Competitividade passa por segurança pública, diz ranking

A questão da segurança pública no País foi descrita como um problema "epidêmico" durante a apresentação do ranking de competitividade dos Estados brasileiros de 2012. O estudo é produzido pelo grupo inglês Economist Intelligence Unit e é patrocinado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). De acordo com o pesquisador responsável pelo ranking, Robert Woods, a taxa de cerca de 30 mortes por cem mil habitantes é "altíssima" na comparação com a média mundial, de seis mortes a cada cem mil. Em sua análise, esses dados influenciam os investidores internacionais na hora de fazer negócios no Brasil. "As empresas veem os prós e os contras antes de investirem e, certamente, tomam precauções nesse sentido. Vai estar na mesa do projeto a maneira como vão lidar com o que esse desafio representa", avaliou.

Porém, o presidente do CLP, Luiz Felipe d'Ávila, disse que a recente escalada da violência em São Paulo não deve influenciar a competitividade do Estado. "Os acionistas já vêm acompanhando o Brasil há muito tempo. Em São Paulo houve melhoras na última década e piora agora. Mesmo com esse número elevado de mortes, olhando friamente, São Paulo ainda tem a segunda menor taxa de homicídios do País", afirmou.

O setor de telecomunicações também foi considerado um dos principais entraves para o investimento no Brasil. O estudo analisou as condições da comunicação banda larga rápida, acima de 2MB por segundo. De acordo com Woods, essa infraestrutura é positiva para o desenvolvimento do comércio eletrônico nos Estados - descrita como uma das novas tendências mercadológicas. No entanto, para ele, há uma grande "desigualdade digital" entre as regiões Sul e Sudeste - consideradas de boa qualidade - e o Norte e Nordeste, que não apresentam os mesmos resultados. "O Norte e o Nordeste ficam para trás nesse quesito, impedindo o desenvolvimento desse setor. Isso deve se tornar uma preocupação dos legisladores de lá (dessas regiões)", disse Woods.

Em contrapartida, ele afirmou que as recentes intervenções da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) nas empresas de telefonia móvel, exigindo uma prestação melhor de serviço, foram vistas com bons olhos pelos investidores. Além disso, os leilões de tecnologia 4G também devem melhorar esse contexto.

No que diz respeito à inovação, uma das oito áreas abordadas no estudo, Woods afirmou que apenas os Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro apresentaram bons resultados, principalmente pelo alto índice de registro de patentes. Outros três Estados apresentam um bom ambiente por terem aprovado leis de incentivo ao setor. Por outro lado, 12 Estados são considerados moderados e outros dez têm ambiente ruim. "Muitos Estados aprovaram leis de incentivo à inovação, como o Paraná. (Mas) o Distrito Federal, por exemplo, não tem (leis de incentivo), o que impede a pesquisa (voltada para o desenvolvimento)."

Um dos aspectos considerados positivos na construção do ranking foi o aumento no número de Estados que desenvolveram políticas de sustentabilidade. Enquanto no ranking de 2011 a pontuação nesse quesito, em escala de zero a cem, foi de 59,3, este ano foi 68,8. O estudo atribuiu a melhora ao fato de 16 Estados terem iniciado ou melhorado a legislação ambiental em anos recentes. Os oito quesitos analisados na produção desse ranking foram sustentabilidade, inovação, infraestrutura, ambiente político, ambiente econômico, regime tributário e regulatório, políticas para investimentos estrangeiros e recursos humanos.

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