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Consumo de serviços de infraestrutura despenca na pandemia

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Saguão do aeroporto de Belo Horizonte, em Confins. Foto: Marilia Miragaia/Folhapress
Saguão do aeroporto de Belo Horizonte, em Confins. Foto: Marilia Miragaia/Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dois novos indicadores sobre o consumo de serviços de infraestrutura no Brasil mostram que o setor cresceu menos de 5% no período acumulado de 2012 a 2019 e ainda não se recuperou da forte retração registrada desde o ano passado.

Os indicadores mostram ainda desempenho desigual entre diversos segmentos durante a pandemia. A demanda por transporte de cargas, energia e telefonia ficou praticamente estável ou cresceu durante esse período. Já os serviços de transportes de passageiros rodoviário e aéreo continuam em patamares bem inferiores ao pré-crise.

O Índice Abdib Vallya de Infraestrutura cresceu 4,78% (0,67% ao ano) nos sete anos encerrados em 2019. Em 2020, a queda foi de 8,95%, mais que o dobro da retração do PIB do país.

Em março de 2021, ainda acumulava retração de 3,41% em relação ao nível pré-pandemia e de 6,61% ante março de 2019.

"A recuperação, portanto, tem um formato de 'V' alongado, todavia ainda sem perspectivas de quando se igualará ao mesmo nível do início de sua queda", diz a Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base).

Segundo a associação, a pandemia impactou com mais intensidade o setor quando comparado à economia geral, devido à retração na movimentação de passageiros.

Os segmentos de energia elétrica, transporte de carga e telefonia móvel são os que mais contribuíram para a recuperação da demanda do setor desde maio do ano passado, de acordo com o indicador.

Por outro lado, ainda se encontram em patamar inferior ao verificado dois anos antes os transportes de passageiros rodoviário (-16%) e aeroportuário (-55%). "Incertezas acerca dos cuidados sanitários e dos costumes com o novo normal minam a perspectiva de recuperação", diz a entidade.

A associação também divulgou o Índice Abdib Vallya de Transportes e Logística, que desde setembro de 2020 se estabilizou em patamar 10% inferior ao nível pré-pandemia.

Enquanto o índice geral de infraestrutura apresentou estabilidade em março de 2021 (-0,13% em relação a fevereiro no dado com ajuste sazonal), o indicador de demanda específico para o setor de transportes (sem energia e telefonia) registrou queda de 3,7% na mesma comparação.

Igor Rocha, diretor de Economia e Planejamento da Abdib, afirma que os segmentos mais associados e dependentes do escoamento da produção do agronegócio acabaram por se beneficiar em relação às demais empresas do setor. Energia elétrica tem como vantagem ser um serviço essencial, enquanto a telefonia móvel se beneficiou das atividades de home office.

Os serviços que dependem de aglomerações são os que tiveram a demanda mais afetada pela crise atual e que mais dependem da vacinação para retomar os níveis pré-crise. Setores como indústria, construção e comércio e serviços essenciais, por outro lado, retomaram o crescimento ainda em 2020.

O indicador elaborado pela Abdib e pela consultoria econômica Vallya será divulgado mensalmente e utiliza informações da ABCR (associação das concessionárias de rodovias), da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e das agências dos setores de transportes, energia elétrica e telecomunicações.

São consideradas informações sobre uso físico da infraestrutura, como volume, acessos e quantidade, de modo a evitar a influência de variações do preço. O resultado considera o peso de cada segmento na economia.

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