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Competição cria onda de fusões nas corretoras

JÚLIA MOURA
·4 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - De um lado, um aumento na concorrência que levou à redução nas margens combinada a um maior gasto com tecnologia. De outro, a busca dos correntistas pelos mais variados tipos de investimentos. A solução: uma onda de fusões entre corretoras, fintechs e bancos. Em julho, o Neon comprou as licenças da Magliano Invest, corretora mais antiga em funcionamento do Brasil, que já havia transferido seus clientes para a Guide Investimentos. Em setembro, o Nubank adquiriu a Easynvest. Em outubro, foi a vez do BTG levar a Necton, que surgiu da junção das tradicionais Concórdia e Spinelli, depois de o banco ter concluído a compra de 80% da corretora Ourinvest em abril. "É um movimento que veio para ficar. O banco começa como fintech, mas no fim tem que oferecer todo os produtos para clientes para concorrer com os bancões, por isso procura corretoras", diz Raymundo Magliano Neto, presidente da Magliano. Segundo ele, as fintechs estão capitalizadas por serem a aposta para o futuro do mercado financeiro, com caixa para comprar corretoras. "É uma concorrência que não é barata, corretoras gastam cada vez mais dinheiro na digitalização. Para a corretora ser lucrativa tem que ter muito cliente e muito produto. Ou a corretora vira banco digital ou o banco digital compra corretora", diz Magliano Neto. Um dos maiores custos do setor é o investimento em tecnologia, que se mostra cada vez mais importante na avaliação dos clientes --são frequentes as críticas em redes sociais a quedas nos sistemas, que impedem o investidor de operar no pregão. Nos primeiros seis meses deste ano, a XP gastou R$ 40,7 milhões com serviços de tecnologia, uma alta de 54% em relação ao mesmo período de 2019 (R$ 26,4 milhões). A XP, que nasceu como corretora, foi autorizada pelo Banco Central a operar como banco múltiplo em dezembro de 2018. No momento, o grupo testa um cartão de crédito para disponibilizá-lo aos clientes em 2021,e já oferece empréstimos a pessoas jurídicas por meio do XP Empresas. O crescimento dá fôlego à briga com um dos seus donos, o Itaú, que por sua vez, investe em seus próprios braços de investimento. Segundo participantes do setor, a consolidação dos serviços financeiros no Brasil é uma tendência natural e se assemelha ao que já aconteceu nos EUA. O processo é conhecido como "financial deepening" (aprofundamento financeiro, na tradução literal). Esse termo se refere à crescente prestação de serviços financeiros combinada à procura do investidor por cada vez mais produtos. Um mergulho que levou décadas nos Estados Unidos e ocorre de forma acelerada no Brasil. "O mercado de investimento está em um dos melhores momentos dos últimos anos. Além do juro baixo ser revolucionário, com a tecnologia a barreira de entrada praticamente zerou. Você cria uma conta em corretora pelo celular em minutos", diz Fernando Miranda, presidente da Easynvest. Com a taxa de básica de juros anual (Selic) em 2%, o investidor busca diversificar a carteira, explorando ativos de renda variável. Tal movimento impulsiona o surgimento de corretoras, casas de análise e escritórios de agentes autônomos. Com mais ofertantes, o custo das operações tende a cair --recentemente, diversas corretoras zeraram a taxa de corretagem para ações. Devido ao baixo percentual de ganho com cada cliente, é preciso adquirir escala para sobreviver, o que impulsiona fusões e aquisições. Agentes do setor afirmam que o alvo das corretoras são os grandes bancos, que detêm cerca de 90% de todo o dinheiro investido, a maior parte em poupança e CDBs (Certificado de Depósito Bancário). "A necessidade de poupar do brasileiro aumentou na pandemia e ele entrou na Bolsa, mas o total [pouco mais de 3 milhões] ainda é baixo, menos de 3% da população economicamente ativa. Nos EUA, esse percentual é de 54%. No México, Índia e Itália é mais de 5%", afirma Miranda, que projeta 10 milhões de brasileiros na Bolsa nos próximos anos. Segundo o executivo, a Easynvest já buscava parceiros antes da compra pelo Nubank. No caso da Necton, o BTG preferiu deixar a marca separada para atingir um público distinto do BTG Pactual Digital, a sua corretora. "Com o suporte do banco, teremos estrutura financeira e tecnológica mais robusta e uma grade de produto mais completa, mas permanecemos independentes", diz Marcos Maluf, presidente da Necton. Segundo ele, o mercado está aquecido, mas ele não vê corretoras querendo se vender, com a iniciativa para negócios partindo de bancos. Apesar das operações, o setor não vê uma concentração em poucas corretoras. A aposta é no surgimento de mais fintechs, que, por sua vez, irão oferecer investimentos. "No futuro, empresas como Magazine Luiza e 99 Táxi, por exemplo, terão suas fintechs com corretoras. Isso é bom para o investidor, que terá cada vez mais opções em outras áreas do Brasil, para além do eixo Rio-São Paulo".