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Construção volta ao patamar de 2007

·3 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A queda de 7% do PIB (Produto Interno Bruto) da construção parece esfriar as discussões sobre o crescimento do setor e sua capacidade de alavancar a economia. O pior resultado entre os subsetores industriais interrompeu a retomada ensaiada em 2019. Ou seja, depois de avançar uma casa, a construção regrediu mais de 12, voltando ao patamar que estava em 2007, distante 33% do pico da atividade alcançado em 2013. O resultado consolidado do PIB da construção de 2020 veio mais negativo do que apontava a maioria dos analistas, mas não surpreende quem acompanham as Contas Trimestrais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Até o trimestre anterior, o indicador já acumulava forte retração que dificilmente seria revertida nos três últimos meses. Mas surpreende quem acompanha o setor por outros indicadores como as vendas do comércio de materiais, o saldo de contratação do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) ou pelas pesquisas de mercado imobiliário. Todas acusaram não apenas crescimento, mas resultados excepcionais no passado. Esses indicadores não compõem a base utilizada pelo IBGE para estimar o PIB trimestral do setor. Provavelmente com a divulgação definitiva, o PIB setorial será revisado, alcançando um resultado não tão negativo. Mas é inegável que a pandemia teve impactos sobre a construção, mesmo tendo sido considerada atividade essencial. Assim, a despeito do tombo apontado pelo IBGE no ano, pode haver uma prevalência de uma ótica mais favorável, quando o olhar se volta para os outros indicadores. De todo modo, o cerne da questão é o que todos esses números podem sinalizar para 2021. Vale lembrar que a construção abrange a construção de casas, edifícios residenciais e não residenciais, obras de saneamento, pontes, estradas e obras de reforma e manutenção prediais. Em 2020, o efeito reforma decorrente da quarentena, potencializado pelo auxílio emergencial deu forte impulso à cadeia da construção, especialmente ao comércio. No entanto, esse efeito, que já começou a perder força nos últimos meses do ano passado com a diminuição do auxílio emergencial e a forte alta dos preços dos materiais, não deve se repetir em 2021. Por outro lado, no que diz respeito à produção de novas edificações, é de se esperar que o bom desempenho do mercado imobiliário em 2020 vá se refletir positivamente na atividade ao longo ano. Como a construção tem ciclos produtivos longos e grandes efeitos multiplicadores, obras serão iniciadas com repercussão em toda a cadeia. A Sondagem da Construção do FGV IBRE de dezembro revelou que a maioria dos empresários tem intenção de contratar mais trabalhadores nos próximos seis meses, o que manteria o mercado de trabalho em crescimento. Para o ciclo ganhar continuidade e robustez, novos negócios precisam ser realizados. E aqui começam as incertezas, que estão sendo captadas nas sondagens do FGV IBRE. Desde novembro do ano passado, as expectativas estão se deteriorando, refletindo especialmente a piora no ambiente de negócios. Assim como para as famílias que realizam reformas em suas residências, para as empresas da construção, a elevação dos preços dos materiais tem sido um dos importantes fatores nesse movimento de reversão das expectativas. As taxas de juros dos financiamentos devem continuar atrativas, mas os preços dos imóveis irão refletir a inflação setorial. Para além do mercado imobiliário, é preciso olhar a infraestrutura. Os investimentos públicos dos estados e municípios tiveram em 2020 o reforço das transferências extraordinárias da União. Para 2021, o agravamento da situação fiscal eleva as dificuldades e aumenta as incertezas de realização de novos investimentos. Enfim, depois da retração do ano passado, as primeiras indicações são de que a atividade da construção deve voltar a crescer, modestamente, em 2021. Mas o cenário atual não permite apontar o início de um novo boom para o setor. Ou seja, levará algum tempo para a recuperação do patamar alcançado em 2013.