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Ex-atleta fitness que venceu compulsão ajuda mulheres a comer sem sofrer

Elaine Rodrigues, de 40 anos, é formada em Educação Física no Rio de Janeiro (Foto: Reprodução/Instagram @elainerodriguescoach)

A carioca Elaine Rodrigues, de 40 anos, é coach de emagrecimento. Esse título pode fazer você revirar os olhos, mas, acredite, a educadora física não quer te induzir a fazer uma dieta restritiva ou passar três horas por dia na academia para perder peso — até porque ela já se submeteu a esse estilo de vida radical e o resultado não foi positivo. Depois de passar fome e sede durante a carreira de atleta fitness, Elaine passou por um processo de compulsão alimentar. Em 2013, chegou a ganhar 23 kg em menos de um mês. Hoje, recuperada, seu objetivo é ensinar outras mulheres a comer sem culpa e manter uma rotina saudável.

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Em entrevista ao Yahoo, a professora relembra o início da carreira como atleta fitness e conta como sua vida deu uma reviravolta após ficar uma semana sem beber água para participar de uma competição de fisiculturismo. Elaine caiu de paraquedas nesse universo e se tornou tricampeã carioca e duas vezes vice-campeã brasileira nas categorias Wellness, Body Fitness e Bikini Fitness. Uma sequência de relacionamentos abusivos e a rotina estressante, no entanto, foram gatilhos para o transtorno alimentar.

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“Passei tanta fome, tanta sede... Fiquei uma semana sem beber nada”

A morena começou a competir em 2007 após receber o incentivo de um professor. Aos 27 anos, sua ideia não era ser fisiculturista. “Eu não era fortona, era ‘menininha de praia’. Nunca tinha feito dieta na vida. Frango? Só de padaria”, brinca. E foi no campeonato carioca que aconteceu dois meses após sua estreia que Elaine conquistou um espaço no pódio e pegou gosto pelo esporte. “Optei pelo desafio. Sou leonina, né? Me apaixonei pelo palco e só queria melhorar”, relembra. Ela passou a se dedicar aos treinos naquele momento e, hoje, coleciona 15 participações em campeonatos nacionais e internacionais.

Quatro anos depois, Elaine passou por situações difíceis que a fizeram tomar medidas extremas na carreira de atleta fitness: fim de um relacionamento de três, aperto financeiro, rotina de estudos intensa para um concurso público e um acidente de carro. “Não tinha vida pessoal, não trabalhava e vivia sozinha no quarto de um apartamento. No meio desse turbilhão, investi tudo o que tinha nas competições. Usei anabolizantes, treinava muito, fazia dieta... Vivi a solidão porque não podia comer o que eu queria quando saía. E pra mim não havia a possibilidade da vitória não acontecer”, diz.

Elaine na competição Arnold Classic (à dir.) em 2013 e durante o período de compulsão alimentar (Foto: Reprodução/Instagram @elainerodriguescoach)

Foi um período traumático para Elaine, que não soube ter empatia consigo mesma com tantas coisas acontecendo em sua vida. “Minha cabeça era voltada pro resultado final, não havia meio termo pra mim. Não tive a sensibilidade de seguir o caminho do meio”, relata. Extremamente focada e sozinha, a coach passou no concurso. Já o corpo e a mente desabaram dois anos depois.

A professora de educação física chegou ao limite nas vésperas da primeira edição da competição Arnold Classic no Brasil. “Passei tanta fome, tanta sede... Fiquei uma semana sem beber nada e comia um pouquinho de nada de carboidrato. Quando subi no palco, quase desmaiei, mas fiz tudo o que tinha que fazer. Porém só eu sei o quanto estava louca para sair dali”, conta.

Pela primeira vez, ela não conquistou o pódio e saiu correndo da competição louca para comer. E era só isso que ela passou a fazer a partir daquele dia. “Comia desesperadamente e sofria porque estava comendo”, desabafa. “Eu não tinha fome, mas simplesmente não conseguia parar de comer. Comia, minha barriga dilatava e comia mais. Chorava, sofria, me arrependia e não conseguia parar.”

“Tapava o vazio do coração enchendo o estômago”

“Foi assim que desenvolvi a compulsão alimentar. Ganhei 23 kg em menos de um mês. Durante anos tive um corpo fitness e, de repente, me vi com mais de 70 kg. Tinha dificuldade para andar e respirar, e continuava descontando tudo na comida. Tapava o vazio do coração enchendo o estômago”, diz Elaine ao detalhar o mês de maio de 2013.

A coach revela que é muito difícil reconhecer um transtorno. “A gente tem vergonha de procurar ajuda, de admitir que tem compulsão”, conta. A chave só virou quando Elaine foi subir uma escada e precisou parar para respirar no primeiro degrau. “Pensei: ‘vou morrer se continuar assim’”, diz. Ela decidiu mudar de vida, mas focou apenas no corpo. “Comecei a vomitar, tomar remédios para emagreceu e voltei a treinar para competir. Tudo por conta própria.” Elaine perdeu 17 kg, subiu no palco pela última vez e ganhou o troféu. Tentando escrever certo por linhas tortas, a professora decidiu deixar os maus hábitos para trás de uma vez por todas.

“Alimentação não pode ser um sofrimento”

Elaine entendeu que precisava ir fundo para mudar sua vida. Ainda sem conseguir procurar ajuda, começou a estudar sobre consciência, alimentação e treinos alternativos. “Era tudo sobre o as minhas dores emocionais e precisava achar um meio termo para mim. Foi um processo lento de pequenas libertações e cura. Fui reduzindo meus remédios, me livrei da escravidão da comida e me permiti comer as coisas que gosto de maneira moderada”, detalha. Em 2015, a coach se viu livre da compulsão e, desde então, se dedica a ajudar outras mulheres a ter uma rotina saudável e comer sem culpa.

Elaine Rodrigues afirma que é possível emagrecer comendo o que gosta (Foto: Reprodução/Instagram @elainerodriguescoach)

“Quero ensinar as pessoas a treinar e criei um protocolo de emagrecimento que consiste em alimentação sem sofrimento, emocional em dia e prática de atividade física que consuma caloria em pouco tempo e dê prazer”, explica. “Não quero que ninguém passe por tudo isso. Nada que dói permanece por muito tempo nas nossas vidas. Por isso eu como tudo o que eu quero — pizza, hambúrguer... — com moderação”, dispara.

Mais madura do que em 2013, Elaine quer fortalecer cada vez mais a própria mente e trabalhar o emocional das alunas. E deixa claro que ser magro não é a coisa mais importante no processo da perda de peso. “Temos quer ter equilíbrio e nos comprometer com nós mesmos. Quando cumprimos nossos acordos pessoais, ganhamos autoconfiança. E precisamos buscar fontes de alegria para no dia a dia.”