Mercado abrirá em 1 h 11 min

Confiança do comércio recua em novembro, aponta FGV

Valor

Retração em novembro foi observada em oito dos 13 segmentos acompanhados e foi mais influenciada pela piora das expectativas As expectativas dos comerciantes varejistas mostraram em novembro a mais intensa queda em seis meses e acenderam um sinal de alerta. É o que mostrou hoje a Fundação Getulio Vargas (FGV) ao anunciar recuo de 0,6 ponto entre outubro e novembro para 97,8 pontos no Índice de Confiança do Comércio (Icom). Um dos aspectos que mais contribuíram para o recuo foi o comportamento do Índice de Expectativas (IE) que mostrou queda de 1 ponto no período, para 100,9 pontos. Foi a mais intensa retração desde maio deste ano (6,6 pontos), segundo Rodolpho Tobler, pesquisador da fundação.

Valter Campanato/Agência Brasil

Para Tobler, os comerciantes estão cautelosos com a ausência de sinais de melhora mais robusta no nível de emprego. Além disso, também se mostram preocupados com incertezas que cercam as negociações, no governo, sobre quais seriam as ações a serem incluídas em uma reforma tributária – que afeta diretamente o andamento de negócios do setor. Na análise do especialista, o cenário de novembro delineado pelo indicador mostra que a manutenção de tendência de retomada na confiança do setor é incerta.

Além da desconfiança quanto ao futuro, o momento presente para os negócios do varejo mostrou-se neutro. Nem mesmo a liberação de parte do FGTS aos consumidores, o que conferiu maior poder aquisitivo para consumo, impediu que o Índice de Situação Atual (ISA) caísse 0,2 ponto, para 94,9 pontos.

Entretanto, o impacto benéfico do FGTS pôde ser sentido na avaliação de estocagem, admitiu Tobler. Em novembro, ficou em 14,2% a parcela de empresários em média móvel trimestral que classificou estoques como excessivos. Foi a menor fatia desde junho de 2017 (13,4%).

Mas a autorização de saques do FGTS não é fator de influência que se sustentará por muito tempo, observou o técnico. Houve melhora de vendas no segundo semestre, mas ainda abaixo do esperado pelo setor, frisou ele. Isso porque, mesmo em ambiente de juros baixos, inflação fraca, com maior e melhor oferta de crédito, a demanda não mostrou retomada expressiva.

“O emprego se recuperou mas pelo mercado informal, que tem baixos salários, com renda baixa, o que não impacta muito poder aquisitivo”, comentou ele. “O mercado de trabalho não tem reagido com a velocidade esperada pelo setor”, comentou o técnico. “Isso [o mercado de trabalho] e a incerteza tributária tem pesado muito na confiança do varejo”, afirmou.

Na análise do técnico, o setor esperava uma recuperação de negócios em 2019 muito mais intensa do que realmente ocorreu. Isso, na prática, deixa o humor do empresariado mais cauteloso para o ano que vem, diz.