Confiança do comércio foi a maior da série histórica

Os empresários do varejo estão com a confiança em alta, demonstra o Índice de Confiança do Comércio (Icom), do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), divulgado nesta sexta-feira. Na média do quarto trimestre de 2012, o índice subiu 1,5% ante o mesmo período do ano anterior, o melhor resultado da série histórica, iniciada em março de 2010. Porém, o resultado não seria tão positivo não fossem os incentivos do governo para a compra de veículos.

Sozinho, o item que mede a confiança relativa às vendas de automóveis, motos, partes e peças avançou 8,2% na comparação com igual período do ano anterior, resultado também recorde. No trimestre imediatamente anterior, até novembro do ano passado, a variação havia sido de 4,3%. "A tendência é que a retirada dos incentivos para a compra de duráveis afete o resultado do índice nos próximos meses", destacou o consultor técnico do Ibre/FGV Jorge Braga.

Na contramão, os empresários do varejo restrito, que exclui os segmentos de veículos e material de construção, demonstraram pessimismo com os negócios. Para este grupo, o Icom caiu 0,9% na média do trimestre até dezembro de 2012, após registrar alta de 0,4% no trimestre até novembro. No varejo restrito, a confiança nos segmentos de hipermercados e supermercados (+6,9%) e combustíveis e lubrificantes (+2,5%) ainda puxaram o grupo. Porém, móveis e eletrodomésticos apresentaram desempenho negativo de 9,6%. "Isso pode ser um reflexo das expectativas para os próximos meses, quando deverá ter redução gradual dos incentivos do governo", justificou Braga, acrescentando que o comprometimento da renda das famílias com dívidas também tem influenciado a confiança do setor.

O consultor do Ibre/FGV destacou ainda que o comércio apresenta expectativas abaixo da média histórica. O Índice de Expectativa (IE-Com), de 149,7 pontos na média trimestral até dezembro, está abaixo da média histórica, de 158,2 pontos. A principal contribuição para este resultado parte do item relativo às vendas previstas, que estão em 146,8 pontos, também abaixo da média histórica, de 156,0 pontos. A variação deste indicador no trimestre até dezembro avançou 0,5%, após subir 0,6% no trimestre concluído em novembro.

Na sondagem de dezembro, a maior parte dos empresários do comércio elegeu a competição como principal limitação ao avanço das vendas e da confiança. Do total de 1,2 mil empresas pesquisadas, 30,1% apontaram este como o maior impeditivo para que as vendas avancem.

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