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Contra a geosmina, Cedae prevê agora construção de estações de tratamento por R$ 180 milhões

·5 min de leitura

Há dois verões, moradores da Região Metropolitana reconhecem, pelo paladar e pelo olfato, a ausência de saneamento básico quando abrem as torneiras de casa. A geosmina, composto orgânico que deixa a água com gosto e odor, prolifera em meio ao esgoto espalhado pelos principais rios que abastecem a Estação de Tratamento do Guandu, em Nova Iguaçu. A cada crise, um projeto milagroso é anunciado até aparecer o seguinte. O mais recente divulgado pela Cedae é a construção de duas Unidades de Tratamento de Rios, barreiras que recolhem sedimentos tratados com produtos químicos, a um custo de R$ 180 milhões por um ano. Outra iniciativa partiu da prefeitura do Rio, que sancionou uma lei prevendo multa R$ 500 mil para a empresa que distribuir água de má qualidade aos cariocas.

A nova legislação ainda não tem data para ser implantada porque depende de regulamentação. Caberá ao município, por exemplo, definir qual órgão vai atestar que a água não atende a padrões como potabilidade e ausência de cheiro e odor. Uma vez que a lei cita como infrator o responsável pela distribuição, hoje duas empresas poderiam ser alvos de multa. Uma delas é a concessionária Aegea, que venceu o leilão para operar na Baixada e nas zonas Norte e Sul da capital. No outro lado, está a própria Cedae que ainda cuida da gestão da água na Barra da Tijuca e em Jacarepaguá pelo menos até fevereiro, quando a Iguá assume o serviço na região.

Em nota, a Aegea lembrou que a captação e o tratamento de água continuarão com a Cedae. A empresa diz que fará análises de água e acionará os orgãos reguladores se algum índice sair dos parâmetros. Também por nota, a Cedae disse que cumpre todas as obrigações legais e está aberta aos órgãos de fiscalização, além de divulgar relatórios sobre qualidade da água. “Já há legislação que supre essa função fiscalizatória e uma nova lei parece retrabalho”, afirma, em texto, a estatal.

Bombeamento

As duas UTRs vão substituir o projeto de um dique, que teve edital lançado em abril e previa um custo de R$ 132 milhões. Este, por sua vez, assumiu o lugar da proposta de uma barragem com geobags (gigantescos recipientes de material sintético cheias de areia), que seria construída para impedir a entrada de esgoto no Rio Guandu. A Cedae diz ter desistido do dique — que, desde a primeira crise da geosmina, em janeiro de 2020, foi ressuscitado e suspenso duas vezes — devido a questionamentos feitos por especialistas e pelo Ministério Público do Rio, que encontrou inconsistências no Estudo de Impacto Ambiental.

Por causa dos questionamentos, o próprio presidente da Cedae, Leonardo Soares, que assumiu o cargo em junho, determinou a suspensão do projeto, que já havia recebido até propostas dentro do processo licitatório.

— Achei prudente fazer uma reavaliação antes de gastarmos R$ 130 milhões numa obra que gera debates há dez anos e não é unanimidade. Inclusive, desconheço qualquer barragem que tenha sido autorizada depois da tragédia de Brumadinho. Então, minha suspeita é que não se ia conseguir um licenciamento ambiental — explicou Soares.

Em meio às dúvidas sobre o projeto do dique, Soares afirmou que a prioridade foi determinar medidas imediatas que possam prevenir problema no próximo verão. A primeira ação já vem sendo tomada, na verdade, desde abril, quando se iniciou o bombeamento de 1 m³/segundo da água do Rio Guandu para a lagoa de captação da Estação de Tratamento, o que aumenta a circulação hídrica e inibe proliferação de algas, que é, na ponta da linha, a causadora da geosmina. Satisfeita com resultado até aqui, a Cedae vai aumentar o volume bombeado. Já há uma nova licitação sendo preparada para dezembro, para que se chegue a 5m³/s.

Mas a principal aposta é na construção das UTRs em pontos de deságue na lagoa. Uma no Rio Queimados, que é alimentado pelo Rio Poços, e outra no Rio Ipiranga. A obra é uma parceria com a Secretaria estadual de Meio Ambiente (SEA), que só fará a construção definitiva em abril do ano que vem. Mas, para se antecipar ao verão, a Cedae fará uma operação de contingenciamento em dezembro, ao custo de R$ 30 milhões, no Rio Queimados. Na prática, o tratamento já funcionará da forma prevista, faltando apenas o acabamento da estrutura externa.

— UTRs funcionam em outros locais, como, por exemplo, no Rio Carioca, no Flamengo. Então, é uma tecnologia já testada — disse o presidente da Cedae.

Diretor de Saneamento e Grande Operação da Cedae, Daniel Okumura explicou que o benefício da UTR é eliminar quase 100% do fósforo, principal nutriente que alimenta as algas:

— A UTR retira lixos flutuantes e quase 100% do fósforo através do processo de flotação. São lançadas microbolhas na água que funcionam como um colchão drenante, jogando o poluente para cima, e aí fica como uma espuma na superfície da água que é, então, retirada.

Até água oxigenada

Outras medidas tomadas pela Cedae são o replantio de 1,5 milhão de mudas nas margens do Rio Guandu e o pedido de autorização para uso de água oxigenada, que inibe cheiro e cor da água, no caso de alguma crise de geosmina ou 2MIB, substância que também deixa água com odor e cheiro. Esse conjunto de ações, porém, não é a solução definitiva para a Bacia do Guandu, que, segundo o Plano Estratégico do Comitê Guandu, dependeria de investimentos de até R$ 1,4 bilhão para ser revitalizada. Entusiasta da concessão de serviços da Cedae, Leonardo Oliveira afirma que os gastos das novas concessionárias — que estão assumindo a distribuição da água e a coleta e o tratamento de esgoto em breve — trarão a solução hídrica necessária, a médio e longo prazo.

Destaque do Rio:

Apesar de considerar a proposta das UTRs um avanço em relação à ideia do dique, o engenheiro sanitário da Uerj Adacto Ottoni considera que as unidades deveriam ser colocadas em outros pontos dos rios para serem mais eficientes.

— A carga principal de esgoto é gerada quando os rios passam pelos núcleos urbanos, a vários quilômetros de distância de onde querem colocar as UTRs — explica Ottoni, que defende o plano de usar estações de tratamento biológico, a fim de não causar risco à biodiversidade da bacia.

Já o MPRJ fez duas reuniões sobre o assunto com o governo estadual e cobrou informações sobre a legalidade do licenciamento das UTRs.

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