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Comparsa do 'faraó dos bitcoins' falou em 'comprar tudo de granada' após reportagem na TV: 'Explodir aquilo lá'

·5 min de leitura

Preso sob a acusação de integrar a organização criminosa comandada por Glaidson Acácio dos Santos, o "faraó dos bitcoins", Michael de Souza Magno demonstrou irritação com uma reportagem veiculada pelo "Fantástico", da Rede Globo, no dia 15 de agosto, duas semanas antes da operação da Polícia Federal (PF) que desbaratou a quadrilha. O diálogo com outros dois indiciados, o casal Vicente Gadelha Rocha Neto e Andrimar Morayma Rivero Vergel — de um total de 17 réus por crimes contra o sistema financeiro nacional, entre outros delitos —, foi captado a partir de quebra de sigilo telemático, autorizada pela Justiça, e consta na denúncia do Ministério Público Federal (MPF) que enquadrou o grupo, obtida pelo EXTRA. Michael, conhecido como "corretor das celebridades" por ter vendido imóveis para vários famosos, chega a falar sobre "explodir aquilo lá", em referência à emissora.

"Eu sou a favor de pegar a minha comissão, meus dez por cento, tudo... E comprar tudo de granada pra jogar na Globo",afirmou Michael aos colegas, em tom de revolta. "Pode pegar meu dinheiro e comprar tudo de granada, tudo. Uma passagem de avião, lá em cima, e jogar tudo lá em cima", repetiu o corretor.

A conversa entre os três têm início às 21h17 de domingo, enquanto o programa ainda estava sendo exibido. "Tá assistindo essa Globo, Michael?", chegou a reclamar Vicente, interrompendo o desabafo do amigo. "Tô assistindo nada, tá todo mundo mandando as coisas pra mim aqui, pô", ponderou o corretor. Ele continuou: "Irmão, meu telefone não para de receber mensagens".

Em seguida, Andrimar, que é venezuelana como a mulher de Glaidson, Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, também participou do diálogo. "Michael, você viu que colocaram até a foto dele na live?". O corretor respondeu que sim, acrescentando acreditar tratar-se de "gente de dentro". Vicente, então, complementou: "Esse povo é ingrato, rapaz". Neste momento, Michael reforçou a tese: "Essa matéria aí foi alguém que estava no dia com ele, que pegou foto e mandou, entendeu? Porque os lugares que o Glaidson para não tem ninguém. Isso aí foi alguém interno, irmão... De dentro, que pegou e mandou print da live, mandou foto do barco".

Mais à frente, Michael especulou: "Uma coisa que às vezes eu até penso, né. Imagina ele pegar e falar assim... Olha, acabou tudo, devolve o capital de todo mundo, cancela esse negócio". Vicente retrucou: "Presta atenção, isso ele não vai fazer, porque ele vai trabalhar até o fim". O corretor, mais uma vez, externou revolta: "Com raiva dessa Globo, dessas empresas, cara". Vicente, então, ponderou: "É, mas também, aqui pra gente, Michael... Cabo Frio tá demais, entendeu? De pirâmide". O tema da reportagem era justamente a profusão de empresas situadas na cidade, um destino paradisíaco na Região dos Lagos, que prometiam lucros exorbitantes mediante supostos investimentos em criptomoedas. O caso da GAS Consultoria, empresa de Glaidson, era o mais emblemático.

Michael chegou a passar mais de um mês foragido após ter a prisão decretada, mas acabou localizado pela PF no dia 13 de outubro, enquanto passava pela Rodovia Castelo Branco, em Araçariguama, no interior de São Paulo, a bordo de um Jaguar. Vicente, por sua vez, também é alvo de um mandado de prisão pendente, embora ainda não tenha sido encontrado pela polícia. Já Andrimar, apesar de também ser ré, está respondendo ao processo em liberdade.

O próprio Glaidson também foi flagrado em diálogos nos quais ordena que seus seguranças intimidem jornalistas que o investigavam. Em uma ligação interceptada com autorização da Justiça, o ex-garçom aparece conversando com um funcionário sobre a visita de uma repórter a um escritório da GAS Consultoria. "Eu já falei com o senhor, pela segunda vez, e volto a falar. Você tem que fazer reunião com esses caras e falar assim: olha, é ordem do Glaidson, chegou aqui repórter... É pra pegar, pra amarrar, e eu vou decidir o que vai fazer. Não vai fazer nada, só vai segurar. Deixou escapar, saiu descendo pela escada, porra! Não pode isso acontecer não", dispara o empresário para o segurança no telefonema.

No seguimento do diálogo, Glaidson volta a orientar a equipe de segurança a intimidar jornalistas: "Tem que chegar... Não vai fazer nada. É ó, me dá a câmera, me dá o celular, você vai ficar aqui...Ah não, você vai ficar aqui! E acabou". O ex-garçom prossegue, e chega a citar o fato de os seguranças trabalharem armados: "Prender aonde? Prender na sala! Não sai! Toma o celular... Tá com arma na mão, pô! Usa a autoridade. Ó, me dá aqui o celular, abre aqui agora! E manda apagar tudo que foi filmado. Aí, liga pra mim!"

Na última quarta-feira, Glaidson foi indiciado pela Polícia Civil como mandante do atentado contra Nilson Alves da Silva, de 44 anos, ocorrida em Cabo Frio em março de 2021. Para a 126ª DP (Cabo Frio), responsável pelas investigações sobre o caso, o ex-garçom encomendou a morte do concorrente, que também trabalhava com investimentos em criptoativos, depois que a vítima "espalhou a notícia" de que ele seria preso pela PF, aconselhando clientes a retirarem valores aportados junto à GAS Consultoria.

De acordo com a Polícia Civil, Glaidson determinou que Thiago de Paula Reis, "pessoa de sua extrema confiança", contratasse os executores do crime. A proximidade entre os dois é reforçada por uma visita feita por Thiago ao patrão na cadeia, poucos dias após a prisão. Após receber a ordem, Thiago negociou com Rodrigo Silva Moreira, Fabio Natan do Nascimento, Chingler Lopes Lima e Rafael Marques Gonçalves Gregório para que cometessem o assassinato.

Fabio e Chingler também são acusados pela morte do investidor Wesley Pessano Santarém, em agosto, na cidade vizinha de São Pedro da Aldeia, também na Região dos Lagos. O rapaz, de 19 anos, foi executado em um Porsche avaliado em R$ 440 mil. Segundo a Polícia Civil, as investigações prosseguem para identificar se Glaidson também foi o mandante do assassinato de Pessano, que se apresentava nas redes sociais como investidor de criptomoedas.

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