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Conheça a saga revolucionária de Alan Moore que nunca aconteceu na DC Comics

Claudio Yuge
·7 minuto de leitura

Alan Moore é uma das lendas vivas dos quadrinhos. Ele descontruiu o conceito de super-heróis com Miracleman e Watchmen, ajudou a amadurecer a leitura com seu Monstro do Pântano e John Constantine e trouxe várias outras “bíblias” da Nona Arte ao longo de sua carreira, a exemplo de V de Vingança, Batman: A Piada Mortal, Do Inferno, A Liga Extraordinária, entre outros clássicos instantâneos. Já faz bastante tempo que ele não se interessa mais pelos super-heróis, mas uma de suas sagas prometia revolucionar o Universo DC nos anos 1980 — mas ela nunca aconteceu, por diversos fatores.

Em 1986, a DC Comics vivia um momento efervescente, com a Crise nas Infinitas Terras solucionando problemas cronológicos e unindo as várias Terras paralelas da editora em um só mundo. Ao longo das décadas, a empresa teve versões muito diferentes de Batman e Superman, por exemplo; e comprou propriedades da Fawcett Comics e da Charlton Comics, como Shazam e Besouro Azul. Então, esta saga ajudou a solucionar problemas de cronologia e deixar tudo mais compreensível para os novos leitores, com um novo começo — os reboots não eram populares antes disso.

Batman — O Cavaleiro das Trevas influenciou o conceito de Twilight of the Superheroes (Reprodução/DC Comics)
Batman — O Cavaleiro das Trevas influenciou o conceito de Twilight of the Superheroes (Reprodução/DC Comics)

Nesse período, Batman — O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, trouxe uma visão adulta e pessimista, porém igualmente inteligente e divertida, do Homem-Morcego em idade avançada — algo como “o que aconteceria no futuro, nos últimos dias de Bruce Wayne?”. Nessa mesma época, Alan Moore conquistava cada vez mais prestígio na DC Comics e no mercado, especialmente por conta do que havia realizado com o Monstro do Pântano e Watchmen.

Inspirado pela obra de Miller, Moore apresentou uma ideia para a editora que reuniria todos os heróis em uma saga chamada Twilight of the Superheroes (“Crepúsculo dos Super-Heróis”, em tradução literal). A intenção do autor era a de criar um conceito de conclusão para a infinita trajetória dos personagens e elevar as propriedades a uma posição mítica, comparável a lendas como a do Rei Artur.

Contudo, a série, que teria 12 edições e afetaria toda a continuidade DC, nunca foi realizada e somente veio à tona anos depois, quando foi registrada nos primeiros dias da Internet, nos anos 90.

O que teria acontecido?

Em Twilight of the Superheroes, John Constantine é abordado por Rip Hunter, que vem do futuro para alertá-lo sobre a queda dos super-heróis. Hunter diz que décadas à frente, a sociedade entrou em colapso e as dinastias do seres superpoderosos dominam o mundo. A Casa de Aço (Superman, Mulher-Maravilha e seus filhos, Supergirl e Superboy) deve pretende se tornar mais poderosa por meio de um casamento arranjando com a Casa do Trovão (Capitão Marvel e Mary Marvel e seus filhos, Mary Marvel Jr. e Capitão Marvel Jr.) — vale destacar que, na época, a DC ainda chamava Shazam de Capitão Marvel.

Essa união aterroriza as outras facções: a Casa dos Titãs (remanescentes dos Novos Titãs, liderados por um amargurado Asa Noturna), a Casa da Justiça (os últimos heróis, liderados por Donna Troy), a Casa do Mistério (com os últimos personagens ligados à magia na Terra), a Casa dos Segredos (os vilões restantes), a Casa do Amanhã (vários viajantes deslocados no tempo fazendo o possível para evitar danos à linha temporal) e a Casa das Lanternas (os últimos gladiadores esmeralda, exilados na Terra, e agora planejando uma invasão a Marte). Todos se preparam para o casamento à sua maneira.

John Constantine teria grande participação na saga (Reprodução/DC Comics)
John Constantine teria grande participação na saga (Reprodução/DC Comics)

Dois outros mistérios dominam a história. Um deles se concentra em Batman, que está desaparecido há anos e muitos acreditam que ele esteja morto, mas, na verdade, ele faz parte de um grupo secreto. O outro é envolve o Questão investigando o assassinato de um anão, que morreu por uma desconhecida e poderosa força. O futuro John Constantine leva as Casas a entrar em conflito, pressionando uma aliança entre a Casa dos Titãs, a Casa da Justiça e a Casa dos Segredos. Enquanto isso, ele parece estar ajudando uma iminente invasão alienígena, comandada por Adam Strange.

