Mercado fechado

Copel Comercializadora obtém autorização para negociar transporte de gás

SÃO PAULO (Reuters) - A Copel Comercializadora, subsidiária da estatal paranaense Copel, recebeu autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para oferecer o serviço de carregamento de gás natural no Brasil, em um momento em que o país busca atrair mais players para o setor.

Na prática, a companhia que atua no mercado livre de energia poderá negociar o transporte do gás comercializado pela empresa diretamente com os donos dos gasodutos que passam pelo país.

Em 2019, a Copel já havia obtido autorização da ANP para importar e exportar gás natural e para comercializá-lo em todo o território nacional.

"Com esta nova autorização, a Copel Comercializadora está apta para ser agente ativo em todos os segmentos do mercado de gás natural assim que o governo federal implementar as medidas previstas para a abertura deste segmento", explicou o diretor-geral da subsidiária, Franklin Miguel, em nota nesta sexta-feira.

Como o principal gasoduto por onde circula o gás natural no Brasil pertence ao governo boliviano e à Petrobras, esse mercado exige a figura do carregador, notou a Copel.

"Já que obtivemos autorização para comercializar, entendemos que é vantajoso para os nossos clientes podermos negociar o carregamento também”, explicou o diretor.

A comercialização do gás natural pode ser realizada junto a grandes indústrias que utilizam o gás como insumo e que podem escolher seu fornecedor no mercado livre de gás natural, criado em 2009 pela chamada Lei do Gás.

Ao final de maio a Petrobras, que concentra a maior parte da produção e comercialização do gás natural no Brasil, afirmou que havia iniciado procedimentos para dar acesso aos demais produtores no Brasil às suas unidades de processamento do insumo.

De acordo com o modelo em implantação, as instalações da Petrobras passarão a atuar como processadora de gás natural fornecido por outros agentes.

As autorizações obtidas pela Copel Comercializadora também são estratégicas para negócios e ativos da própria companhia que têm o gás natural como insumo, como é o caso da Usina Elétrica a Gás de Araucária (UEGA), gerida pela companhia em parceria com a Petrobras, e da distribuidora de gás natural Compagas, que tem a Copel como principal acionista.

Na avaliação da Copel, o mercado de gás natural deve crescer de modo significativo nos próximos anos, devido à regulamentação federal em curso e por conta da grande disponibilidade de gás natural nas reservas do pré-sal.



(Por Roberto Samora)