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Confiança da indústria sobe em fevereiro e retoma nível de março de 2018

Valor

É a quarta alta consecutiva do indicador, que acumula avanço de 6,0 pontos desde outubro, mas ainda não reflete piora do cenário sobre coronavírus O Índice de Confiança da Indústria (ICI) da Fundação Getulio Vargas (FGV) avançou 0,5 ponto em fevereiro, para 101,4, mesmo nível de março de 2018. Com o resultado, o índice registra a quarta alta consecutiva e um avanço de 6,0 pontos desde outubro de 2019.

Em fevereiro, a confiança subiu em 12 dos 19 segmentos industriais pesquisados. O resultado positivo decorre da melhora da percepção dos empresários sobre a situação atual. O Índice de Situação Atual subiu 1,2 ponto, para 100,9, o maior nível desde outubro de 2013 (101,6). O Índice de Expectativas (IE), por sua vez, ficou praticamente estável, ao ceder 0,2 ponto em relação ao mês anterior, para 101,8.

Neste mês, a maior contribuição para o ISA veio da melhor percepção dos empresários sobre a demanda.

O indicador que mede a demanda total subiu de 97,7 pontos para 100,9, o maior patamar desde dezembro de 2013 (101,8), ultrapassando o nível neutro. Em relação aos demais indicadores, o que mensura a situação atual dos negócios aumentou 1,9 ponto, para 101,9, enquanto o nível de estoques caiu 1,6 ponto, para 99,9.

Alberto Cesar Araújo/Valor

Sobre o IE, apesar de os indicadores que medem as perspectivas para a evolução do ambiente de negócios nos próximos seis meses e o volume de pessoal ocupado nos próximos três meses apresentarem altas de 1,4 ponto e 1,0 ponto respectivamente, para 104,9 e 101,0, a queda de 3,0 pontos do indicador de produção prevista, para 99,6, influenciou a piora das expectativas no mês.

Confiança do setor de serviços cai ao menor nível desde outubro de 2019

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) aumentou 0,5 ponto percentual (p.p.), para 76,2%, o mesmo observado em outubro de 2018. Em médias móveis trimestrais, o Nuci subiu 0,3 p.p., passando de 75,4% em dezembro e janeiro para 75,7% em fevereiro.

“A continuidade da tendência de recuperação da confiança industrial ancorou-se, em fevereiro, na melhora dos indicadores da situação atual, com destaque para a alta de 3,2 pontos do indicador de demanda, que retornou ao nível correspondente à neutralidade, e ao avanço do Nuci”, diz Renata de Mello Franco, economista da FGV, em comentário no relatório.

“Para os próximos três meses, no entanto, a sondagem indica certa cautela por parte dos empresários, tanto nas previsões em relação à demanda quanto ao nível futuro de produção. Lembro que a pesquisa de fevereiro foi produzida com dados coletados até o dia 21 deste mês, não capturando, portanto, a piora do cenário econômico mundial com a divulgação de casos de coronavírus na Europa e no Brasil”, acrescenta a economista.