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Contra racionamento, governo inaugura térmica com energia mais cara do país

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 28.09.2020 - O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 28.09.2020 - O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, participou nesta quarta-feira (28) de cerimônia de reinauguração da térmica William Arjona, a usina de energia mais cara do país, com custo de R$ 1.741 por cada MWh (megawat-hora) gerado.

Localizada em Mato Grosso do Sul, a térmica estava parada desde 2017 e a retomada das operações foi antecipada para ajudar a enfrentar a seca sobre os reservatórios das principais hidrelétricas brasileiras.

Para especialistas, a estratégia de enfrentamento da crise, focada até o momento no aumento da oferta, é arriscada e coloca ainda mais pressão sobre a conta de luz, já que contempla a contratação de fontes geradoras mais caras.

Embora use gás natural como combustível, a William Arjona terá tarifa maior do que usinas a óleo diesel, geralmente mais caras. A segunda térmica mais cara do Brasil, Xavantes, em Goiás, tem custo de produção de R$ 1.464 por MWh.

Em relação a térmicas movidas a gás natural, a diferença é ainda maior. Até o início das operações de William Arjona, a usina mais cara com esse combustível era Araucária, no Paraná, com R$ 1.138 por MWh.

A título de comparação, o custo da térmica William Arjona é três vezes superior ao já pressionado valor praticado hoje no mercado livre de energia e mais dez vezes o preço médio de contratação de energia eólica em leilões do governo entre 2005 e 2019, de R$ 152 por MWh.

Em discurso durante a cerimônia desta quarta o ministro de Minas e Energia disse que a reinauguração foi possível graças a esforço conjunto do governo e do Congresso, "que criaram o ambiente para que esse empreendimento pudesse voltar a operar nesse momento tão importante para o setor elétrico nacional".

A térmica William Arjona tem capacidade para gerar 191 MW, o equivalente a metade do consumo da capital de Mato Grosso do Sul. É operada pela Delta Energia, que comprou o ativo do grupo Engie.

O presidente da Delta Geração, Luiz Fernando Vianna, disse que a antecipação da retomada das operações é a contribuição da empresa para enfrentar a crise hídrica. "A usina vai contribuir para que o Brasil passe por essa crise sem necessidade de medidas extremas", afirmou.

O governo vem buscando usinas sem contrato para reforçar o sistema elétrico até o fim do período seco, quando os reservatórios das hidrelétricas tendem a cair. Nesta segunda (26), o ONS abriu chamada interessados em participar do programa, com foco em usinas a biomassa.

Executivos do setor, porém, mostram preocupação com os efeitos da estratégia sobre a conta de luz, já que o custo dessas novas usinas será rateado por todos os consumidores de energia do país.

ara especialistas do Instituto Clima e Sociedade, a estratégia adotada até agora é "negacionista", ao tentar passar tranquilidade à população enquanto se busca soluções mais caras para tentar resolver o problema.

Em mesa-redonda com jornalistas nesta terça (27), o instituto defendeu um esforço para incentivar a população a economizar energia, reduzindo o custo de gestão da crise e o risco de que a escassez de água se mantenha em 2022.

Em entrevista após a reinauguração da usina, o ministro voltou a defender que a situação está sob controle. "Isso não é motivo de preocupação para a sociedade", disse, segundo vídeo divulgado pelo MME.

"Não vai faltar energia. Estamos adotando medidas nesse sentido desde o ano passado quando observamos que as afluências das principais bacias hidrográficas estavam muito baixas", afirmou, reforçando estratégia de buscar "todos os recursos que temos dentro do sistema instalado no Brasil".

O primeiro programa voltado à demanda está sendo finalizado e será apresentado nas próximas semanas, segundo o MME. O programa, porém, tem foco apenas na indústria e na garantia de suprimento nos horários de maior consumo, com o deslocamento da produção para períodos de demanda mais baixa.

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