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Congestionamento de portos no Brasil dá fôlego ao rali do açúcar

Fabiana Batista e Manisha Jha
·2 minuto de leitura

(Bloomberg) -- O mercado global de açúcar tem outro motivo para ganhos.

Os atrasos dos embarques que atualmente afetam as exportações de soja do Brasil também devem atingir o açúcar. A fila de navios que aguardam nos portos do maior produtor mundial de açúcar e soja é tão grande que provavelmente haverá gargalos em maio, quando o açúcar normalmente começa a ser escoado em alguns dos mesmos terminais.

O efeito dominó chega em um momento de oferta global de açúcar já apertada, pois muitos dos maiores produtores mundiais enfrentam contratempos. As exportações de açúcar da Índia são dificultadas devido à falta de contêineres, enquanto Tailândia e União Europeia tiveram safras menores. Ao mesmo tempo, Indonésia e China têm comprado mais açúcar. Os preços do açúcar bruto subiram para a maior cotação em quase quatro anos na ICE Futures em Nova York.

“É um risco muito real de que os preços do açúcar bruto possam subir devido a gargalos logísticos nos portos do Brasil, que vão competir para embarcar grãos”, disse John Stansfield, analista do Group Sopex, em Londres.

Em janeiro, as exportações de soja do Brasil foram as mais baixas desde 2014. E as exportações em fevereiro podem corresponder a menos da metade do embarque projetado.

Congestionamentos nos portos não são o único problema no Brasil. A forte seca no segundo semestre do ano passado pode reduzir a produção do país na temporada que começa em abril, mesmo com a tentativa das usinas de maximizar a produção, devido aos altos preços. O setor provavelmente vai adiar a moagem para esperar a melhora da produtividade, o que limitará o fornecimento em maio.

Além disso, o fenômeno La Niña pode trazer mais chuvas nos próximos meses ao Porto de Santos, maior exportador de soja e açúcar, o que pode desacelerar as operações, segundo a Somar Meteorologia.

A expectativa de atraso dos embarques deve dificultar as entregas do contrato de açúcar bruto de maio da bolsa de Nova York. Isso já se reflete no aumento dos spreads. O prêmio do contrato futuro de maio em relação a julho subiu para perto do maior nível desde novembro, indicando uma crise de oferta no curto prazo.

“Qualquer sinal de atraso no início da colheita devido ao tempo seco também pode significar menos oferta em maio e aumentar o spread”, disse Stansfield. “O mercado precisa de açúcar o mais rápido possível.”

No entanto, exportadores e tradings que esperam embolsar um grande prêmio entregando açúcar contra o contrato de maio podem nunca ver esses ganhos. Os mesmos gargalos portuários podem desencadear os altos custos de demurrage, ou pagamento de multa de sobre-estadia de navios, o que eliminaria o lucro com o spread, disse Ricardo Carvalho, diretor comercial da BP Bunge Bioenergia, um dos maiores produtores de açúcar do país.

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