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Conheça o vilão que inspirou os terroristas de Falcão e o Soldado Invernal

Claudio Yuge
·6 minuto de leitura

Falcão e o Soldado Invernal já está entre nós, aliás, com seu segundo episódio exibido nesta sexta-feira (26). E uma das coisas que já chamava a atenção nos trailers e na própria sinopse da atração do Disney+ era a presença de um grupo terrorista antinacionalista denominado Flag-Smashers (ou “Esmaga-Bandeiras”, em uma tradução livre). Logo de início, muitos leitores dos quadrinhos da Marvel Comics já associaram essa suposta ameaça a um vilão relativamente desconhecido do Capitão América, que tem esse mesmo nome.

Após a exibição dos dois episódios, dá para notar algumas semelhanças entre o Flag-Smasher dos quadrinhos e o que apareceu nas telinhas até agora. E isso não se limita somente à rebelde radical que lidera os terroristas na série do Disney+, Karli Morgenthau (Erin Kellyman), que leva o mesmo nome do vilão inicialmente mequetrefe, apresentado nas páginas da revista do Sentinela da Liberdade em 1985.

Imagem: Reprodução/Disney+
Imagem: Reprodução/Disney+

Então, quem seria o tal Flag-Smasher? E como ele saltou dos gibis, de antagonista cafona “Série C” para grande ameaça no Universo Cinematográfico Marvel (MCU)? É o que veremos abaixo.

Atenção: o texto abaixo contém informações que pode estragar surpresas da série Falcão e o Soldado Invernal!

Quem é o Flag-Smasher?

Nos anos 1980, os quadrinhos de super-heróis ainda estavam se acostumando ao fato de trazer mais realismo para suas tramas. Watchmen, Batman: O Cavaleiro das Trevas, entre outros clássicos, vinham desconstruindo aquela visão infantil e espalhafatosa dos personagens vestidos de colantes coloridos, trocando sopapos por aí, para algo mais cru e “pé no chão”. Contudo, muitos gibis ainda insistiam nas fórmulas das décadas anteriores. E um deles era o título mensal do Capitão América, que só viria a ser atualizado nos anos 1990 e 2000.

Nesse contexto, o escritor Mark Gruenwald e o ilustrador Paul Neary decidiram criar um vilão que fosse uma “antítese” do Capitão América. Assim surgiu Flag-Smasher, um antagonista que acredita na unificação da humanidade por meio da violência, questionando o conceito de países, destruindo símbolos de patriotismo e abolindo o nacionalismo. Ele acreditava que o único caminho para a verdadeira igualdade era o fim de todas as fronteiras.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics
Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Por trás da faceta anarquista e de sua fantasia cafona, que tinha até um mini mapa-múndi em sua cintura, estava, na verdade, um ricaço, filho de um embaixador suíço, Karl Morgenthau. Ele cresceu com os ideais pacifistas do pai, mas, após a morte deste em uma manifestação perto da embaixada da Letônia, Morgenthau se rebelou contra esses conceitos.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics
Imagem: Reprodução/Marvel Comics

A partir daí, ele criou sua própria ideia de harmonia, a partir de meios violentos. “Vou levar a eles a mensagem de paz por meio da unidade mundial, mesmo que tenha que destruir todos os símbolos de separatismo na Terra!”, jurou. E quem seria um alvo perfeito para que o mundo pudesse ouvir esse novo conceito de ordem mundial? O símbolo vivo de um país, claro! E, assim, Flag-Smasher declarou o Capitão América como seu inimigo número um.

Vale destacar que o Flag-Smasher chegou a ter outras versões, mas a de Morgenthau é a sua faceta mais popular.

Como o Flag-Smasher operava e quais eram seus poderes?

Graças aos seus recursos financeiros, o vilão possui um arsenal de grande poder destrutivo e vários veículos e engenhocas de alta tecnologia, como esquis voadores e um exoesqueleto de absorção de energia, que lhe permitia lutar de igual para igual com o Capitão América — aliás, roteirista Mark Gruenwald tinha uma certa fixação com exoesqueletos; anos mais tarde ele colocaria um no próprio Steve Rogers. Embora não possuísse poderes, o Morgenthau era fluente em vários idiomas e altamente treinado em várias artes marciais.

Com sua riqueza, carisma e eloquência, ele conseguiu convencer muita gente de que seus ideais realmente eram frutíferos para a humanidade. Assim, logo ele passou a ter um grupo terrorista em suas mãos, para ajudá-lo na missão de destruir as fronteiras e, claro, o Capitão América. Chamado de ULTIMATUM (sigla para “Exército Móvel Totalmente Integrado Subterrâneo e Livre para Unir a Humanidade) — mais cafona impossível —, essa comunidade passou a usar armas de fogo para destruir bandeiras, sequestrar pessoas e matar reféns.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics
Imagem: Reprodução/Marvel Comics

A partir daí, Flag-Smasher tentou vencer o Sentinela da Liberdade várias vezes, sempre envolvendo a questão da “vaidade nacional” e ameaças a reféns. Vale destacar que, nessa época, os escritores já vinham começando a desassociar o Capitão América daquela imagem totalmente ligada ao governo dos Estados Unidos. E, em um dos confrontos, Steve Rogers nem mesmo era o Capitão América oficial.

E aí é que entramos em uma interessante conexão com a versão dos Flag-Smashers do MCU.

Os Flag-Smashers no MCU

Em o Falcão e o Soldado Invernal, vemos a reunião dos Flag-Smashers logo no primeiro episódio — e, graças ao bom senso da Marvel Studios, o grupo não se chama ULTIMATUM. A ideia do grupo foi atualizada com o uso da internet e dispositivos móveis. Esse subplot, que é apresentado entre as narrativas sobre as vidas pessoais de Sam Wilson (Anthony Mackie) e Bucky Barnes (Sebastian Stan), é conduzido pelo soldado Joaquín Torres (Danny Ramirez).

“Eles acham que o mundo estava melhor durante o ‘Blip’. Eles querem um mundo unificado, sem fronteiras”, diz Torres a Wilson, ao falar sobre os cinco anos em que a Terra ficou com metade de sua população — e, portanto, com a sensação de um “mundo menor”. Diferente dos membros do ULTIMATUM nos quadrinhos, os Flag-Smashers dos MCU parecem ter força e resistência sobre-humanas — ou pelo menos um deles tem. E, assim como suas contrapartes de papel, eles são bem organizados e coordenados.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics
Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Agora, há uma história em especial dos quadrinhos que pode reverberar de forma muito próxima na série. Em um dos combates entre Steve Rogers e o Flag-Smasher, Rogers, que não vestia o manto do Sentinela da Liberdade nesse período, pediu ajuda a John Walker, que era o novo Capitão América escolhido pelo governo. Em um enredo cheio de reviravoltas, Walker foi capturado e Rogers chegou para enfrentar Morgenthau, para ele, então, explicar que o grupo terrorista e todas as ações contra a humanidade faziam parte de planos do Caveira Vermelha.

No final, Walker, Rogers e um arrependido Morgenthau uniram forças para impedir que o Caveira Vermelha usasse um dispositivo de disparo de pulso eletromagnético para destruir os eletrônicos de todo o mundo. Se você substituir o Caveira Vermelha pelo Barão Zemo de Daniel Brühl, pode ser que isso tudo realmente venha a ser adaptado de alguma forma para Falcão e o Soldado Invernal.

Bom, o jeito é aguardar e curtir mais da série do Disney+ que tem mais quatro episódios pela frente. E você, o que tem achado da atração? Diz para a gente nos comentários.

Fonte: Canaltech

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