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Confiança empresarial sobe para maior nível do ano em dezembro, diz FGV

Alessandra Saraiva

Impulsionada por sinais de melhora na economia, a confiança do empresário brasileiro encerrou 2019 com a maior alta em dois anos. É o que mostrou hoje a Fundação Getulio Vargas (FGV) ao anunciar o Índice de Confiança Empresarial (ICE) de dezembro do ano passado, que subiu 1,5 ponto no último mês de 2019, para 97,1 pontos. Foi a mais intensa elevação desde janeiro de 2019 (1,6 ponto), e levou o índice a registrar o maior patamar também desde janeiro do ano passado (97,5 pontos), informou Viviane Seda Bittencourt, coordenadora de sondagens da fundação.

Com o desempenho, o ICE encerrou 2019 com saldo acumulado positivo de 1,2 ponto no ano, o mais forte desde 2017 (11,4 pontos), acrescentou Viviane.

Na prática, o empresariado no quarto trimestre de 2019 ficou mais otimista, com percepção de melhoras nos negócios e na demanda de momento presente. Ela não descartou continuidade de trajetória ascendente do ICE em 2020, com possibilidade de atingir novamente a faixa dos 100 pontos (limite favorável do indicador) - algo que não ocorre desde dezembro de 2013.

Na evolução dos dois sub-indicadores componentes do ICE, é perceptível a contribuição das avaliações sobre momento presente para o resultado favorável. O Índice de Situação Atual (ISA) subiu 1,7 pontos entre novembro e dezembro, para 94,5 pontos, o maior nível desde abril de 2014 (96,5 pontos). Já o Índice de Expectativas (IE) caiu 0,1 ponto, para 100,1 pontos, mantendo-se estável no período.

Viviane lembrou que, no quarto trimestre, vários fatores atípicos para o período contribuíram para elevar demanda no mercado interno, com impacto positivo em diferentes setores da economia.

A especialista citou a autorização de parte de saques do FGTS e do PIS/Pasep, por parte do governo, que levou a aumento em poder aquisitivo da população, com influências favoráveis para os setores de serviços e de comércio.

Além disso, a forte demanda chinesa por carne brasileira tem animado a indústria brasileira, que experimentou um “boom” de exportações de carne bovina - o que ajudou a elevar a confiança industrial.

Outro fator mencionado por Viviane foram os sinais de maior ritmo de empreendimentos na construção civil, o que animou a confiança do empresariado do setor, notou ela.

Assim, na prática, os quatro setores componentes do ICE – comércio, serviços, indústria e construção - apresentavam condições favoráveis no último trimestre de 2019, levando a um saldo positivo do indicador mensal em dezembro e no acumulado do ano passado.

“Há, hoje, uma percepção de empresários de que ocorre uma recuperação [na economia]. E isso está fazendo eles se sentirem mais confiantes”, resumiu ela.

Ao ser questionada sobre a trajetória do ICE para esse ano, a técnica afirmou que o indicador tem todas as condições para continuar subindo - embora não na mesma magnitude observada no fim do ano passado. Ela comentou que 2020, muito provavelmente, não contará com autorização de novos saques de FGTS. Além disso, não há sinais de que a demanda chinesa por carne brasileira continuará, esse ano, com a mesma intensidade observada no quarto trimestre de 2019.

“[O ICE] tem condições de continuar recuperando e continuar a crescer mas vamos depender também dos níveis de incerteza [na economia]. Parte dos empresários está com ímpeto maior de contratar”, lembrou ela, notando que há sinais de ritmo melhor de contratações na indústria. “Se isso ganhar mais fôlego, a recuperação [da economia] é mais sustentável. Mas parece que temos, hoje, um sinal mais favorável da confiança do empresário”, afirmou ela.