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Contra dengue: empresa modifica mosquitos geneticamente e vai soltá-los nos EUA

Nathan Vieira
·3 minuto de leitura

As doenças transmitidas pelo Aedes aegypti — zika, dengue e chikungunya — continuam sendo uma verdadeira preocupação para a ciência, e foi com essa preocupação em mente que a empresa de biotecnologia Oxitec criou mosquitos geneticamente modificados (GM) em laboratório. A ideia é justamente combater as doenças.

Para se ter uma ideia, de acordo com dados do Ministério da Saúde, entre janeiro e dezembro de 2019, foram confirmados 10.319 casos de dengue e 141 mortes. Para chikungunya, foram 65.840 casos confirmados e 36 mortes. Com menor incidência, a zika teve 3.625 casos confirmados e 4 mortes.

Nos EUA, os mosquitos estão cada vez mais resistentes à forma mais comum de controle, e os cientistas precisam de técnicas novas e melhores para controlar os insetos e as doenças que eles transmitem. Para isso, há os mosquitos da Oxitec, geneticamente alterados para passar o que a empresa chama de genes “autolimitantes” para seus descendentes. O que acontece é que quando os machos geneticamente modificados são liberados, eles se reproduzem com mosquitos fêmeas selvagens, e a geração seguinte não sobrevive até a idade adulta, o que reduz a população de mosquitos.

Nova técnica promete reduzir a população de fêmeas de Aedes aegypti, que são as responsáveis pelas doenças (Imagem: Mohamed Nuzrath/Pixabay)
Nova técnica promete reduzir a população de fêmeas de Aedes aegypti, que são as responsáveis pelas doenças (Imagem: Mohamed Nuzrath/Pixabay)

A Oxitec tem proposto a liberação experimental de mosquitos geneticamente modificados desde 2011, mas o plano vem gerando debate entre os cientistas e medo sobre os possíveis efeitos que esses mosquitos podem ter na saúde humana e no meio ambiente. Os mosquitos da Oxitec, intitulados OX5034, são os primeiros mosquitos geneticamente modificados aprovados para liberação nos Estados Unidos.

A empresa já fez um teste com os mosquitos no Brasil e lançou mais de um bilhão de uma versão anterior ao longo dos anos. Ela ainda afirma estar confiante na eficácia e segurança da tecnologia. A Oxitec descreve seus mosquitos como “amigáveis”, porque eles só libertam machos, que, ao contrário das fêmeas, não picam humanos nem transmitem doenças.

Mosquitos geneticamente modificados

No laboratório, a empresa faz a engenharia genética dos mosquitos, dando aos insetos o gene “autolimitado” que torna as fêmeas dependentes do antibiótico tetraciclina. Sem a droga, elas devem morrer. Os mosquitos precisam de água para deixar os ovos, e quando a equipe da Oxitec adicionar água às caixas em que os mosquitos serão colocados, tanto machos quanto fêmeas geneticamente modificados passam a surgir. Sem tetraciclina presente na caixa, espera-se que as fêmeas GM morram ainda enquanto larvas.

Já os mosquitos machos sobreviverão e carrearão o gene, e quando saírem das caixas, os insetos irão acasalar com fêmeas selvagens para passar o gene para a próxima geração. Assim, a ideia é que a população local de mosquitos femininos seja cada vez mais reduzida.

Os reguladores dos EUA não encontraram nenhum risco no uso de tetraciclina na criação de seus mosquitos geneticamente modificados. Mas alguns cientistas acham que a presença desse antibiótico no meio ambiente representa um risco.

Laboratório cria mosquitos geneticamente modificados para combater dengue, zika e chikungunya (Imagem: shammiknr/Pixabay)
Laboratório cria mosquitos geneticamente modificados para combater dengue, zika e chikungunya (Imagem: shammiknr/Pixabay)

No entanto, os moradores da região onde a empresa planeja colocar em prática sua tecnologia não mostra confiança, e pede maior regulamentação. Em resposta, os especialistas apontam que muitos daqueles que desacreditam as evidências da Oxitec não entendem a tecnologia, mas que sem a confiança e o entusiasmo do público, não importa se a técnica funciona: se não há cooperação dos próprios moradores, isso "acaba fortalecendo justamente os mosquitos".

A Oxitec tem mostrado que a abordagem reduz uma população de mosquitos alvo em ensaios, mas ainda não está claro quais recursos são necessários para sustentar a tecnologia, quanto tempo pode levar para ser eficaz ou o custo.

Em contrapartida, pesquisadores da Universidade de Yale e colaboradores brasileiros analisaram o lançamento do OX513A da Oxitec em 2015 no Brasil, e confirmaram que alguns filhotes dos mosquitos geneticamente modificados, que deveriam morrer e não passar novos genes para a população selvagem, sobreviveram até a idade adulta. Na época, a Oxitec chegou a responder esse estudo apontando “inúmeras alegações e declarações falsas, especulativas e não comprovadas sobre a tecnologia de mosquitos da Oxitec”.

Fonte: Canaltech

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