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Condições financeiras pioram e ameaçam retomada em 2021, diz Ibre/FGV

Arícia Martins
·4 minutos de leitura

Projeção do instituto de crescimento de 3,5% para o próximo ano não leva em conta o aperto recente em indicadores como juros futuros, índices de bolsas e câmbio A piora das condições financeiras ao longo de agosto e setembro reflete as incertezas sobre o comprometimento do governo com o equilíbrio das contas públicas, e não deve ser revertida enquanto o imbróglio fiscal não for resolvido. A avaliação é de Luana Miranda, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) e uma das responsáveis pelo Índice de Condições Financeiras (ICF) da entidade. Mensurado em desvios-padrão acima ou abaixo da média histórica, o ICF do Ibre/FGV terminou o dia de ontem em 0,99 ponto, depois de ter ficado os últimos 12 dias acima de 1. Números abaixo de zero indicam condições financeiras frouxas, e acima dessa linha divisória, apertadas. Em setembro, o índice começou o mês em 0,79, patamar para o qual não retornou desde então. “Vemos um forte aperto. As condições financeiras voltaram a níveis compatíveis com abril, que não foi o pior momento da crise, mas foi um dos mais intensos”, disse Luana. Lançado neste ano pelo instituto, o ICF agrega componentes de preços (commodities, petróleo e câmbio, por exemplo), de confiança dos agentes e incerteza econômica, e variáveis do mercado financeiro, como índices das bolsas de valores nacional e internacionais, medidas de risco-país e spreads de juros. Embora todos os dados que fazem parte do ICF tenham mostrado piora, o que mais contribuiu com o aperto recente foi a inclinação da curva de juros, bastante afetada pelo aumento do risco fiscal, observa a economista. “Os juros de prazo mais curto caíram, enquanto os juros mais longos estão subindo. Se há uma sinalização de risco, o investidor cobra mais juros para segurar títulos num horizonte mais longo, devido a incerteza maior em relação ao futuro”, explicou. Para Luana, a inclinação da curva está relacionada às idas e vindas do governo sobre a criação de um programa de renda mínima substituto do Bolsa Família, que levantou muitas dúvidas sobre quais serão suas fontes de financiamento e também a respeito da sobrevivência do teto de gastos, única âncora fiscal ainda vigente no país. Enquanto esse impasse não for resolvido, não é possível vislumbrar melhora das condições financeiras, diz ela. “Essa vai e vem de propostas traz muita volatilidade ao mercado”, aponta Luana, para quem o governo precisa dar um posicionamento claro de como o Renda Cidadã será viabilizado sem uso de “contabilidade criativa”. No próximo ano, o mercado de trabalho ainda estará fragilizado e as famílias ainda vão precisar de auxílio, avalia Luana, mas a situação fiscal do país já era preocupante antes da pandemia e, por isso, é necessário balancear a continuidade das políticas sociais com a sustentabilidade fiscal. Como achar fontes de recursos para o programa de renda básica envolve tomar medidas impopulares e o governo parece pouco disposto a isso, o mais provável que as condições financeiras continuem no patamar atual, o que coloca viés de baixa na expectativa de retomada econômica em 2021, diz Luana. O Ibre trabalha com expansão de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, mas a pesquisadora destaca que essa previsão não conta com manutenção do ICF nos níveis correntes. “Se as condições financeiras permanecerem no nível em que estão hoje, teremos que revisar essa projeção para baixo”, afirma a pesquisadora, que avalia o ICF como um “poderoso previsor” do desempenho do PIB um trimestre à frente. O índice de condições financeiras é formado por retornos de ativos financeiros com capacidade de prever a atividade econômica futura, além de conter as expectativas dos agentes, apontou Luana. Ela destaca, ainda, que a piora recente do ICF deve afetar a atividade econômica justamente no início do ano que vem, que seria o momento mais delicado da recuperação. “É o período de maior incerteza. Vamos ver como a economia estará reagindo sem os auxílios e se a poupança acumulada ao longo deste ano vai ajudar a suavizar o consumo”, diz Luana, acrescentando a piora das condições financeiras e o comportamento do mercado de trabalho após o fim das medidas de suporte à renda como outros riscos à atividade. Ralph Orlowski/Bloomberg