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Consumo está resiliente nos EUA, mas previsão é de recessão moderada, diz Bank of America

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Na contramão de analistas que decretam a recessão da economia americana, o CEO do Bank of America, Brian Moynihan, fez declarações otimistas nesta semana. Em conferência na segunda (17), destacou a resiliência no consumo como sinais de uma economia ainda saudável.

Ethan Harris, chefe do setor de pesquisas em economia global do Bank of America, explica à Folha de S.Paulo que a oferta de dinheiro e o mercado de trabalho superaquecido mantiveram o setor de consumo resiliente à inflação até aqui, mas mantêm a previsão de uma recessão moderada para o país em 2023.

Segundo Harris, o retorno do crescimento chinês no ano que vem reduz as chances de uma recessão global, mas a expectativa é ruim tanto para economias fortes quanto para outros mercados emergentes.

PERGUNTA - CEO do Bank of America fez declarações otimistas em outubro sobre a economia americana, especialmente no que concerne ao consumo, que destoaram o cenário traçado por outros bancos e economistas. Por que o Bank of America está vendo o copo meio cheio?

ETHAN HARRIS - O consumo está se saindo muito bem até agora, sobretudo em dois aspectos. Primeiro, você tem poupanças disponíveis em nível mais alto que o normal nas contas bancárias. Os americanos acumularam muito dinheiro nos bancos quando a economia se fechou [durante a Covid-19] e receberam auxílios econômicos. Tivemos um grande aumento na oferta de dinheiro nos bancos, que só agora começa a diminuir, por isso há uma almofada de poupança para lidar com a inflação. Essa almofada está encolhendo um pouco, mas ainda está lá. O segundo fator que está realmente ajudando os indicadores de consumo é que o mercado de trabalho está superaquecido. Então os consumidores estão indo bem. É claro que as pessoas não estão felizes [com a economia], estão reclamando muito, mas, como há um crescimento da renda do trabalho e há essa almofada das poupanças, o consumo tem conseguido se sair bem até agora.

E isso se manterá no ano que vem?

E. H. - É esse o desafio, e eu concordo com as preocupações sobre o crescimento no ano que vem. Não acho que o Fed vá parar de subir as taxas de juros até verem que o mercado de trabalho desacelerou, porque o mercado de trabalho é uma das fontes da pressão inflacionária. A inflação pode diminuir a algum grau graças à estabilidade dos preços de energia e à melhoria da cadeia de suprimentos, assim espero. Mas será muito mais difícil trazer o mercado de trabalho para o equilíbrio, e isso vai exigir que o Fed desacelere a economia. Com um mercado de trabalho desaquecido, pode-se esperar um consumo mais fraco para o ano que vem, mesmo que haja resiliência hoje.

O Bank of America prevê recessão moderada para o ano que vem nos EUA. O que isso significa?

E. H. - Uma recessão moderada são três trimestres de crescimento negativo, com queda de 1% ou 2% no PIB. Uma recessão forte tende a ter algo como cinco semestres de crescimento negativo, com queda de 2% a 4% do PIB. O motivo de prevermos uma recessão moderada é que o único desequilíbrio grave na economia hoje é a inflação. Não temos, por exemplo, um setor imobiliário supervalorizado ou orçamentos seriamente prejudicados de famílias ou empresas. A economia está razoavelmente saudável. O problema é que para colocar a inflação sob controle, o Fed precisa provocar algum tipo de recessão.

Essa situação de indicadores bons, mas PIB fraco e inflação alta tem sido chamada de "economia estranha". Por que a situação de agora é diferente de outras crises que os EUA enfrentaram?

E. H. - Os efeitos remanescentes da Covid-19 ainda afetam a economia. Há o nível alto de dinheiro disponível em contas bancárias, que criou esse acúmulo de poder de compra no orçamento familiar. O outro fator é que há muita demanda reprimida, o que aumenta a demanda por serviços que ficaram indisponíveis por certo tempo. E é bastante impressionante a demanda reprimida por trabalhadores, há muitas empresas com vagas abertas que não encontram pessoas qualificadas. Isso é sinal de um mercado de trabalho desequilibrado. Esse é um dos motivos pelos quais o aumento de vagas não desacelerou muito mesmo com a alta de juros, muitas empresas ainda estão tentando preencher as vagas existentes.

É o mercado de trabalho mais aquecido da história recente dos Estados Unidos, que atingiu um pico na primavera, com taxa de desemprego muito baixa, muita gente trocando de emprego para ganhar salários melhores e o maior aumento salarial desde os anos 1980. Isso demora a desacelerar. Mas esse setor está indo de superaquecido para apenas aquecido, e o mercado imobiliário está enfraquecendo, com o aumento dos juros, assim como os investimentos financeiros. É um retrato muito desigual da economia, é difícil olhar para esse cenário e dar um veredito simples.

E quando é hora de estabilizar e baixar os juros?

E. H. - No ano que vem devemos alcançar uma taxa de juros entre 4,75% e 5%, então ainda há um caminho a percorrer, porque agora estamos entre 3% e 3,25%. Esta é a questão mais crucial agora diante dos mercados: quando o Fed vai sinalizar que já está perto do fim? Este será o momento chave, de respiro para os mercados, essa sinalização é a grande questão para investidores e economistas. Acredito que a sinalização pode vir no fim deste ano ou no começo do próximo ano.

A alta de juros nos EUA tem forte impacto sobre países emergentes, como o Brasil. Como o senhor vê as economias dos emergentes no ano que vem?

E. H. - É um grande desafio. Duas coisas vão determinar se eles sairão muito abalados ou não. A primeira é se eles também aumentaram as taxas de juro a tempo. Sei que o Brasil fez isso, e agora não precisa passar por essa tempestade de areia. Os problemas realmente acontecem quando os países não se movem o suficiente e depois precisam correr atrás em períodos em que a economia global está enfraquecida. O outro fator é o tamanho da dívida em dólar do setor privado e dos governos, em um momento em que o dólar está muito forte. Com as taxas de juros elevadas e o pagamento de dívidas com uma moeda enfraquecida, a situação fica realmente complicada.

Haverá recessão global no ano que vem?

E. H. - Alguma coisa muito perto disso. Alguns países se adiantaram ao Fed e podem evitar uma recessão. Mas a economia chinesa está fora de sincronia com o resto do mundo. O país está segurando o crescimento para tentar desaquecer o setor imobiliário, e há os lockdowns da política de Covid zero. No ano que vem a China deve se recuperar, mesmo que o restante do mundo desacelere. É um movimento contracíclico, que reduz as chances de recessão global. Mas estaremos perto disso, haverá recessão moderada nos Estados Unidos, na Europa, no Reino Unido e no Japão. Em geral, a maior parte do mundo vai ver um crescimento fraco.