Consumo da classe média cai até 30% em Buenos Aires

Garçons de braços cruzados à espera de clientes. Atendentes de lojas que matam o tempo enviando mensagens pelas redes sociais. Pontos comerciais - em ruas movimentadas - que permanecem com os cartazes de "aluga-se" há meses. Cinemas, onde antes era preciso chegar com antecedência para conseguir ingresso para uma poltrona livre, agora com lugares vazios. Este é o panorama de crescente esfriamento do consumo da classe média portenha, segundo o acompanhamento que o jornal O Estado de S. Paulo realiza há meses nos bairros de classe média da capital argentina. No domingo (7), o jornal portenho La Nación publicou um levantamento próprio, indicando que o consumo em táxis, cabeleireiros e restaurantes registrou quedas de até 30% na capital do país.

Embalados por um clima de preocupação com a crescente inflação, os portenhos estão novamente desconfiados em relação ao futuro. Esse clima é refletido na pesquisa mensal do índice de confiança do consumidor elaborada pelo Centro de Investigação de Finanças (CIF) da Universidade Di Tella, que indicou que em janeiro houve uma queda de 18,3% em comparação com o mesmo mês de 2011.

O índice, com poucos momentos de alta nos últimos 12 meses, está em queda persistente desde janeiro de 2012, quando a presidente Cristina Kirchner intensificou sua cruzada antidólar, que provocou restrições quase totais aos argentinos para a compra de dólares, o principal refúgio da classe média para os momentos de alta inflacionária.

No entanto, o governo nega a disparada da inflação e sustenta que a alta de preços no ano passado foi de apenas 10,8%. Mas economistas, empresários e sindicalistas acusam o governo de falsificar as estatísticas e dizem que a inflação em 2012 foi de 25%.

Apesar de negar a alta inflacionária, o governo Kirchner, para tentar conter os preços, impôs aos supermercados um congelamento de preços por dois meses. Além disso, no último final de semana, informações no âmbito político em Buenos Aires indicaram que a presidente Cristina - cuja aprovação popular está em queda - está preocupada com a inflação, já que isso poderia complicar o desempenho do governo nas eleições de outubro. Por esse motivo, a Casa Rosada estaria consultando economistas de fora do governo, embora alinhados com a presidente, para avaliar alternativas para o combate à inflação.

Os economistas afirmam que o banco central está dando sinais de conter a expansão monetária, já que em janeiro a entidade monetária colocou 19,8 bilhões de pesos a menos. Além disso, o governo também está reduzindo os subsídios que há anos concede às empresas privadas de transporte público. Informações extraoficiais também indicam que a Casa Rosada estaria avaliando o prolongamento do congelamento de preços, em vigência até o dia 1.º de abril. Na semana passada, a subsecretária de defesa da concorrência, Maria Lucila Colombo, destacou que após o congelamento de preços o governo recorreria a "outras ferramentas". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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