Mercado abrirá em 3 h 33 min
  • BOVESPA

    105.069,69
    +603,69 (+0,58%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    50.597,29
    -330,11 (-0,65%)
     
  • PETROLEO CRU

    67,86
    +1,60 (+2,41%)
     
  • OURO

    1.781,30
    -2,60 (-0,15%)
     
  • BTC-USD

    48.099,88
    -1.294,34 (-2,62%)
     
  • CMC Crypto 200

    1.229,89
    -211,87 (-14,70%)
     
  • S&P500

    4.538,43
    -38,67 (-0,84%)
     
  • DOW JONES

    34.580,08
    -59,72 (-0,17%)
     
  • FTSE

    7.171,00
    +48,68 (+0,68%)
     
  • HANG SENG

    23.349,38
    -417,31 (-1,76%)
     
  • NIKKEI

    27.927,37
    -102,20 (-0,36%)
     
  • NASDAQ

    15.771,25
    +53,50 (+0,34%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,3739
    -0,0214 (-0,33%)
     

Conheça a Hurst, startup que colocou música como opção de investimento

·5 min de leitura
(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Pancadinha, Paulo Ricardo e MC Gury, em um primeiro momento, não têm nada em comum. São de gêneros diferentes e, para muitos, com qualidades distintas. Mas o que está unindo os três, nos últimos meses, é ainda mais inesperado: a fintech Hurst Capital. Fundada em São Paulo e especializada em investimentos alternativos, a empresa está dando largada ao movimento de vender royalties de músicas como opção de investimento.

Basicamente, a Hurst adquiriu os direitos de obras de compositores dos mais variados estilos e gêneros — principalmente do catálogo da gravadora CP9/Akira, atuante em grande parte em gêneros como funk, rap e trap. A partir daí, já dona dos direitos, a startup faz uma operação de investimentos ao melhor estilo crowdfunding. Investidores fazem aportes a partir de R$ 10 mil para receber, em troca, os royalties das músicas disponíveis.

Leia também:

Assim, toda vez que a música é tocada publicamente, o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), responsável pelo recolhimento e distribuição dos direitos autorais das músicas no Brasil, envia os royalties à Hurst e aos investidores. Já quando a música investida na Hurst toca em alguma plataforma digital, como YouTube e Spotify, a União Brasileira de Editoras de Música (Ubem) é a responsável pelo envio dos valores.

“Inicialmente, começamos a atuar com financiamento de processos judiciais e precatórios, como a primeira empresa brasileira de investimentos que adquire direitos patrimoniais cuja liquidação depende de procedimentos judiciais”, conta Arthur Farache, fundador da empresa. “Com o tempo, passamos a atuar em outros segmentos, como recebíveis e agora royalties musicais, universalizando o acesso a ativos alternativos para as pessoas físicas”.

Resultados

Ainda que pareça um investimento arriscado, já que o investidor depende do número de execuções de determinado artista, a Hurst Capital tem entregue bons números. Passeando pelo gênero do funk, o cenário base de operações da Hurst projeta retornos de 15,75% — sem contar taxas e impostos. Em um cenário pessimista, em que o número de execuções da música de funk ficou abaixo do esperado, o retorno projetado é de 11,13% ao ano.

São retornos bem acima de investimentos tradicionais, como a poupança (2,12%) e a renda fixa (2,37%), que acabaram puxados para baixo com a Selic em apenas 2% ao ano.

Vale dizer que, por conta dos sucessos passageiros e do grande volume de músicas produzidas no universo do funk, a Hurst também se atualizou. A empresa começou a adquirir também os direitos de músicas a serem lançadas, para que os investidores sempre tenham novas opções e não fiquem reféns de apenas uma única música. Assim, há menos chances de cair nos sucessos passageiros do momento e, depois, ficar a ver navios.

