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Consumidor corta cafezinho e pão na chapa por causa da inflação

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**Arquivo**SÃO PAULO, SP, 22-01-2016: Pão na chapa da Galeria do Paes, nos Jardins. (Foto: Julia Chequer/Folhapress )
**Arquivo**SÃO PAULO, SP, 22-01-2016: Pão na chapa da Galeria do Paes, nos Jardins. (Foto: Julia Chequer/Folhapress )

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com a alta da inflação -especialmente dos alimentos-, além das despesas com aumentos de luz e combustível, qualquer forma de economizar é válida. Até o tradicional pingado com pão na chapa na padaria, um hábito do paulistano, já entrou na lista de cortes do consumidor.

Fã do café coado com leite e pão na chapa, a artesã Leticia Stripeikis, 56 anos, da Vila Carrão (zona leste), vai na padaria duas vezes na semana para tomar café. "Mas sei que, atualmente, é um luxo poder fazer isso", diz ela, que repara na alta de preços. "Antes da pandemia, eu ia pelo menos quatro vezes por semana, inclusive no período da tarde para lanchar. Agora vou só para o café da manhã."

O gerente de loja Edimilson Pereira, 43, da Barra Funda (zona oeste), percebeu aumento de cerca de 20% nos gastos que tem com comida fora de casa. "Como eu recebo cesta básica no trabalho, passei a trazer marmita duas vezes por semana, pelo menos. Antes, eu comia todos os dias fora, mas essa é uma forma de economizar", afirma ele.

Mesma situação da farmacêutica Roberta Scholz, 38, da Mooca (zona leste). "Estou procurando fazer minha comida em casa e levar. Tive que reduzir por causa do preço, já que, na ponta do lápis, estava gastando mais de R$ 1.000 por mês com o cafezinho e um almoço simples todos os dias. Faz toda a diferença no orçamento."

"Praticamente, ia todos os dias para tomar um café, hoje são três vezes na semana. Há pouco tempo, o pingado e o pão na chapa custavam cerca de R$ 5, e já está em R$ 10", conta o empresário Marcelo Asensio, 48, do Tatuapé (zona leste).

Segundo o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a prévia da inflação em outubro foi de 1,20%, a maior para o mês desde 1995.

No caso da alta do café e da farinha de trigo, matéria-prima do pão, o dólar e o clima pesaram. "As commodities estão valorizadas no mercado internacional e, no café, para agravar, tivemos problemas na produção desde o ano passado. A questão hídrica afetou Paraná e Minas Gerais, que são os principais produtores de café", explica o pesquisador de café do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da USP.

"Os estoques mundiais de trigo estão com sinal de redução e o Brasil é grande importador de trigo", diz o pesquisador responsável pelas áreas de arroz e de trigo do Cepea, Lucilio Alves.

Padarias não repassam todo o aumento O IPC da Fipe mostra que os panificados tiveram alta de 9% de janeiro a setembro deste ano. "A alimentação geral subiu 7,84%, e a fora do domicílio, 6,67%, sendo o primeiro item que é cortado. Pelos números, o setor ainda não repassa toda a alta", disse o coordenador do índice, Guilherme Moreira.

Presidente do Sampapão, Rui Gonçalves diz que a maioria das padarias (são 6.000 na cidade) segura as altas e que há diminuição dos clientes, pela crise ou pela pandemia. "Mas este é um hábito do paulistano, tanto que a padaria é o único comércio que ele chama de seu: minha padaria."



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