À medida que o casamento se aproxima, Superman e Mulher-Maravilha têm problemas para controlar seu filho sádico, enquanto Mary Marvel Jr. teme a união. No dia dos votos, o bloco criado pelas outras casas ataca. A batalha é brutal e sangrenta, e os únicos sobreviventes são Superman, Capitão Marvel e poucos (Mary Marvel, Capitão Marvel Jr e Supergirl) que fogem do planeta e encontram um lar em outro lugar.

Superman descobre a verdade

Quando a invasão alienígena orquestrada por Adam Strange começa, o Homem de Aço fica sabendo que o Capitão Marvel, na verdade, está morto há semanas: ele era justamente o suposto anão, que, na verdade, era uma criança, que o Questão vinha investigando. O assassino é um metamorfo, que se passava pelo Capitão Marvel. O autor do crime é ninguém menos do que Ajax, o Caçador de Marte.

Apesar de seus esforços, a invasão é demais para Superman lidar sozinho e ele fica sobrecarregado. Antes que os alienígenas possam tomar controle, Batman e seus aliados secretos, incluindo Constantine, conseguem deter os extraterrestres e destroem a armada espacial.

Shazam e Ajax também estariam no centro da trama (Reprodução/DC Comics)
Shazam e Ajax também estariam no centro da trama (Reprodução/DC Comics)

Para o horror do atual Constantine, muitas das coisas que acontecem no momento presente se alinham para que esse futuro aconteça, mas de uma forma que os heróis se enfrentem e a humanidade prevaleça. No final, o bruxo de rua, que até vislumbrava um lado mais brilhante em sua vida, decide deixar uma mulher pela qual estava destinado a se apaixonar e evitar o que aconteceu no futuro descrito por Hunter. O personagem, então, volta a se tornar sozinho e amargo.

Mas por que isso não aconteceu?

Havia a questão dessa saga estar muito próxima de Crise nas Infinitas Terras. Como Twilight of the Superheroes lidava com a criação de linhas temporais e realidades paralelas, ia contra tudo o que a DC Comics tinha feito para unir todos seus personagens em uma só Terra. Além disso, a caracterização sombria de diversos personagens, especialmente na linhagem do Superman, deixou os executivos apreensivos — embora os anos 80 seja caracterizado justamente por essa abordagem mais “crua” e realista.

Contudo, muitas dessas ideias foram aproveitadas de outras formas na editora, sem a bênção de Moore — e talvez essa seja uma das razões pelas quais o autor tenha encerrado de vez sua relação com a DC Comics. O crossover Armageddon 2001, publicado em 1991, por exemplo, envolve um mensageiro do futuro viajando para o presente para convencer os super-heróis a evitar um futuro desastroso. Em Reino do Amanhã, de 1996, acontece algo semelhante, com uma batalha entre gerações de heróis.

Moore já tinha mostrado um futuro sombrio com conflito de seres poderosos em Miracleman <br>(Reprodução/Marvel Comics)
Moore já tinha mostrado um futuro sombrio com conflito de seres poderosos em Miracleman
(Reprodução/Marvel Comics)

Em 1999, a DC Comics introduziu uma abordagem mais flexível sobre linhas temporais, bem semelhante à proposta de Moore, no que ficou conhecido como Hypertime. E em Infinite Crisis, de 2005, e no reboot dos Novos 52, em 2011, a editora reintroduziu suas múltiplas Terras com elementos que podem ter sido inspirados pela ideia inicial do autor inglês — e isso inclui a proposta do Ciborgue se tornar quase totalmente uma máquina. Mais recentemente, na animação Liga da Justiça Sombria: Guerra de Apokolips, também é possível ver influência da história do roteirista britânico, assim como na série DC's Legends of Tomorrow. E vale destacar que Constantine, que atualmente é bastante popular, não era muito conhecido assim no final dos anos 80.

Twilight of the Superheroes tinha alguns conceitos já explorados por Moore em Miracleman e poderia ter sido o Game of Thrones dos quadrinhos de sua época. E, infelizmente, a briga entre o escritor e a DC Comics impediu que o próprio autor revisitasse seu conceito e o executasse em outros períodos. Mas, para todos os efeitos, mesmo esquecida e nunca produzida, a saga se tornou um marco na história dos quadrinhos.

Fonte: Canaltech

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