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Confirmado: há vapor de água na superfície de Europa, lua de Júpiter

Patrícia Gnipper

Encélado e Europa (luas de Saturno e Júpiter, respectivamente) são dois mundos congelados do Sistema Solar onde possivelmente há oceanos líquidos abaixo de sua superfície. Por isso, vêm sendo bastante estudados por cientistas em busca de potenciais formas de vida fora da Terra. Europa, inclusive, receberá uma sonda como parte da missão Europa Clipper em 2023.

Agora, uma equipe de pesquisadores internacionais, sob a liderança da NASA, acaba de confirmar, pela primeira vez, que existe vapor de água acima da superfície de Europa, tudo contando com um dos maiores telescópios do mundo, que fica no Havaí — o Observatório Keck.

“Elementos químicos essenciais (carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, fósforo e enxofre) e fontes de energia, dois dos três requisitos para a vida, são encontrados em todo o Sistema Solar. Mas a terceira — água líquida — é um pouco difícil de encontrar além da Terra. Mas, embora os cientistas ainda não tenham detectado água líquida diretamente, descobrimos a próxima melhor coisa: água em forma de vapor”, declarou Lucas Paganini, cientista planetário da NASA que liderou a investigação.

Europa, então, pode ter todos os ingredientes necessários para que a vida floresça em seu oceano subterrâneo, já que, agora, a presença de água está confirmada. Essa água, por sinal, às vezes pode entrar em erupção por meio de gêiseres, que são aberturas na crosta congelada, liberando à superfície material de seu interior — tal qual também acontece em Encélado.

À esquerda, Europa vista pela Voyager 1 em 1979. No centro, a lua joviana vista pela Voyager 2 no mesmo ano. À direita, vemos Europa fotografada pela sonda Galileo nos anos 1990 (Foto: NASA)

"Confirmar que o vapor de água está presente acima de Europa ajuda os cientistas a entender melhor o funcionamento interno da lua", diz a NASA. A agência espacial dos EUA estima que o oceano de Europa pode ser duas vezes maior do que o da Terra. Contudo, outros cientistas suspeitam que a fonte de água observada nas plumas possam ser reservatórios rasos de gelo derretido não muito abaixo da superfície. Ainda, é possível que o forte campo de radiação de Júpiter retire partículas de água da crosta congelada da lua em questão, mas investigações recentes argumentem contra esta ideia.

No estudo publicado na Nature Astronomy, Paganini e sua equipe relatam terem detectado água suficiente sendo liberada em Europa a ponto de encher uma piscina olímpica em questão de minutos. No entanto, essa água aparece com pouca frequência — ao menos em quantidades suficientes para ser detectada daqui da Terra.

Enquanto novos estudos seguem em andamento para entendermos, cada vez mais, o que há abaixo da superfície de Europa — bem como descobrirmos mais sobre essa água, agora confirmada —, os cientistas em breve poderão chegar pertinho da lua joviana para desvendar ainda mais mistérios e, quem sabe, até mesmo descobrir algum tipo de vida por lá, ainda que microbiana.

A Europa Clipper pode ser lançada em 2023 ou em uma próxima janela em 2025 e, quando chegar a seu destino, realizará uma pesquisa detalhada sobre a superfície de Europa, estudando também seu interior e sua fina atmosfera. E, claro, receberemos muitas imagens do satélite natural, incluindo fotos das plumas de água que são expelidas do oceano subterrâneo por meio dos gêiseres. Ainda, a sonda buscará um local promissor para que, no futuro, alguma outra nave possa pousar na superfície de Europa com o objetivo de coletar amostras.

Fonte: Canaltech

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