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Computador seminovo pode ser saída para economia de empresas na pandemia

Redação

A pandemia da COVID-19 mudou a rotina de muitas empresas no mundo. Isso é um fato inegável, comprovado pelo crescente número de companhias que passaram a adotar o trabalho remoto para seus colaboradores. O problema é que, embora as grandes companhias consigam oferecer máquinas novas ou, no pior caso, materiais defasados ou “encostados”, nem todo mundo quer ter esse gasto extra.

Diante de uma possibilidade forte de economizar custos de infraestrutura básica de trabalho, porém, a aquisição de computadores e laptops seminovos entra em evidência, pavimentando-se como uma via que, ao mesmo tempo, mescla os benefícios de oferta de um trabalho remoto e a aquisição de hardware a um preço reduzido — algo bastante procurado, já que um dos efeitos da pandemia foi justamente o de encarecer produtos em várias indústrias.

Imediatamente após o primeiro registro de COVID-19 no Brasil, em meados de fevereiro, o dólar subiu em sua variação cambial para R$ 4,44 e a Bolsa de Valores teve queda de 7%. Nas empresas, isso se refletiu em duas frentes, de forma negativa: a primeira é a desvalorização do valor acionário de multinacionais nas cotações públicas — a empresa se deu conta que seu dinheiro em caixa passou a valer menos —; e a segunda é que, o dinheiro menos valorizado eventualmente teria que ser usado em maior grau, já que o dólar subiu e encareceu todos os produtos de informática, que em boa parte, são importados.

(Imagem: Divulgação/Microexato)

Hoje, essa tendência parece seguir um curso firme, considerando que, em 28 de maio — três meses depois do primeiro caso registrado — a moeda americana já está em R$ 5,36 (tendo antes passado próximo dos R$ 6,00). Comprar um computador novo já é algo que machuca o bolso: imagine então comprar 50 ou 100 máquinas novas, uma para cada funcionário.

É aí que entra o mercado de computadores seminovos. Empresas no Brasil inteiro, de vários tamanhos e indústrias, passaram a adotar a aquisição de máquinas seminovas, citando várias vantagens. A primeira e mais óbvia é o custo reduzido: por ser uma máquina que teve um dono anterior, então o seu preço de compra é bem menor do que a média.

Há também a questão sustentável, já que, ao se preservar o uso de uma máquina por mais tempo, evita-se que um novo equipamento precise ser fabricado, montado e comercializado, reduzindo assim a pegada de carbono das empresas e preservando o meio ambiente. Finalmente, há a questão da atualização do hardware: máquinas seminovas possuem possibilidades garantidas de uso, já que foram adquiridas com uma finalidade específica em mente. Em outras palavras, não há risco de uma empresa adquirir uma máquina que fique aquém das expectativas de onde ela seria utilizada.

Falando em termos práticos, o reuso é uma das indicações do Ministério do Meio Ambiente na sua Política de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/10). Em 2015, a ONU divulgou uma lista de 17 objetivos relacionados ao desenvolvimento sustentável — uma espécie de guia para empresas e governos que queiram aprimorar suas políticas de preservação ambiental: o objetivo 12 refere-se justamente à questão do reuso, no que tange a consumo e produção responsáveis. Ademais, para empresas que buscam a certificação ISO 14001 (sistema de gestão ambiental) ou pretendem associar suas imagens sociais às boas práticas de respeito ao meio ambiente, a reutilização e redução de consumo tecnológico certamente contaria como uma ação de sustentabilidade a seu favor.

Mas usado é confiável?

Sim, muito. Embora exista uma percepção desse tipo entre compradores individuais, ela é infundada: diversas empresas do varejo de eletroeletrônicos trabalham com o comércio de máquinas seminovas. E elas trazem uma vantagem maior do que, digamos, centros comuns de compra — a questão da autenticidade e certificação de funcionamento do que estiver sendo comprado.

Empresas como a Microexato, para citar um exemplo, promovem uma checagem de histórico bastante extensiva antes de colocar qualquer máquina à disposição para compra: a companhia sediada em Votorantim, interior de São Paulo, oferece garantia de um ano em todos os computadores que vende para o setor corporativo e, segundo o site oficial, possui estoque garantido de 3 mil peças a pronta entrega.

O interessante é que máquinas seminovas podem ser atribuídas não apenas ao setor corporativo, como empresas de TI e Logística, mas também para representantes de grande público, como cadeias de restaurantes, instituições de ensino que promovam o EAD (Ensino à Distância), redes de varejo. “[Computadores] seminovos têm a mesma qualidade e desempenho dos novos, trazendo variedade em configurações que atendem desde as atividades de escritório até grandes projetos de engenharia, servidores e armazenamento”, diz a Microexato.

Fonte: Canaltech