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Comunicação não-violenta pode trazer benefícios para o ambiente corporativo

A CNV, também conhecida como Comunicação Não-violenta, pode auxiliar as empresas a deixar os ambientes menos hostis (Pixabay)

De acordo com pesquisa do Instituto Gallup realizada com 24 milhões de profissionais, apenas 13% deles são engajados e satisfeitos com o trabalho. O motivo? As relações humanas. Prova disso é que 84% das pessoas que pedem demissão, o fazem por não suportar o relacionamento com o chefe ou gestor direto. E é nesse contexto que a CNV, também conhecida como Comunicação Não-violenta, pode auxiliar as empresas a deixar os ambientes menos hostis.

“Quando a pessoa começa a subir na carreira e assumir cargos de liderança nas empresas, ela passa a gerenciar conflitos cerca de 50% do tempo. E muita gente sai do técnico para esse gerenciamento, que foi algo que ela nunca aprendeu a fazer”, explica Carolina Nalon, coach especialista em Comunicação Não Violenta e fundadora do Instituto Tiê, que oferece cursos sobre o tema.

Nalon explica que a CNV consiste em uma metodologia sistematizada pelo psicólogo americano Marshal Rosenberg para que as pessoas sejam capazes de se relacionar melhor e diminuir os ruídos que existem na comunicação.

“No ambiente corporativo, muitas vezes alguém fala uma coisa e o outro entende de outra maneira e a partir daí criamos os rótulos. E passamos a nos relacionar com eles e não com as pessoas. O criador desse método mediou vários tipos de conflito de gangue a tribos, mas ele falou que o ambiente mais violento era o corporativo, por ser uma violência silenciosa. No trabalho, você tem que ser profissional e não trazer seu lado pessoal e isso faz com que as pessoas suprimam a emoção”, fala Nalon.

Por pregar a compaixão e empatia, Paulo Moraes, Diretor da Talenses no Rio de Janeiro, acredita que a CNV resgata os nossos verdadeiros valores. “As relações humanas é o nosso verdadeiro valor e, além disso, esse tipo de comunicação estimula os funcionários a separarem um sentimento de uma opinião, o que pode ser bastante benéfico para o ambiente corporativo”, exemplifica.

Bases desse tipo de comunicação

Nalon fala que os dois grandes eixos da CNV se baseiam na empatia e na autenticidade. E não apenas sentir a empatia, mas sim saber demonstrá-la. “Todo mundo já participou de uma reunião que em parecia que as pessoas eram malucas. Um falando A e o outro falando B sem parar. E ninguém sai do lugar. Falta empatia. A CNV propõe que essas pessoas falem: ‘Deixa eu entender, então o que você disse é que ir por esse caminho…’ e explicar com as suas palavras o que você compreendeu do discurso do outro. Se eu tento entender o ponto de vista e necessidade da outra pessoa, a chance de as reuniões fluírem melhor é mais alta”, fala.

A CNV não vem para evitar conflito, mas sim para saber lidar com ele. “Inclusive, a ideia não é fugir deles. O ressentimento só é gerado porque as pessoas fogem do conflito. E uma hora as coisas vem à toa. Alguém explode e o ambiente fica pesado”, fala.

Uma outra coisa que é preciso ter em mente, segundo a fundadora do Instituto Tiê, é a forma que as pessoas fazem pedidos no ambiente corporativo. “Eles são pedidos ou exigências? A energia com a qual pessoas fazem as coisas é tão importante quanto elas concluírem a tarefa. Os líderes falam de engajamento, mas quando um funcionário está com baixa performance, ele só é criticado, justamente naquele momento que ele precisa ser engajado. E a CNV vem nesse sentido para entender quando tem conflito. E antes de resolver é preciso absorver a carga emocional com empatia e em seguida falar o que for necessário e dar o direcionamento com autenticidade, que é diferente do sincericídio”, fala.

E ela exemplifica uma situação hipotética em que é possível usar a CNV: “Imagine que tem pessoa da equipe que ela é mais explosiva e sempre grita se algo vai mal. Você já pediu por favor para não fazer isso na frente dos clientes. Vocês estão em um projeto importante e o cliente está na empresa em reunião. Vocês estão apresentando o projeto, acontece uma discordância e essa pessoa grita com você na frente do cliente. Agir com o sincerídicio é depois da reunião falar: ‘caramba, como você é babaca, eu já falei para você não fazer isso na frente dos clientes. Pelo amor de Deus, como fica a nossa credibilidade e etc.’ Agora a autenticidade, você leva fatos e não a emoção para a conversa. Seria algo assim: ‘Olha, a gente acabou de sair de uma reunião e no momento discutindo tal coisa você gritou comigo falando sobre tal tema. Já tinha feito um pedido para que isso não acontecesse. Eu fico muito irritado e frustrado com isso porque para mim é importante que o cliente confie na gente e quando vê a gente discordando de maneira agressiva isso fere a confiança na gente. Eu fiquei me sentindo constrangido e eu queria dizer que isso não pode acontecer mais. O que essa discussão gerou em você?’ Você coloca limite, fala o que isso te causou e também questiona como foi isso para ela”, explica Nalon.

Benefícios para a empresa

Na opinião de Moraes, como todos somos sensíveis por natureza, investir em comunicação desse tipo dentro da organização é muito positivo para manter a produtividade e os resultados da companhia. “A CNV pode trazer benefícios para qualquer empresa que a aplique, entretanto, em casos onde a cultura empresarial é dominantemente mais agressiva e as relações são improdutivas ou prejudicam o bom andamento do negócio, a CNV se faz uma excelente opção para mitigação destes conflitos. A aplicação da Comunicação Não Violenta pode estimular equipes a diálogos mais harmoniosos, com objetivo de encontrar soluções de maneira equilibrada e democrática”, diz.

Para aderir é preciso investir em treinamentos e grupos de prática. “Aprender CNV é como aprender um novo idioma. Qualquer um é capaz de aprender, mas é preciso treino. Tem gente que se identifica muito rápido enquanto outras precisam mudar a forma que enxergam o mundo para aplicar. Depois do treinamento, o ideal é que a empresa disponibilize encontros periódicos com facilitadores para que o treino nunca acabe!”, fala Nalon.