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Faz sentido comprar um carro durante a pandemia?

Foto: Getty Images

Por Fernanda Vasconcelos

A pandemia do novo coronavírus tem provocado impactos fortes na cadeia automotiva. O principal deles foi o fato de a venda de veículos novos ter caído 67,3% em abril, na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), com “apenas” 51.362 unidades emplacadas, considerando veículos leves e automóveis.

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Como consequência e na tentativa de sobreviver a esse período, as montadoras têm feitos descontos e programas de pagamento considerados atrativos aos consumidores. Mas este é um bom momento para comprar um carro?

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Antonio José Martins, coordenador de MBA da cadeia automotiva da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diz que isso depende se a troca já estava nos planos do consumidor e se ele tem dinheiro sem se endividar. “Com os altos estoques, algumas montadoras tendem a oferecer ótimas condições, com juros baixos para financiamento e postergação de parcelas. São facilidades que não serão encontradas por muito tempo. ”

O professor ressalta que no segundo semestre os preços devem subir, porque as montadoras precisarão repassar a elevação do dólar ante o real. “A importação de peças ficou muito mais cara e as condições de prazo e preço dependerão dos estoques e do fluxo de caixa das companhias”.

Seminovos vão ficar mais caros

Para quem pensa que buscar seminovos pode ser a solução, Martins afirma que a tendência é que esses veículos fiquem mais caros com a transferência de interesse do consumidor. Uma pesquisa da Kelley Blue Book Brasil, plataforma de comparação de preços de seminovos e usados da Cox Automotive, mostrou isso. Entre 14 de março e 30 de abril, houve um aumento nos preços dos veículos com até dois anos de uso, enquanto os zero quilômetros foram na contramão e baixaram. 

Foram coletadas informações de 22.440 versões de carros, divididos em categorias. Entre os carros novos, os modelos hatchbacks e sedans tiveram a maior desvalorização em abril, primeiro mês inteiro com medidas de distanciamento físico. Os hatchbacks novos caíram em média 2,86%, enquanto os seminovos da mesma categoria subiram 2,25%. No caso de sedans, a queda dos zero km ficou em 2,7% e a alta dos seminovos foi de 1,69%.

“O que pudemos perceber é que há tendência dos preços de veículos se valorizarem, seja devido ao encarecimento dos modelos zero km, seja pelo aumento de demanda nos semi absorvendo quem se programou para adquirir um carro novo, mas desistiu. Carros com ‘idade avançada’ tendem a ter mais obstáculos para a liberação de crédito, portanto podem ser liquidados com maior depreciação”, afirma a empresa de pesquisa. 

Entre as condições especiais oferecidas pelas montadoras estão a postergação de parcelas para 2021, caso da VW e da FCA – que reúne Fiat e Chrysler –, a depender do modelo e da entrada. A Renault oferece pagamento da primeira parcela apenas em agosto na troca de um usado, descontos de até R$ 8 mil e preço de nota fiscal de fábrica. A Honda oferece 90 dias de carência para o primeiro pagamento e todas elas, garantia estendida e parcelamento alongado. 

O professor Martins dá outra dica: “além de ver as condições das montadoras, é preciso pesquisar concessionária por concessionária porque umas têm estoque mais elevado que a outras e poderão oferecer condições melhores.”

Ele também ressalta que, obviamente, o momento não é para endividamento se há risco de perda de renda e que é importante fazer os cálculos com os investimentos que possui. “A pessoa precisa ver se vale a pena deixar o dinheiro se está ganhando CDI (lembrando que a Selic está em 3%) ou se não é melhor adquirir o bem que estava querendo ou precisando.”

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