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Confronto em Jerusalém após celebração com milhares de pessoas deixa 59 feridos

·3 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A polícia israelense e palestinos entraram em confronto nesta sexta-feira (7) na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, após um protesto que pedia o fim de despejos em áreas em disputa com os judeus. Ao menos 53 palestinos e 6 agentes israelenses ficaram feridos, de acordo com as equipes de resgate.

Na última sexta-feira do ramadã, mês sagrado para os muçulmanos, dezenas de milhares de palestinos foram orar na mesquita de Al-Aqsa, considerada o terceiro templo islâmico mais importante do mundo.

A data coincide com a celebração do dia Quds, nome árabe para Jerusalém, no qual os muçulmanos fazem protestos para reafirmar o direito dos palestinos sobre a cidade. Houve atos também em países como Irã, Iêmen e Paquistão.

Como Israel retirou boa parte das medidas de distanciamento social, já que a vacinação avançou bastante no país, os fiéis puderam se aglomerar na mesquita e nos arredores dela. "Nosso povo permanecerá firme e paciente em suas casas, em nossa terra abençoada", disse o xeique Tayseer Abu Sunainah, durante o sermão.

Muitos dos participantes permaneceram no local após a oração, para um protesto contra a expulsão de palestinos que vivem em terras disputadas com colonos judeus. Os manifestantes levaram bandeiras e cantaram versos como "com nosso sangue e alma, vamos te redimir, Aqsa".

Em seguida, houve confrontos. "Centenas de pessoas lançaram pedras, garrafas e outros objetos contra os agentes, que responderam", segundo Wassem Badr, porta-voz da polícia de Israel. De acordo com a ONG Crescente Vermelho, ao menos um palestino foi ferido no olho por uma bala de borracha e outro foi atingido na cabeça por um projétil similar.

Jerusalém vive dias de tensão e protestos contra planos de retirada de famílias palestinas do bairro de Sheik Jarrah. Na madrugada desta sexta, 15 palestinos foram detidos em meio aos atos. Horas depois, houve novos protestos naquele bairro.

Na segunda (10), a Suprema Corte de Israel analisará um processo sobre despejos em Sheik Jarrah. A maioria dos moradores do bairro são palestinos, mas o local abriga um espaço sagrado para os judeus: a tumba de Simeão, o Justo, que foi sumo sacerdote por volta do ano 300 a.C.

O caso em questão envolve a retirada de quatro famílias palestinas. O tribunal regional de Jerusalém decidiu, no começo do ano, que esses terrenos deveriam ser devolvidos a famílias judias.

Pela lei de Israel, se judeus puderem provar que sua família vivia em Jerusalém Oriental antes de 1948, podem pedir que sejam restituídos seus direitos de propriedade. A regra é duramente contestada pelos palestinos.

O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos disse que os despejos violariam os compromissos internacionais de Israel em relação aos palestinos e pediu o fim das expulsões de moradores.

A União Europeia e os governos do Kuwait e da Jordânia disseram estar preocupados com a retirada dos moradores. O governo dos EUA afirmou estar profundamente preocupado com as tensões em Jerusalém e pediu a suspensão de atos unilaterais, como a expulsão de famílias.

O governo de Israel disse que os palestinos estão "tratando uma disputa imobiliária entre partes privadas como uma causa nacionalista, para incitar a violência".

No fim de abril, a ONG Human Rights Watch (HRW) publicou um relatório em que acusa o Estado de Israel de cometer crimes de apartheid e perseguição contra árabes e palestinos, o que, no direito internacional, equivale a crimes contra a humanidade.

No documento com mais de 200 páginas, a HRW aponta restrições impostas por Israel à movimentação dos palestinos e a apreensão de terras para a construção de assentamentos judaicos em territórios ocupados desde a guerra de 1967 como exemplos dos crimes cometidos.

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