os próximos passos, de acordo com a ata do encontro divulgada nesta terça-feira (26). Na ocasião, o BC manteve a taxa a 2% ao ano, renovando a mínima histórica, mas abandonou o compromisso de não subir os juros, o chamado de “forward guidance”. Segundo o documento, as projeções para inflação estão ao redor do centro da meta fixada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), de 3,75%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo. Além disso, "os riscos fiscais geram um viés de alta nessas projeções". ​"Os membros do Copom discutiram o impacto dessa assimetria no balanço de riscos [de alta na inflação] no grau apropriado de estímulo monetário. Em particular, alguns membros questionaram se ainda seria adequado manter o grau de estímulo extraordinariamente elevado [Selic baixa], frente à normalização do funcionamento da economia observada nos últimos meses", diz o texto. Com a pandemia do novo coronavírus, a autoridade monetária teve que cortar juros para estimular a economia e conter o movimento de deflação (queda nos preços) gerado especialmente pela queda no consumo. Nos últimos meses, contudo, os preços voltaram a subir e as expectativas do mercado para a inflação de 2021 e 2022 também se elevaram. "Desde a reunião do Copom de maio de 2020, quando se passou a caracterizar o grau de estímulo monetário desejado como 'extraordinário', observou-se a inversão do choque desinflacionário [de queda nos preços] ocorrido nos primeiros meses do ano, a reversão da trajetória de queda das expectativas de inflação e a redução da ociosidade econômica [baixa atividade], aproximando a projeção do cenário básico da meta de inflação no horizonte relevante", argumentou o documento. Com a retirada do "forward guidance", que é um instrumento adicional de política monetária, o Copom voltará a analisar o cenário econômico geral a cada reunião e poderá elevar a Selic, mas não especificou quando. No mercado, estima-se que os juros possam subir ainda no primeiro semestre e que terminem o ano pouco acima de 3%. Desde setembro, o Copom afirma que a alta nos preços, principalmente de alimentos e combustíveis, é temporária e deverá arrefecer no primeiro trimestre. Na última decisão, porém, o BC admitiu que o movimento tem se prolongado além do esperado. "Esses membros julgam que o Copom deveria considerar o início de um processo de normalização parcial, reduzindo o grau 'extraordinário' dos estímulos monetários", detalhou. Por fim, o comitê concluiu que, apesar da flexibilização do isolamento e da normalização no funcionamento de alguns setores, ainda há incertezas na evolução de alguns indicadores. "As próximas divulgações serão muito informativas sobre a evolução da pandemia, da atividade econômica e da política fiscal. Sendo assim, os benefícios de se aguardar essas divulgações para decidir os próximos passos da política monetária se sobrepõem aos custos. Por isso, o Copom julgou apropriado manter, neste momento, o grau extraordinariamente elevado de estímulo monetário", justificou a ata. Com a sinalização, o mercado começa a enxergar possibilidade de alta de juros antes do previsto. A Claritas Investimentos mudou as projeções depois da divulgação da ata. A gestora esperava alteração na Selic apenas no quarto trimestre, mas agora vê chance de a taxa subir já na próxima reunião, em março, apesar de prever que deva ocorrer apenas em maio. Além disso, a projeção da instituição para Selic do ano passou de 3% para 4,5%. “A ata do Copom deixa clara a preocupação com a atividade econômica, as incertezas da vacinação em relação à pandemia e quanto á responsabilidade fiscal”, disse a economista-chefe da Claritas, Marcela Rocha. Eduardo Velho, economista-chefe da JF Trust Investimentos, também aposta que a taxa básica só começará a subir em maio, quando deverá se elevar em 0,25 ponto percentual. “O BC está sendo apenas mais transparente no tocante às opiniões dos membros e não significa que vai aumentar os juros em março, pois há muito assimetria do lado da atividade [renda] mas, sobretudo do fiscal”, afirmou. O economista manteve as projeções em 3,5% para 2021 e 4,5% até junho de 2022. Para Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, a Selic permanecerá a 2% ao ano até o fim de 2021. “A ata foi surpreendente ao revelar que já na reunião de janeiro alguns membros gostariam de reduzir o estimulo extraordinariamente elevado, uma vez que, segundo eles, observou-se reversão do choque desinflacionário, convergência das expectativas e redução da ociosidade”, comentou. O analista disse discordar da autoridade monetária. “Desde o inicio do segundo semestre observa-se um choque inflacionário e não uma reversão. A convergência para a meta é oriundo de uma parcela da economia relativamente insensível à política monetária, vide que bens e serviços permanecem em patamar baixíssimos.” “Por enquanto, e dada a conjuntura econômica que irá se impor ao Brasil, já nesse primeiro trimestre, de saída do fiscal e desemprego se revelando elevado, mantenho a previsão de que os juros deverão subir apenas a partir de 2022, mas como projetamos o que o BC irá fazer, a ata de hoje mantém aceso o sinal de alerta iniciado no comunicado”, completou. O texto traz ainda a preocupação do BC com a retomada da atividade econômica brasileira. Para o Copom, a evolução da pandemia e o fim do auxílio emergencial podem gerar um crescimento ainda mais gradual ou "até uma reversão temporária da retomada econômica". Alguns membros argumentaram que dados do mercado de trabalho formal sugerem que a atividade tenha recuperação mais rápida do que o previsto, mas a maioria considerou que "outros dados do mercado de trabalho não avalizam essa conclusão". O controle da inflação é a principal atribuição da autoridade monetária. Para isso, o BC define a meta da taxa básica de juros.