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Consignado não é 'produto certo' para público do Auxílio Brasil, diz presidente do Itaú

***ARQUIVO*** RIO DE JANEIRO, RJ, 25.07.2022 - Fachada do banco Itaú. (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)
***ARQUIVO*** RIO DE JANEIRO, RJ, 25.07.2022 - Fachada do banco Itaú. (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, afirmou nesta terça-feira (9) que o banco não tem a intenção de oferecer a linha de crédito consignado aos beneficiários do Auxílio Brasil, sancionado na quarta-feira (3) pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Entendemos que não é o produto certo para o público vulnerável [que recebe o benefício]. Dessa forma, o banco decidiu não operar", afirmou Maluhy Filho.

Ele disse que o banco atua no consignado para o público do INSS (Instituto Nacional de Seguro Social) e do BPC (Benefício de Prestação Continuada), mas que tomou a decisão "há algum tempo" de não operar na modalidade para os beneficiários do Auxílio Brasil, até pelo caráter temporário do benefício.

Na sexta-feira (5), o presidente do Bradesco, Octávio de Lazari Junior, já havia afirmado que o banco também não tem a intenção de operar os empréstimos consignados para os beneficiários do programa social.

Nesta terça (8), o presidente Bolsonaro pediu que os juros cobrados na modalidade do empréstimo consignado sejam reduzidos pelas instituições financeiras.

"Faço um apelo para vocês. Vai entrar o pessoal do BPC [Benefício de Prestação Continuada] no empréstimo consignado. Isso é garantia, desconto em folha. Se puderem reduzir o máximo possível, porque ainda estamos no final da turbulência, para que todos nós possamos cada vez mais mostrar que o Brasil não é mais um país do futuro, é do presente", afirmou Bolsonaro na sede da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), na capital paulista.

Segundo o Itaú Unibanco, a redução dos juros no consignado para o BPC está em análise pelo banco.

Maluhy Filho disse ainda que espera que o índice de inadimplência siga na recente trajetória de alta observada ao longo dos últimos meses. Em especial, entre o público pessoa física.

"Olhando para frente, o cenário inspira cautela. Desde o terceiro trimestre do ano passado tenho dito que nossa inadimplência ia subir, sobretudo na pessoa física", afirmou Maluhy Filho, durante conversa com jornalistas para comentar os resultados do banco no segundo trimestre. "A gente continua vendo uma normalização gradual da inadimplência."

Ele acrescentou que o avanço dos pagamentos em atraso tem ocorrido de forma mais importante em categorias voltadas ao consumo, como cartão de crédito e veículos.

"Estamos ajustando a concessão de forma importante nesses segmentos específicos onde temos sentido uma deterioração do crédito", disse o presidente do Itaú Unibanco.

O índice de inadimplência acima de 90 dias da instituição financeira atingiu 2,7% em junho, contra 2,3% em junho de 2021, e 2,6% em março deste ano.

Entre as pessoas físicas, a taxa de atrasos encerrou o trimestre em 4,4%, ante 3,6% há um ano, e 4,1% em março deste ano.

O executivo afirmou ainda que a inadimplência tende a se estabilizar em níveis próximos ao observado no período pré-pandemia.

Em março de 2020, o índice de inadimplência do Itaú Unibanco estava em 3,1%. E entre as pessoas físicas, em 5,1%.