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Confiança da indústria sinaliza maior alta em dez meses, aponta FGV

Alessandra Saraiva

“Há um sentimento de que o quarto trimestre desse ano vai ser melhor do que o quarto trimestre do ano passado", diz a pesquisadora Renata de Mello Franco Expectativas em alta por parte do empresariado melhoraram o humor do setor industrial em novembro, que sinaliza maior patamar de confiança em dez meses. É o que mostrou nesta sexta-feira a Fundação Getulio Vargas (FGV) ao divulgar a prévia do Índice de Confiança da Indústria (ICI), com aumento de 0,9 ponto, para 95,2 pontos, ante resultado completo de outubro. Caso seja confirmado, será a maior elevação do indicador desde janeiro (2,6 pontos), afirmou Renata de Mello Franco, pesquisadora da fundação.

O impacto das perspectivas mais favoráveis no indicador é visível nos resultados preliminares dos dois subindicadores do ICI. Em novembro, o Índice de Situação Atual (ISA) caiu 0,3 ponto para 95,1 pontos, ante resultado completo de outubro – enquanto o Índice de Expectativas (IE) avançou 2 pontos, no mesmo período de comparação, para 95,9 pontos.

“Há um sentimento de que o quarto trimestre desse ano vai ser melhor do que o quarto trimestre do ano passado [para os negócios da indústria]”, afirmou a economista.

Anna Carolina Negri/Valor

Ela lembrou que, além de historicamente mais aquecido em termos de demanda, por conta de pagamento de 13º salário e bonificações, o quarto trimestre pode ter o consumo interno impulsionado com autorizações de saques de parte do FGTS e PIS-Pasep.

E o consumo interno é que deve dar o tom para a melhora na demanda da indústria, observou Renata - e não a demanda externa. O atual cenário de turbulência nos países latino-americanos confere contexto ruim para a performance das exportações brasileiras, notou a técnica. Além disso, há sinais de desaceleração no ritmo de crescimento da economia mundial, lembrou ela.

Outro aspecto frisado pela especialista é que, na prática, o que a prévia de novembro mostra é uma esperança de melhora - e não uma constatação efetiva de que a demanda tenha tido salto expressivo, com impacto nos negócios no momento presente na indústria.

Além do comportamento em queda do ISA para comprovar essa tese, ela citou como exemplo a evolução das quatro grandes categorias de uso na prévia. Sem mencionar percentuais, visto que os números são preliminares, a técnica comentou que bens de capital, bens duráveis e bens não duráveis apresentaram ICI estável em novembro, na comparação com resultado fechado de outubro. Somente bens de intermediários, de maior peso, teve elevação. Para ela, isso mostra cautela por parte do empresariado industrial.

“Por enquanto não conseguimos ver recuperação expressiva [nos negócios da indústria]. O entendimento deles [dos industriais] é que ainda existe uma recuperação lenta em curso”, afirmou ela. “Mas o fato de que bens intermediários está mostrando alta na confiança é um bom sinal” afirmou, lembrando que essa categoria é a de maior peso na indústria da transformação, com mais de 50% de participação na atividade. “Mas precisamos esperar como vai se comportar a demanda interna para ver como ficará a confiança da indústria”, afirmou ela.