E para os que não querem investir em nomes desconhecidos do cenário musical, a Hurst está começando a mirar em nomes mais consagrados. É o caso de Paulo Ricardo, dono de hits como Rádio Pirata, Olhar 43 e Vida Real — esta última com grande volume de reproduções no começo do ano por ser a trilha de abertura do Big Brother Brasil. Somente Olhar 43 registra mais de 20 milhões de plays no Spotify e 276.741 ouvintes mensais.

“Os ativos alternativos sempre fizeram parte das carteiras dos grandes investidores, mas antes eram inacessíveis às pessoas físicas. Não estamos reinventando a roda. O que impedia a disseminação do investimento alternativo era sua difícil originação, complexa e cara”, afirma o executivo da empresa. “Através de tecnologia e uma equipe de profissionais, originamos os ativos e possibilitamos que as pessoas físicas entrem na operação”.

A primeira captação com músicas de Paulo Ricardo aconteceu em outubro de 2020 e a operação foi reaberta na primeira semana de janeiro, com uma rentabilidade estimada de 12,62% ao ano no cenário base, com prazo de 78 meses. Até o dia 07 de janeiro, 44,28% do total previsto já havia sido captado. “Entre julho de 2020 até 31 de janeiro já fizemos 5 operações de música com um volume total de negócios da ordem de R$ 4,8 milhões”, diz.

Por fim, a fintech conta que captou impressionantes R$ 2,5 milhões em investimentos na obra do pianista e compositor João Luiz de Avellar e R$ 1,9 milhão em operação vinculada ao Philipe Pancadinha. Dono de músicas como Largado as Traças e Bebi Liguei, o cantor tem pagamentos mensais de royalties que geram o retorno esperado de 13,00% ao ano, com um múltiplo de aproximadamente 1,50x e horizonte de investimento de 78 meses.

“Estão a disposição mais de 18.000 composições e gravações de músicos brasileiros, cujos os recebíveis adquiridos com desconto darão uma rentabilidade prevista entre 12,78% no cenário pessimista e 19,19% no cenário otimista”, conta Arthur ao Yahoo! Finanças, quando questionado sobre a área de música. “Trata-se de um segmento bastante promissor com muitas oportunidades de crescimento e de rentabilidade para os investidores”.

Cenário animador

Única desbravadora desse mercado, a Hurst Capital espera que o investimento em direitos autorais de músicas ganhe fôlego no Brasil assim como aconteceu no exterior com transações desse tipo. Bob Dylan, por exemplo, vendeu os direitos de mais de 600 de suas composições para a Universal Music, em dezembro de 2020, rendendo algo em torno de US$ 300 milhões. É a maior operação de direitos de publicação musical da história.

Além disso, a Hurst Capital conta com o crescimento do streaming e a facilidade de pessoas entrarem em contato com novas músicas. Dados do relatório anual da IFPI (Federação Internacional da Indústria Fonográfica) mostram que a receita total do mercado mundial de música gravada cresceu 8,2%, subindo para US$ 20,2 bilhões em 2019. A receita de streaming atingiu US$11,4 bilhões. É mais da metade do faturamento (56,1%).

Com isso, os números da startup acompanham o boom do mercado. “A Hurst se tornou a maior plataforma de investimentos alternativos da América Latina. Em 2020, foram originados R$ 200 milhões. As operações de royalties são mais recentes, mas já exibem resultados significativos. A operação com o cantor e compositor Paulo Ricardo soma R$ 1,5 milhão”, conta Arthur. Para o futuro, a startup já está preparando a entrada de mais música.

“Em fevereiro, lançamos nossa mais nova operação: originamos os direitos aos royalties de 265 obras de titularidade de Bruno César, compositor de grandes sucessos do sertanejo, como Estranho, Estado Decadente, Casa Amarela, Saudade do Caramba e Paradigmas”, conta o executivo da fintech, citando alguns dos sucessos. “Nós também obtivemos os direitos sobre as obras futuras lançadas pelo artista nos próximos três anos”.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos