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Conheça a HQ em que heróis eram caçados bem antes de The Boys

·5 min de leitura

Você já assistiu a The Boys? Bem, mesmo se não viu, sabe que a história envolve um grupo de humanos que recebe ajuda extraoficial do governo para caçar super-heróis análogos aos da DC Comics (Superman, Mulher-Maravilha, Batman, Flash, etc). A trama de Garth Ennis, que originalmente beirava o mau-gosto e ficou melhor na adaptação para o Amazon Prime Video, foi publicada no início dos anos 2000; e você sabia que bem antes, no final dos anos 1980, uma HQ de grande sucesso fora do mainstream já fez o mesmo?

Marshal Law foi lançada pelo adulto Epic, da Marvel Comics, em 1987, e veio para desconstruir os super-heróis — o que era tendência na mesma época de Watchmen e Batman: Cavaleiro das Trevas — com uma paródia de outro personagem que também castigava superseres, Judge Dredd, da britânica 2000 AD. E, embora seu conceito não tivesse assim tanta originalidade já naquele período, ganhou popularidade por ter um jeitinho próprio, graças à união de sucesso do roteirista Pat Mills e do desenhista Kevin O’Neill.

Mills e John Wagner, ao lado do ilustrador Carlos Ezquerra, foram os criadores de Judge Dredd, o juiz do futuro que ficou mais conhecido depois de ganhar duas adaptações para as telonas, uma delas com Sylvester Stallone. Sua escrita ácida, cheia de humor sombrio, também inundou as páginas de Marshal Law, que oferecem uma atmosfera ultraviolenta e satírica do universo dos super-heróis que estavam prestes a sofrer sua maior decadência durante os anos 1990.

Imagem: Reprodução/Epic Comics
Imagem: Reprodução/Epic Comics

Marshal Law é ambientada em uma São Francisco futurista e distópica, em que Joe Gilmore, um ex-super-soldado, tem força descomunal e fator de cura acelerado, além de um grande arsenal para destruir seus oponentes. O anti-herói é o único caçador de super-heróis sancionado pelo governo dos Estados Unidos e trabalha em uma delegacia secreta no subterrâneo, de onde só sai para demolir quem vestir uma capa nas ruas da cidade.

Arte nada convencional de O’Neill

Uma das coisas que mais chamavam a atenção nas bancas de revistas brasileiras nos anos 1990 eram as capas de Marshal Law, lançadas por aqui pela Editora Abril. Os desenhos de Kevin O’Neill se destacavam porque, mesmo sendo quase uma caricatura dos super-heróis, tinha linhas, cores e narrativa que tornavam tudo muito cínico e realista, especialmente por conta dos traços finos e precisos.

O’Neill, que vinha do efervescente mercado britânico de quadrinhos dos anos 1970, trazia no final da década posterior um estilo que confrontava os padrões comerciais, algo que ele já tinha apresentado nos primeiros anos de carreira, com Nemesis the Warlock. Mas o artista teria mesmo grande importância antes mesmo do relativo sucesso de Marshal Law.

Imagem: Reprodução/Epic Comics
Imagem: Reprodução/Epic Comics

Em 1986, O’Neill desenhou uma história dos Omega Men, na DC Comics, ao lado de Alan Moore, em Tales of the Green Lantern Corps Annual #2, e mudou o panorama dos quadrinhos mainstream dos Estados Unidos. Na época, a censura do Comics Code Authority ainda insistia em existir, e, adivinhe, implicou com a arte de O’Neill, chamando-a de “sugestiva” — e era mesmo, já que essa sempre foi uma das grandes qualidades do autor, a de provocar os leitores.

Imagem: Reprodução/Epic Comics
Imagem: Reprodução/Epic Comics

Bem, a DC Comics afirmou que o trecho havia sido aprovado pelo mesmo Comics Code Authority, e recusou-se em removê-lo. Assim, a editora aderiu ao movimento de outras do setor e deixou de estampar o selo de aprovação do código na capa. A história dos Omega Man acabou influenciando a retomada dos Lanternas de Verde de Geoff Johns; a dupla Pat Mills e Kevin O’Neill, dois talentos britânicos que já se conheciam do mercado underground, lançaram junto a graphic novel Metalzoic.

Imagem: Reprodução/DC Comics
Imagem: Reprodução/DC Comics

O’Neill adaptou seus traços, que em muitas sequências poderiam se tornar quadros de alguma exibição de arte em museus, em uma narrativa cheia de ação, que banalizava a violência e arrancava um sorrisinho tenso de canto de boca nos leitores. Suas capas brilhavam nas bancas, entre tantos outros formatos com personagens de colantes coloridos.

O que aconteceu com Marshal Law?

Em seu volume de estreia, vemos Joe Gilmore, ou Marshal Law, caçando seu “Coringa”, um serial killer conhecido como Sleepman. O criminoso possui um modus operandi bem peculiar: ele somente ataca mulheres que se vestem como Celeste, parceira de um super-herói famoso. A trama, claro, acaba revelando que há muito mais envolvido nos assassinatos, incluindo segredos há muito guardados sobre os supostamente benfeitores. A história segue com brutalidade, drogas e sexo, com uma conclusão é extremamente violenta e chocante, mesmo para os padrões do final dos anos 1980.

Imagem: Reprodução/Epic Comics
Imagem: Reprodução/Epic Comics

Embora o selo adulto Vertigo e publicações alternativas estivessem em alta nos anos 1990, época de decadência dos super-heróis, Marshal Law acabou não vingando inicialmente como uma série mensal, especialmente por conta dos compromissos de O’Neill e Mills. O artista acabou se tornando um hit também em A Liga Extraordinária, ao lado de Alan Moore; e o roteirista se envolveu com a TV, escrevendo até episódios de Doctor Who.

Imagem: Reprodução/DC Comics
Imagem: Reprodução/DC Comics

Ambos voltaram a se encontrar em 2017 em um trabalho conjunto, uma série literária de quatro livros que já publicou dois episódios, Serial Killer e Goodnight, John-Boy. Já Marshal Law apareceu em crossovers com Máskara, Batman e o Pinhead, do Hellraiser de Clive Barker.

O anti-herói chegou a ter uma nova série na editora britânica Apocalypse Comics, mas depois foi parar no limbo — talvez você consiga encontrar por aí em lojas de quadrinhos especializadas a compilação de luxo Marshal Law Omnibus, lançado pela Top Shelf em 2010 e publicada no Brasil pela Panini Comics no começo de 2019.

Fonte: Canaltech

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