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Construção tem 1ª alta desde 2013 e cresce 1,6% em 2019, mostra IBGE

Alessandra Saraiva e Bruno Villas Bôas

Desempenho permanece tímido, porém, diante das perdas do setor nos últimos anos O setor de construção cresceu 1,6% em 2019, na comparação ao ano anterior, interrompendo uma sequência de quatro anos de queda no Produto Interno Bruto (PIB), mostram dados das Contas Nacionais, divulgadas nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado da construção permanece tímido, porém, diante das perdas do setor nos últimos anos. O PIB da construção recuou fortemente em 2014 (-2,1%), em 2015 (-9%), em 2016 (-10%), em 2017 (-9,2%) e em 2018 (-3,8%).

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No quarto trimestre de 2019, a construção registrou queda de 2,5% sobre o terceiro trimestre, feitos os ajustes sazonais.

Ana Paula Paiva/Valor

Na metodologia das Contas Nacionais, o setor de construção é contabilizado dentro da indústria. O PIB da indústria cresceu 0,5% em 2019, frente ao ano anterior.

Aquecimento em empreendimentos imobiliários

A queda da atividade da construção no PIB de 2,5% no quarto trimestre ante o terceiro é o pior resultado na comparação ante o período imediatamente anterior desde o segundo trimestre de 2017, quando a retração chegou a 3,1%.

Porém, mesmo com o recuo brusco, o desempenho não pode ser considerado como reversão na trajetória de recuperação do setor da construção, segundo Claudia Dionísio, gerente de contas trimestrais do departamento de Contas Nacionais do instituto.

A técnica informou que a queda foi influenciada por um movimento de grande aquecimento de empreendimentos imobiliários referente ao terceiro trimestre. Assim como a chefe do departamento de Contas Nacionais, Rebeca Palis, Claudia citou a expansão no número de empreendimentos imobiliários, voltados para os segmentos comercial e residencial, como o fator que tem impulsionado o setor da construção na economia brasileira — e não projetos originados de infraestrutura, como hidrelétricas, por exemplo.

Assim, na prática, o ritmo de lançamentos de empreendimentos imobiliários a cada período tem afetado a performance do setor da construção como um todo, a cada trimestre, ao longo do ano passado.

Claudia informou que o IBGE notou o grande estímulo, por parte desse segmento, no setor da construção no terceiro trimestre de 2019 ao visualizar os dados de trimestre ante trimestre de ano anterior. Nessa série, a construção mostrou recuo de 1,7% no primeiro trimestre de 2019 – mas subiu 2,4% no segundo período do ano passado, com expansão de 4,4% no terceiro de 2019. Essa elevação, nessa série, foi a mais forte desde o primeiro trimestre de 2014 (8,2%). Porém, no quarto trimestre de 2019 ante igual período de 2019, a taxa de elevação foi menos intensa, de 1%, na construção.

“Podemos dizer que a construção estava operando a ritmo de 4% no terceiro trimestre, e depois passou para 1%. Não está caindo, mas está subindo menos – e foi um período que acabou sendo comparado com outro período muito mais aquecido”, notou Claudia.

Ao ser questionada se o recuo poderia representar uma retração por parte do segmento de empreendimentos imobiliários no país, ela negou veementemente. A especialista lembra que esse nicho possui características próprias, com empresários não desistindo mas adiando lançamentos de projetos, por motivos específico — o que, na prática, não significa desistência de empreendimentos, observou.

“Continuamos a ressaltar o bom desempenho da construção no ano passado, que apresentou o primeiro resultado positivo desde 2013” disse, citando a taxa de crescimento de 1,6% na atividade anual de construção. “O setor contribuiu positivamente para o PIB do ano passado, está em recuperação, mas ainda muito longe de recuperar o que perdeu durante a crise”, reconheceu ela. De acordo com a especialista, o patamar da atividade da construção, no quarto trimestre de 2019, ainda está 30% abaixo do nível mais alto do setor na economia, ocorrido no terceiro trimestre de 2014.