Compras de fim de ano: alegria ou tristeza?

À medida que conquistamos a independência financeira, precisamos inserir o planejamento financeiro em nossas vidas

Publico hoje, muito feliz, minha primeira coluna intitulada Planejamento Financeiro só para Mulheres aqui no Yahoo!. Além de se tratar de um recorte por si só interessante, une duas de minhas principais motivações nesta vida: falar sobre Economia e Finanças e defender a igualdade de gênero.

A consolidação da presença feminina no mercado de trabalho já é uma realidade, fortalecida pela maior presença de mulheres em cargos de importância no Brasil. Apenas para dar dois exemplos rápidos, temos a primeira presidenta (como ela gosta de se autodefinir) da República, Dilma Rousseff, e a primeira CEO de uma das empresas mais valiosas do país, Graça Foster, à frente da Petrobras.

Dessa forma, à medida que conquistamos nossa independência financeira, nós, mulheres, precisamos paralelamente inserir o planejamento financeiro em nossas vidas. Saber usar bem o dinheiro que ganhamos é fundamental para darmos continuidade às nossas conquistas.

Compras: um prazer amargo

Mas agora é hora de falar sobre o que interessa: compras. O Natal está chegando e começa a temporada de corrida aos shoppings e consumo louco: presente para namorado, marido, filhos, amigos e família. Lembrancinha de amigo secreto. Roupas e acessórios para as festas e confraternizações. O cartão de crédito que se cuide!

Convidei a economista Alexandra Almawi, da Lerosa Investimentos, para dar algumas dicas sobre como não nos perdermos neste final de ano e evitar começar 2013 já atoladas em dívidas. E para isso, já adianto, não tem milagre de Ano Novo: a chave é justamente o planejamento.

1. Consumir sem culpa:

O primeiro passo é desvincular as compras da culpa. De forma geral, temos uma necessidade de consumo maior que a dos homens. E ponto. Os artigos que consumimos são mais cíclicos do que a oferta masculina, avalia Alexandra. "Ao longo de um ano, as lojas de roupas femininas trocam coleções ao menos quatro vezes, enquanto a masculina é mais constante", exemplifica.

O segredo, então, é assumir nossa vontade de fazer compras, mas adotar a prudência. Sair de casa em mente com o quanto se quer gastar na voltinha no shopping é uma boa sugestão para não perder a linha. É uma dica simples e fácil de fazer, mas que não costumamos aplicar pela simples falta de hábito.

2. Falar sobre dinheiro com o parceiro:

Alexandra comenta que na divisão das despesas de casa, é muito comum o homem ficar com os custos fixos e a mulher com os variáveis, como presentes, farmácia e restaurantes, que são mais difíceis de prever. "Com isso, todo e qualquer descontrole é associado a ela. Mas muitas vezes o que está faltando ao casal é uma melhor organização de ambos para mapear esses custos variáveis", comenta Alexandra.

Esse mapeamento ajuda o casal a entender melhor seus gastos e possibilita, inclusive, uma redivisão. "As acusações acerca de um eventual consumismo, muitas vezes se tratam da falta de planejamento", acrescenta a economista.

Vocês concordam com isso? Como funciona a divisão de despesas na casa de vocês?

3. O mundo não acaba em dezembro:

A não ser que os maias estejam certos, dezembro provavelmente não será o último mês das nossas vidas. Alexandra lembra que janeiro está logo ali e, com ele, chegam as despesas com material escolar, IPVA, IPTU, seguro do carro etc. Assim, os gastos com presentes não devem ser muito altos, recomenda a especialista. Mas o que seria um gasto alto? "Varia muito de pessoa para pessoa, mas, de maneira geral, uma boa medida para quem é assalariado é não gastar mais de 50% do décimo terceiro com isso", recomenda Alexandra. Ela, por exemplo, conta que procura gastar no máximo 20% do salário extra com essas despesas.

Uma boa dica é separar a quantia que se pretende gastar com os presentes e fazer uma lista das pessoas que serão presenteadas. Aí, é traçar uma meta de gastos para cada uma das pessoas. Por exemplo: "No presente do meu filho, vou gastar até R$ 100". Eu mesma estou fazendo isso neste ano e tem dado muito certo. Já comecei a fazer as compras de Natal e coloquei um teto máximo de gasto por pessoa para evitar surpresas desagradáveis.

Pagar à vista, se possível, também ajuda. Além de aumentar a chance de desconto, ver o dinheiro sair na hora da conta pesa mais do que pendurar no cartão de crédito para o mês que vem.

4. Inovar nas promessas de Ano Novo:

A melhor forma para não se endividar demais nessa época é justamente se programar ao longo do ano para ela. Agora está um pouco em cima para isso, mas o ano que se inicia é sempre tempo de mudanças, não é mesmo? Que tal colocar na listinha de promessas para 2013 o hábito de guardar um dinheirinho? Falaremos mais sobre isso na próxima coluna. Até lá!
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