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Contadora cria empresa para ajudar mulheres empreendedoras

·2 min de leitura

RIO — A distância que separa a Zona Norte da Zona Sul é uma velha conhecida de Ludmila Hastenreiter. Por mais de uma década, a contadora se deslocava, diariamente, de Irajá, onde mora, aos bairros considerados mais nobres da cidade para estudar e trabalhar. Nesse ir e vir, mulheres trabalhadoras cruzavam o caminho da filha de uma técnica de enfermagem e de um serralheiro que foi a primeira da família a concluir um curso superior. Eram diaristas, ambulantes, manicures, ou melhor definindo-as, empreendedoras individuais. Invisíveis para muitos, elas não passaram despercebidas pela também empreendedora, que decidiu usar os seus conhecimentos contábeis em favor de suas iguais.

Há três anos, a empresária desistiu de ter um emprego formal para criar um negócio que garantisse a sua autonomia financeira ao mesmo tempo em que atendesse às necessidades de quem não tem a menor ideia de como lidar com as burocracias que envolvem, por exemplo, o pagamento de impostos. Foi para preencher essa lacuna que a Empoderamento Contábil foi criada.

— Percebi que as mulheres periféricas que são empreendedoras individuais precisavam receber informações de gestão financeira e contábil, tudo em uma linguagem descomplicada. Comecei com ações voluntárias, eventos gratuitos, que faço até hoje, para levar algum conhecimento para elas. Com o tempo, desenvolvi uma consultoria personalizada a um preço bem popular, a partir de R$ 90, para que elas possam trabalhar na formalidade, o que é muito importante até para que consigam empréstimos que possibilitem investir no próprio negócio — observa Ludmila, que disponibiliza para contato o perfil @empoderamentocontabil no Instagram.

Apesar de ter consciência de que o acesso à internet não é algo simples para todas as trabalhadoras periféricas, em tempos de pandemia a contadora precisou promover encontros on-line para dar o seu recado. Conteúdos sobre gestão de pequenos empreendimentos também foram disponibilizados em suas redes sociais para tirar dúvidas recorrentes do seu público-alvo. Estas ações foram fundamentais até para atender à demanda, que aumentou desde o início da pandemia de Covid-19.

— Eu percebi uma procura maior da mulher que quer saber como ter um CNPJ, como se tornar MEI (Micro Empreendedora Individual), como emitir nota fiscal... Sinto que, cada vez mais, a mulher quer deixar de trabalhar com carteira assinada para conquistar uma fonte de renda sem abrir mão do contato com os filhos — diz.

A própria Ludmila sentiu o desejo de ser dona do próprio nariz:

— Fui funcionária de empresas multinacionais, mas não há nada melhor do que empreender, que é a maneira mais eficaz de trabalhar com o que se ama. Tenho certeza de que fiz a escolha certa.

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