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Consumo das famílias sobe 0,5% no 4º trimestre, abaixo das projeções

Thais Carrança, Bruno Villas Bôas e Alessandra Saraiva

Mediana das expectativas apontava alta de 1,1%; consumo do governo, por sua vez, subiu 0,4%, em linha com o esperado Responsável por quase dois terços do Produto Interno Bruto (PIB), o consumo das famílias avançou 0,5% no quarto trimestre de 2019, em relação ao terceiro, feitos os ajustes sazonais, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado ficou abaixo da mediana das projeções coletadas pelo Valor Data, de avanço de 1,1% para esse componente do PIB.

Em relação ao quarto trimestre de 2018, o consumo das famílias subiu 2,1%. E, assim, acumulou crescimento de 1,8% no ano passado.

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No terceiro trimestre, o consumo das famílias havia crescido 0,7% (dado revisado de alta de 0,8% anteriormente) em relação ao segundo trimestre, com ajuste sazonal.

O consumo do governo, por sua vez, subiu 0,4% no período de outubro a dezembro, sempre em relação aos três meses imediatamente anteriores, desempenho em linha com a mediana das projeções do Valor Data, de alta de 0,4% para o período.

No terceiro trimestre, o consumo do governo havia recuado 0,4% (dado mantido de queda de 0,4% anteriormente divulgada), feito o ajuste sazonal.

Em relação igual trimestre de 2018, os gastos dos governos cresceram 0,3%. Essas despesas fecharam 2019 acumulando queda de 0,4%.

Efeito do crédito, renda e FGTS no ano

Principal componente do PIB pela ótica da demanda, o consumo da famílias cresceu 1,8% no ano passado apoiado na expansão do crédito, redução da taxa de juros, crescimento da massa de renda e liberação de recursos do FGTS, disse Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

A taxa de crescimento do consumo das famílias no ano passado até ficou abaixo do registrado no ano anterior, quando havia crescido 2,1%. Palis, contudo, considera que o ritmo de crescimento foi mantido e lembrou que o avanço ocorre, cada vez mais, sobre uma base mais elevada. “Estamos vendo crescimento em cima de crescimento”, disse ela.

Segundo ela, o crescimento não é mais acelerado porque a recuperação do mercado de trabalho ocorre sobretudo pelo setor informal, com rendimentos menores. Ela lembrou ainda que nem todos os recursos liberados do FGTS acabam direcionados para o consumo, sendo parte destinada ao pagamento de dívidas.

Ela lembrou ainda do “repique” inflacionário ocorrido no fim do ano passado, quando a demanda chinesa por proteínas elevou o preço das carnes. “As instabilidades econômicas também acabam afetando a confiança, o câmbio, consumo de importados”, acrescentou.