Mercado fechado

Composto natural em satélites pode tornar reentrada atmosférica mais segura

Danielle Cassita
·3 minutos de leitura

Pensando em tornar a reentrada de satélites na atmosfera terrestre mais segura, a Agência Espacial Europeia (ESA) está trabalhando em um projeto que testa a aplicação de um composto de fibras de linho nesses equipamentos. Com este composto, os objetos poderiam se queimar mais rapidamente e seriam descartados de forma mais segura, reduzindo ou até mesmo eliminando o risco de pedaços acabarem atingindo o solo. O ponto de partida da equipe foi o composto de fibra natural produzido pela empresa suíça Bcom.

O uso da fibra de linho não é nada recente: o linho é uma planta cultivada na Europa desde a pré-história, e já foi usado tanto em mumificações quanto em trajes de aristocratas romanos. A ESA detalhou os testes deste composto de fibra natural, que ajudou até a trazer usos mais amplos na Terra, como em carros da Fórmula 1. Assim, em um projeto da ESA com as empresas suíças Bcom e RUAG as substituiu por fibras de carbono, que são utilizadas no plástico reforçado de fibra de carbono (CRFP). Esse composto é leve e se assemelha ao concreto reforçado, e costuma ser bastante utilizado em satélites e nos setores marítimo e automotivo.

Fibras de linho durante o teste de simulação de reentrada atmosférica (Imagem: Reprodução/ESA)
Fibras de linho durante o teste de simulação de reentrada atmosférica (Imagem: Reprodução/ESA)

Tiziana Cardone, engenheira estrutural da ESA, explica que a ideia do projeto era investigar o uso das fibras naturais no lugar de seus equivalentes feitos de carbono. “O projeto foi guiado por dois motivos principais: a redução dos impactos ambientais na produção espacial, uma das principais metas da iniciativa Clean Space também da ESA, e buscar materiais que se ‘destruam’ mais rapidamente na reentrada atmosférica”, finaliza. Isso faz parte de uma das exigências da política europeia de mitigação de detritos orbitais, que exige risco abaixo de 1 a 10 mil para pessoas e propriedades quando satélites encerram suas atividades.

Então, para analisar o desempenho do composto natural, os pesquisadores analisaram as fibras de linho dentro das exigências de voos espaciais. "Descobrimos que elas têm expansão térmica excepcionalmente baixa — o que é bom para a temperatura no espaço orbital — assim como a rigidez e força", disse Ugo Lafont, especialista em materiais e processos da ESA. "Essas fibras também podem reduzir a vibração, aumentar a resistência à radiação ultravioleta e têm menos interferência nos sinais de rádio do que as fibras de carbono".

A equipe utilizou compostos de fibra natural para criar uma versão de testes do painel lateral do satélite Copernicus Sentinel-1, que foi feito originalmente em alumínio. Depois, os painéis foram utilizados em testes realistas dentro de um túnel com vento de plasma. O resultado deste teste de fogo foi positivo em relação ao CFRP: enquanto os fios de fibra de carbono tendem a permanecer no local enquanto sua matriz circundante é queimada, as fibras de linho se separam muito mais rapidamente.

"Somos uma equipe pequena, e trabalhar com a ESA nos ensinou muito", acrescenta Régis Voillat, da Bcomp. "Pudemos aplicar os conhecimentos em muitos dos nossos outros projetos, e essa colaboração deu apoio à expansão de tecnologias sustentáveis para outros setores". De fato: a McLaren Racing atuou com a Bcomp para produzir o primeiro assento de corrida feito de composto de fibra natural, que trará mais segurança para os pilotos.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: