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Confiança dos serviços sobe 7,3 pontos em julho, mostra FGV

Alessandra Saraiva

"Ainda há um caminho considerável para voltar ao ritmo anterior à pandemia”, avalia o economista da instituição, Rodolpho Tobler O avanço do uso de capacidade instalada entre as empresas de serviços em julho, mesmo durante a pandemia, comprova melhora na demanda do setor no mês - que deve prosseguir nos próximos meses, afirmou Rodolpho Tobler, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Ele fez a observação ao comentar a alta de 7,3 pontos no Índice de Confiança do setor de Serviços (ICS) entre junho e julho para 79 pontos. Na sondagem de serviços, pesquisa do qual o ICS é indicador síntese, o Nível de Utilização de Capacidade Instalada (Nuci) ficou em 80,5% em julho, acima de junho (77,2%) e o maior desde março desse ano (82%).

Com os sinais de melhora na demanda, a expectativa de emprego no setor, em julho, mostrou melhor resultado em quatro meses.

Ao falar sobre o Nuci, Tobler comenta que foi o primeiro avanço desse indicador em quatro meses. "O resultado de julho confirma que tivemos uma reação importante para o setor, na demanda de momento presente", observou ele.

Isso é visível na evolução dos dois sub-indicadores componentes do ICS. O Índice de Situação Atual (ISA) subiu 7 pontos entre junho e julho para 71 pontos. O aumento foi semelhante no Índice de Expectativas (IE) que avançou 7,5 pontos no período, para 87,3 pontos.

O economista lembrou que os serviços foram fortemente afetados pela crise econômica causada pelo avanço de covid-19 no país. Ele recordou as restrições de circulação e fechamento de comércio iniciadas em meados de março, quando ocorreu intensificação da doença.

"Desde o início da pandemia em março, o ICS recuperou até julho 64% do que perdeu durante a crise. Mas se olharmos o ISA e o IE, o ISA recuperou apenas 45%; e o IE, 78%", afirmou ele. Isso indica, notou o especialista, que a retomada do ICS estava mais sendo orientada mais por esperança melhor no futuro do que melhora efetiva no presente - até agora.

O cenário acabou por favorecer as expectativas para mercado de trabalho no setor, acrescentou o técnico. Na sondagem de serviços, o tópico de emprego previsto para os próximos meses subiu de 78,9 pontos para 88,6 pontos em julho, o maior desde março (99,9 pontos).

Apesar dos sinais de melhora em julho, o economista frisou que tanto a confiança, quanto a atividade da economia de serviços, ainda têm longo caminho a percorrer. Mesmo com alta em julho, o ICS opera ainda distante da média histórica de 94 pontos de antes da pandemia. O Nuci, por sua vez, antes da pandemia, oscilava na faixa dos 80% - e, no caso de emprego previsto, Tobler comentou que esse indicador quando se posiciona abaixo de 100 pontos indica que maior parte dos empresários está mais propenso a demitir do que contratar.

"Foi um baque grande", comentou ele. "Não conseguimos imaginar que o setor conseguirá recuperar em três a quatro meses o que ele perdeu nos últimos três a quatro meses" disse o técnico.

Para ele, a recuperação do setor se dará de forma lenta e gradual, em periodo de médio prazo, em seis a 10 meses.

Outro ponto observado pelo técnico é que a retomada na confiança e na atividade do setor continuará caso não ocorra agravamento de contaminação pela doença no país. "A continuidade da trajetória positiva [no ICS] está bastante clara, caso o cenário de hoje, da doença, não mude", afirmou, citando outras possibilidades, como segunda onda de covid-19 e novos fechamentos de comércio e serviços, nas principais capitais.