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Conheça a HQ do grupo Sexteto Secreto, inspiração para O Esquadrão Suicida

·6 minuto de leitura

O Esquadrão Suicida, grupo que teve com o roteirista John Ostrander sua fase mais célebre, teve título mensal na DC Comics e muitos dos rostos que participaram do primeiro filme, de David Ayer, são há muito conhecidos do grande público. Para o segundo longa da DC Films, James Gunn preparou homenagens ao time clássico, mas fez questão de revirar o lado mais cafona — e divertido — da editora. Para isso, ele também se inspirou em outra equipe formada por vilões, o Sexteto Secreto.

Enquanto as referências a Ostrander já aparecem no trailer e logo no começo de O Esquadrão Suicida, com o médico que implanta um explosivo na cabeça de Savant, a violência e o humor sarcástico, assim como alguns personagens, remetem diretamente ao Sexteto Secreto da escritora Gail Simone.

Imagem: Reprodução/DC Comics
Imagem: Reprodução/DC Comics

Assim como o Esquadrão Suicida, o Sexteto Secreto usa vilões coagidos pelo governo e em uma equipe para missões nada convencionais. A ideia de Simone foi recriar uma equipe de operativos de mesmo nome da Era de Prata dos quadrinhos, e reinventá-lo em uma pegada semelhante à fase de Ostrander, mas com seu próprio charme.

Vale destacar que a inspiração de Gunn nessa equipe ficou ainda mais explícita com os créditos do próprio longa, que faz questão de lembrar que Simone cocriou alguns dos personagens usados na trama. E até a própria autora fez questão de destacar no Twitter: “droga, O Esquadrão Suicida me faz querer escrever mais sobre o Sexteto Secreto.”

Mas quem faz parte do grupo? Qual sua história? É o que veremos abaixo.

Equipe original era formada por espiões da Era de Prata

O Sexteto Secreto original era uma equipe espiões da Era de Prata que tinha um misterioso chefe, chamado Mockingbird. Era uma mistura das tramas de 007 com As Panteras; e esse conceito original chegou a ganhar um revival em 1988, mas não durou muito tempo. A versão que inspirou O Esquadrão Suicida vem dos começo dos anos 2000, quando a DC Comics passou a destacar mais sua grande galeria de vilões, desde os mais bregas e desconhecidos até os mais populares.

Durante a fase chamada de Vilões Unidos, a escritora Gail Simone e o desenhista Dale Eaglesham aproveitaram o tom cru e “menos heróico” do grupo original para revitalizar o Sexteto Secreto com um toque do Esquadrão Suicida de John Ostrander. Assim nascia uma nova equipe de vilões, que, de forma semelhante ao Esquadrão Suicida, era inicialmente recrutada para uma missão altamente perigosa. O tom debochado da trama e da própria dinâmica entre os personagens, que viviam brigando entre si o tempo todo, também era um ponto de contato entre os dois times.

A equipe original, que ganhou revival no final dos anos 1980 (Imagem: Reprodução/DC Comics)
A equipe original, que ganhou revival no final dos anos 1980 (Imagem: Reprodução/DC Comics)

Contudo, o Sexteto Secreto aos poucos ganhou seu próprio charme, e, diferente dos “suicidas”, a equipe logo se desvencilhou de seus contratantes para atuar por conta própria. O grupo era formado pelo Pistoleiro, que voltava a ser popular e chegou a aparecer no filme Esquadrão Suicida, de David Ayer; Homem-Gato, uma vilão mequetrefe do Batman que nasceu para ser uma versão masculina da Mulher-Gato; Boneco de Pano II, sucessor de um personagem de mesmo nome da Era de Ouro dos quadrinhos; e Escândalo, filha do famoso imortal Vandal Savage, famoso antagonista das histórias da Liga da Justiça, entre outros.

A série limitada de Simone e Eaglesham fez bastante sucesso porque ecoou nos anos 2000 aquele estilo de ultraviolência banalizada de Quentin Tarantino e Guy Ritchie no cinema da época, com filmes como Pulp Fiction - Tempos de Violência e Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes. Essa tonalidade, aliada ao humor sarcástico e à lascividade dos personagens, ganhou os leitores. Assim, o que seria apenas um título provisório se tornou uma revista mensal.

Imagem: Reprodução/DC Comics
Imagem: Reprodução/DC Comics

E Simone fez mais: o Homem-Gato se tornou mais relevante, como um dos melhores caçadores do panteão da DC Comics; e Escândalo virou uma personagem muito interessante, talvez a primeira abertamente queer do Multiverso da editora, antes do fim dos anos 2000.

Sexteto Secreto não tão secreto

Ao longo da trama, ficamos sabendo que o Mockingbird da nova versão era ninguém menos que Lex Luthor, que vinha manipulando o grupo de bandidos “Série Z” enquanto organizava sua Sociedade Secreta de Supervilões. Depois de sair das garras de Luthor, o Sexteto Secreto passou a recrutar rostos mais famosos, como Bane, Arlequina e Tubarão-Rei — esses dois últimos estão em O Esquadrão Suicida.

Com o sucesso da revista, as referências ao Esquadrão Suicida se tornaram cada vez mais presentes e até mesmo a equipe original deu as caras, trazendo de volta Amanda Waller e o próprio escritor de sua fase mais célebre, Ostrander, para um crossover com o Sexteto Secreto. Uma das tramas mais famosas dessa fase foi quando o grupo descobriu uma “carta de liberdade” do Inferno, que salva o portador da condenação eterna. Isso atrai vários outros supervilões e o que se vê nas páginas da revista é um verdadeiro banho de sangue.

Imagem: Reprodução/DC Comics
Imagem: Reprodução/DC Comics

Posteriormente, Bane se torna o líder do Sexteto Secreto e o Tubarão-Rei também ganha mais relevância, mas uma missão que envolve o assassinato de vários personagens ligados ao Batman se torna desastrosa e decreta o fim da equipe. O grupo chegou a ganhar um novo revival, já em 2014, também pelas mãos de Simone, mas também não durou muito tempo e encerrou os trabalhos definitivamente (pelo menos por enquanto) em 2016.

O Esquadrão Suicida pode trazer de volta o Sexteto Secreto

Atenção abaixo há spoilers sobre o final de O Esquadrão Suicida!

Além de um tom debochado mais semelhante ao Sexteto Secreto de Simone do que ao Esquadrão Suicida de Ostrander, o filme de James Gunn também reuniu alguns personagens e uma dinâmica que se assemelha mais ao trabalho do sexteto. Além disso, o final do longa evoca bastante o que aconteceu com a equipe e Lex Luthor nas páginas das revistas.

Imagem: Reprodução/DC Comics
Imagem: Reprodução/DC Comics

Assim como o Sexteto Secreto conseguiu escapar das garras de Lex e se tornar um time operativo independente, o mesmo acontece com o Esquadrão Suicida de Gunn após a equipe derrotar o vilão alienígena Starro. A Força-Tarefa X consegue se libertar do controle de Amanda Waller, ficando livre para agir em liberdade.

Esse final não somente dá ideias para um retorno do Sexteto Secreto nos quadrinhos — algo que a própria Simone já cogitou, como disse no começo do texto —, como também abre até a possibilidade para uma sequência de O Esquadrão Suicida. Mas isso provavelmente não deve acontecer, até porque a trama não nasceu para ter sequência, e, bem, o final encerra bem a jornada do grupo.

Fonte: Canaltech

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