Concorrência derruba faturamento médio de shoppings

Em plena expansão, o setor de shopping centers já está sentindo os efeitos da chegada de novos empreendimentos no mercado. Dados divulgados nesta quinta-feira pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) revelam que, em 2012, o volume de vendas médio de cada shopping no País diminuiu pela primeira vez em 10 anos, tendência que deve ser mantida daqui pra frente, segundo estima a associação.

O faturamento total do setor foi de R$ 119,5 bilhões no ano de 2012, alta de 10,6% ante 2011. O volume, porém, equivale a um faturamento anual médio de R$ 261,4 milhões por shopping, resultado 2,4% menor em comparação com o faturamento médio de R$ 267,9 milhões registrado em 2011. A queda anual é a primeira registrada desde 2002, quando a Abrasce começou a fazer o levantamento. De 2010 para 2011, o faturamento médio subiu 20,1%, e de 2009 para 2010, o aumento foi de 18,1%.

Na avaliação de Luiz Fernando Veiga, presidente da Abrasce, essa queda é uma consequência natural do maior número de centros de compra em operação. "Houve um tempo em que o shopping estava sozinho na cidade e vendia horrores. Essa concentração não era boa. Agora as vendas estão mais divididas", afirmou, em entrevista à Agência Estado. "Ano que vem vai (o faturamento médio) vai cair mais ainda", estimou.

Em 2012, 27 shoppings centers foram abertos no País, um número recorde. Para este ano, estão previstas mais 46 inaugurações, e para 2014, outras 23, totalizando 526 centros em funcionamento, de acordo com estimativas da Abrasce.

Em meio ao novo contexto, as empresas operadoras e proprietárias de shoppings centers deverão investir no crescimento e nos ganhos de escala para evitar a perda de receita, segundo Veiga. "Grandes redes de shopping têm a vantagem da economia de escala", afirmou, referindo-se à capacidade de diminuir custos na gestão dos condomínios e negociar melhores alugueis com os lojistas. "É mais fácil para uma empresa que tem dezenas de shoppings negociar com as varejistas", opinou.

Veiga ainda fez a ressalva de que com o maior número de shoppings em operação, os lojistas terão maior poder de barganha na definição dos valores de locação e renovação de contratos. "O momento é favorável ao lojista. Com condição melhor de negociação, a tendência é que a média (dos aumentos de alugueis) caia", afirmou.

2013

Apesar de prever um desempenho mais fraco na média dos shoppings, as perspectivas da Abrasce para o setor em 2013 são positivas. A associação espera um aumento de 12% nas vendas, totalizando R$ 133,8 bilhões até o fim do ano. Segundo Veiga, a alta é explicada pelo grande número de shoppings que serão abertos, trazendo novos consumidores para esse mercado.

Além disso, as melhoras contínuas nas condições de emprego, renda e crédito sustentam a demanda, disse. Conforme dados da Abrasce, 22% dos visitantes dos shoppings são da classe A, 54% da B, 23% da C e 1% da D. "Pela primeira vez, a classe D apareceu na pesquisa. E a classe B foi a que mais cresceu, com a subida das pessoas vindas da classe C", explicou.

Já no ano passado, a alta do faturamento no setor foi de 10,6% e ficou abaixo dos 12% projetados. "As vendas ao longo do ano não foram tão boas quanto esperávamos", admitiu Veiga, referindo-se ao freio no consumo após o aumento do endividamento e inadimplência das famílias.

Em 2012, o setor de shoppings abrigava 83,6 mil lojas em 165 cidades, e contava com 877 mil trabalhadores. Segundo a Abrasce, serão 94,1 mil lojas em 2013, e um total de 987 mil funcionários.

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