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Confirmado: objeto gigante vindo da Nuvem de Oort é mesmo um cometa

·4 minuto de leitura

Há um cometa vindo em direção ao Sistema Solar — e não é um cometa qualquer. O objeto C/2014 UN271 vem de muito longe, especificamente da Nuvem de Oort, onde a observação astronômica é muito limitada. Além disso, é um cometa gigante, de proporções realmente impressionantes. Ele ganhou agora o nome oficial de Bernardinelli-Bernstein porque Pedro Bernardinelli e Gary Bernstein, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, são os astrônomos que o encontraram — e Bernardinelli é brasileiro, por sinal.

Nosso Sistema Solar pode não ser muito grande quando estamos acostumados a ver imagens de galáxias e aglomerados de galáxias, mas é grande o suficiente para não sermos capazes de saber o que há nas regiões periféricas, onde a luz solar não alcança. Uma dessas áreas é a Nuvem de Oort, e ainda há muitas perguntas sem respostas sobre ela. Sabemos que ali se concentram um montão de pedregulhos, mas não há informações sobre a composição deles.

(Imagem: Reprodução/NOIRLab/NSF/AURA/J. da Silva)
(Imagem: Reprodução/NOIRLab/NSF/AURA/J. da Silva)

Para a nossa sorte, alguns desses objetos eventualmente passam perto da Terra, e temos a oportunidade de observá-los para aprender mais sobre nosso “quintal cósmico”. Claro, pode demorar muito tempo para que a órbita de uma dessas rochas a traga para perto do Sol, mas, quando isso acontece, é um grande evento. Esse é o caso do cometa Bernardinelli-Bernstein, mas há muito mais sobre ele que merece atenção.

A princípio, parecia difícil determinar se este objeto é mesmo um cometa, porque ele não apresentava a clássica cauda em imagens anteriores, nos arquivos de telescópios que fotografaram o C/2014 UN271 “acidentalmente”. A ausência de cauda é porque o cometa está muito longe do Sol — as caudas são resultado da ação dos raios solares, à medida que esses objetos se aproximam da nossa estrela e acabam se aquecendo. Felizmente, uma observação da rede do Observatório Las Cumbres mostrou que o C/2014 UN271 agora tem um coma de gás e poeira ao redor, características de um cometa se aproximando do Sol.

As estimativas são de que o Bernardinelli-Bernstein é cerca de mil vezes mais massivo que um cometa típico. Além disso, ele tem uma órbita extremamente alongada, que o leva para se "perder" dentro da Nuvem de Oort por muitos de milhões de anos, para só depois viajar novamente em direção ao Sol. É o cometa mais distante a ser descoberto antes de entrar nas órbitas planetárias, o que dará aos astrônomos alguns anos para vê-lo se aproximando.

(Imagem: Reprodução/Dark Energy Survey/DOE/FNAL/DECam/CTIO/NOIRLab/NSF/AURA/P. Bernardinelli & G. Bernstein (UPenn)/DESI Legacy Imaging Surveys)
(Imagem: Reprodução/Dark Energy Survey/DOE/FNAL/DECam/CTIO/NOIRLab/NSF/AURA/P. Bernardinelli & G. Bernstein (UPenn)/DESI Legacy Imaging Surveys)

Voltando aos números impressionantes, o cometa tem diâmetro estimado de 100 a 200 km, ou 10 vezes o diâmetro da maioria dos cometas. As estimativas de tamanho são baseadas na quantidade de luz solar que ele reflete. Sua atual jornada interna começou a uma distância de mais de 40 mil unidades astronômicas distante do Sol (uma unidade astronômica é a distância média entre o Sol e a Terra, aproximadamente 150 milhões de km). Ou seja, o cometa estava a 6 trilhões de km do Sol. Para termos uma noção de escala, o distante Plutão está a 39 unidades astronômicas do Sol.

Em 2014, o Bernardinelli-Bernstein estava a uma distância de 29 unidades astronômicas, que é aproximadamente a órbita de Netuno, e em junho de 2021 estava a 20 unidades astronômicas. A órbita do cometa é perpendicular ao plano do Sistema Solar e atingirá seu ponto mais próximo do Sol em 2031, mas ele não chegará muito perto de nós aqui na Terra. Na verdade, ele ficará no máximo a uma distância semelhante à de Saturno em relação ao Sol, então serão necessários bons telescópios para observá-lo.

Mas por que ele é tão importante? É que, por vir da Nuvem de Oort, o cometa trará informações valiosas sobre a composição dos objetos que existem por lá — todos pouco alterados durante os 4,5 bilhões de anos de vida do Sistema Solar, porque recebem pouca radiação solar. Os astrônomos cogitam que pode haver muitos outros cometas gigantes como este espalhados pelos confins do Sistema Solar, por conta da migração de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, algo que aconteceu há bilhões de anos.

Ainda não se sabe o quão brilhante ele ficará quando atingir seu ponto mais próximo do Sol, mas Bernardinelli disse que o observatório Vera C. Rubin “medirá continuamente o cometa Bernardinelli-Bernstein até seu periélio em 2031 e provavelmente encontrará muitos, muitos outros como ele". Isso ajudaria os astrônomos a determinar as características dos objetos da Nuvem de Oort com detalhes refinados.

O cometa apareceu durante uma varredura de imagens de arquivos do Dark Energy Survey, que tem o objetivo de mapear 300 milhões de galáxias em uma faixa do céu noturno. Mas suas observações também revelaram vários cometas e objetos transnetunianos, e foi assim que Bernardinelli e Bernstein identificaram o C/2014 UN271. Agora que ele foi confirmado como um autêntico cometa, resta esperar pelas futuras observações e as revelações que elas trarão sobre as regiões mais misteriosas do nosso Sistema Solar.

Fonte: Canaltech

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